Manifestação questiona: "Por que só as igrejas evangélicas estão sendo interditadas?"

Manifestação questiona: "Por que só as igrejas evangélicas estão sendo interditadas?"

Atualizado: Segunda-feira, 16 Fevereiro de 2009 as 12

Por Adriana Amorim

Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, do dia 1º de fevereiro, 7.000 estabelecimentos comerciais na capital, com mais de 1500 metros quadrados, não têm licença de funcionamento. O número pode chegar a 400 mil imóveis, se forem considerados os menores e os que ainda não requisitaram anistia. O texto ainda aponta que 90% de todo o comércio paulistano está passível de fechamento imediato. A notícia foi citada pelo deputado estadual José Bruno, em manifestação que aconteceu na tarde desta última sexta-feira, dia 13 de fevereiro, nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo. Aproximadamente 400 pessoas estiveram reunidas para perguntar: "Por que somente as igrejas evangélicas na capital estão sendo fiscalizadas quanto às condições de funcionamento?". Entre os presentes estavam líderes e membros de diversas denominações evangélicas, os deputados estaduais José Bruno (DEM) e Major OlImpio (PV) e o vereador Marcelo Aguiar. Entre apitos, o coro dizia: "Por quê? Por quê?"

Em seu discurso, o deputado José Bruno chamou a atenção para o fato de somente templos de igrejas evangélicas, especialmente os da Renascer em Cristo, estarem sendo interditados. "Antes de ontem fecharam o prédio da TV. O imóvel ao lado é idêntico ao nosso [...] O nosso é reformado, usado para o estúdio. O outro é irregular, funciona um lava-rápido, aluguel de estacionamento durante o dia, mas não tem alvará de funcionamento, não tem iluminação de incêndio, está cheio de vazamentos, estrutura danificada, mas está funcionando. O poder público tem que responder por isso. As subprefeituras têm que responder por isso".

José Bruno comentou sobre as dificuldades enfrentadas no último mês por pastores, relatadas em seu gabinete. Uma delas aconteceu em uma sala de reuniões, localizada em um hotel de São Paulo, e utilizada semanalmente para estudo bíblico com 60 pessoas: "Eu estou com uma notificação na minha mão para que eu apresente alvará de funcionamento desta igreja. Espera! Isso aqui é um grupo que aluga uma sala!".

Para o vereador Marcelo Aguiar, os prazos concedidos pela prefeitura para regularização dos imóveis são insuficientes: "... Em cinco dias não se consegue regularizar absolutamente nada, em 30 dias talvez, mas em 120 dias talvez um imóvel possa ficar regular. Isso para qualquer estabelecimento. Eu, como fiscalizador, vereador, evangélico, tenho que demonstrar essa indignação".

Os presentes cantavam: "Oh, prefeitura, preste atenção, isonomia não é perseguição!".

Para o deputado Major Olimpio, a reivindicação não deve estar restrita às igrejas evangélicas. "Na nossa constituição nós temos um país que é um Estado laico, onde todas as religiões devem ter igualdade de tratamento [...] não podem ser objeto de perseguições [...] Eu pertenço à igreja católica e muitos templos, se forem vistoriados, também terão dificuldades para a regularização, o que não significa que não haja o ânimo para regularizar [...] A Assembléia Legislativa de São Paulo não tem escadas de incêndio. Não tem condição de funcionar hoje", denunciou o deputado.

Fotos: Getúlio Camargo

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