Marina Silva fala de meio ambiente em colégio adventista de Brasília

Marina Silva fala de meio ambiente em colégio adventista de Brasília

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 5:10

Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, falou aos alunos do Centro Educacional Adventista Milton Afonso (CEAMA), em Brasília, na terça-feira, 22 de março, dia mundial da água. Marina tratou de diferentes questões ambientais e de sustentabilidade.

Mais de seiscentos alunos do CEAMA participaram de uma aula especial. Eles aprenderam sobre a água com a professora Marina Silva, que tratou sobre o valor econômico, político e simbólico da água, este que, segundo ela, também é apresentado na Bíblia.

Dia 22 de março é o dia mundial da água. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com a intenção de promover a discussão relacionada a este bem natural que ocupa dois terços do planeta e é fundamental para a sustentação da vida. No CEAMA o assunto meio ambiente tem importância não só nesta data, mas durante todo o ano.

“Aqui na escola a gente trabalha com educação, mas educação não é só ler e escrever, mas educar a criança para que ela possa cuidar de si, da saúde e do planeta”, explicou a professora de ciências, Adriana Viana de Oliveira. “Hoje é o dia da água, mas temos abordado outras questões do desenvolvimento sustentável com essas crianças durante todo o ano, com diferentes eventos e o clube de ciências”, detalhou.

“Com as crianças a gente sabe que o compromisso é com a própria vida deles. Então é uma semente que está sendo plantada e que tem tudo para germinar da melhor forma possível”, comentou a ex-ministra. Ela elogiou o comportamento dos alunos do CEAMA durante a palestra.

  Ao comentar sobre as declarações do presidente Barack Obama, em recente visita ao Brasil, sobre o potencial em energias renováveis do país, a ex-ministra disse que “a gente pode ter uma atitude de compromisso com a mudança do modelo de desenvolvimento e a questão da energia renovável é um dos pontos, mas é fundamental que para isso a gente tenha uma educação que dê aos nossos jovens igualdade de oportunidades”, onde, segundo ela, entraria o papel da educação adventista. “Se dermos igualdade de oportunidades para eles, com certeza eles desenvolverão suas potencialidades e nelas teremos muitas respostas para os problemas que enfrentamos”.

Sobre as escolas adventistas, onde suas duas filhas estudaram, bem como de demais instituições confessionais de ensino, ela explica que “são escolas que no meu entendimento procuram dar um ensino de qualidade e ao mesmo tempo trabalhar valores. E os pais que colocam seus filhos numa escola confessional sabem disso”. “Então, essa junção dos valores com o saber formal é muito importante para que a gente possa ter pessoas cada vez mais preocupadas umas com as outras e com a proteção dos bens que nós temos nesse planeta, que são únicos”, completou.

Marina enfrentou certa polêmica com sua postura sobre o ensino de criacionismo junto ao evolucionismo nas escolas adventistas, posição, que segundo ela, foi exposta fora de seu contexto na época. Ela explica: “Na verdade foi feita uma confusão. O aluno que me entrevistou me perguntou sobre o que eu achava de a escola adventista ensinar o criacionismo, respondi positivamente na condição de ensinar também o evolucionismo. E isso foi utilizado de uma forma inadequada e injusta como se eu tivesse defendendo o ensino do criacionismo nas escolas públicas brasileiras”, explicou. “Eu digo que numa escola confessional as pessoas têm o direito de mostrar as diferentes visões que têm, mas isso não deve se constituir numa coisa obrigatória. Nós somos um estado laico, e num estado laico o que deve ser assegurado é a liberdade de expressão de todas as pessoas, sem prejuízo da religião e sem prejuízo da ciência”, esclareceu.

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