Marina Silva: "movimento sem-terra não deve ser satanizado"

Marina Silva: "movimento sem-terra não deve ser satanizado"

Atualizado: Sexta-feira, 16 Abril de 2010 as 12

A pré-candidata à presidência da República pelo Partido Verde (PV), senadora Marina Silva, disse nesta sexta-feira (16), em Araçatuba, interior de São Paulo, que os movimentos de sem-terra têm legitimidade para lutar pela reforma, mas não podem desrespeitar o Estado de Direito ao invadir propriedades privadas.

Para a senadora, assim como não deve ser ''satanizado'', o movimento de sem-terra também não pode agir em desacordo com as regras democráticas. ''O que tem de se fazer é o que não foi feito, que é a reforma agrária; os movimentos, desde que ajam democraticamente, de acordo com as regras do Estado de Direito, são legítimos; agora, o que não podemos permitir numa democracia é que se fira o Estado de Direito; temos de tratar o movimento como movimento e que o movimento siga aquilo que é o Estado de Direito'', disse.

A manifestação de Marina ocorreu após ser questionada, em entrevista coletiva, sobre o aumento dos conflitos agrários que atingiu o maior índice dos últimos 25 anos e sobre as invasões organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no chamado ''Abril Vermelho''. Mas a senadora também lembrou que as distorções ocorrem dos dois lados, ao lembrar dos assassinatos comandados por donos de fazendas na região Norte do País.

''O outro lado também comete extrapolações e há tendência de 'satanização' dos movimentos de sem-terra, como se fossem somente eles que em alguns momentos têm atitudes que não estão de acordo com as regras do jogo democrático'', afirmou para em seguida citar os nomes de líderes sindicais mortos durante o tempo em morou no Acre.

Marina ainda participou de um almoço com empresários do setor calçadista e se reunirá com representantes de igrejas evangélicas, antes de seguir para a cidade de Três Lagos, onde fará palestra numa faculdade.

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