Marina Silva nega livro biográfico como instrumento de campanha

Marina Silva nega livro biográfico como instrumento de campanha

Atualizado: Terça-feira, 10 Agosto de 2010 as 10:46

Nascida no Seringal Bagaço no estado do Acre, alfabetizada aos 16 anos e convertida à religião cristã evangélica após ter o que considera "uma experiência de fé", a senadora Marina Silva (PV) foi a convidada especial para o lançamento de sua própria biografia, "Marina - A vida por uma causa", que aconteceu nesta segunda na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em SP.

Sem considerar a obra escrita pela jornalista Marília de Camargo como um meio de marketing político eleitoral, a presidenciável chegou a cogitar o adiamento da finalização do projeto que já havia sido retardado uma vez. A previsão era que o livro tivesse sido lançado em abril deste ano. "Diversas vezes eu não tinha condições de fazer as entrevistas e queria parar. A Marília (autora) persistiu porque queria terminar o projeto. Por mim e pelo meu tempo, nem tínhamos terminado se não fosse a persistência dela", explicou Marina.

Ex-militante do PT, a candidata contou no coquetel de lançamento de seu livro com a presença do antigo colega de partido Eduardo Suplicy. "A minha campanha é pela Dilma, mas a minha amizade com a Marina vai além", classificou o petista que foi definido pela ambientalista do PV como "um irmão".  

"O Lula teve um começo parecido, mas ele foi para a liderança e ela

(Marina Silva) investiu na educação", compara o cineasta Fernando

Meirelles.

Autor do prefácio da biografia, o cineasta Fernando Meirelles acredita que a história da acriana pouco conhecida pela maior parte das pessoas irá impressionar o leitor. "Não é normal uma mulher que saiu da onde ela saiu e ter essa eloqüência. Ela é uma coisa completamente nova no Brasil. Mulher, negra, alfabetizada tardiamente, mas muito bem alfabetizada. O Lula teve um começo parecido, mas ele foi para a liderança e ela investiu na educação. Acho que foi nessa hora que ela se separou do Lula", disse ao Guia-me o diretor que leu o primeiro capítulo do livro.

Com uma tiragem inicial de 23 mil livros, todos vendidos antes do lançamento, a publicação já é considerada um sucesso pela Mundo Cristão. "Temos 43 mil exemplares encomendados sendo que metade já está nas livrarias", evidenciou Mark Carpenter, diretor-presidente da editora.

"Ela é a nossa Nelson Mandela"

Convicta de que seria freira, a candidata abandonou a ideia após perceber que não tinha vocação para a vida religiosa. A conversão à fé evangélica aconteceria anos mais tarde, após ouvir do seu próprio médico que ela não precisava de remédios, mas de um milagre. A contragosto, recebeu uma oração de um pastor por telefone e ficou impressionada pela revelação que a instigou a procurar o grupo evangélico.

"Ela vive integralmente a sua fé. Não é uma cristã só de boca. Ela vive o que ela prega", ressaltou a escritora Marília de Camargo que apontou a espiritualidade da presidenciável como um ponto forte da obra, mas não central.

"A minha campanha é pela Dilma, mas a minha amizade com a Marina

vai além", disse o senador Eduardo Suplicy (PT).

A vontade de não se deixar esmorecer diante das adversidades é o que chama atenção de Marília e o que faz dela, na opinião de Mark Carpenter, ser a Nelson Mandela brasileira. "É uma das poucas pessoas iluminadas que já passaram pelo Brasil. É uma honra publicar esse livro", destacou Carpenter .

Mesmo se achando muito nova para ter uma biografia – "Eu só tenho 50 anos" -, Marina Silva aceitou a proposta de ter sua vida registrada pelo convite ter sido feito por uma editora cristã que, segundo ela, respeitaria a sua fé. "É uma reportagem biográfica. Eu ouvi os familiares, amigos da senadora e inclusive os adversários. Não é chapa branca. A história da vida dela é linda e muito inspiradora", compartilhou a autora.

Por Felipe Pinheiro

Fotos: Felipe Pinheiro

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