Marisa Lobo: "Legal ou ilegal, o aborto causa traumas"

Marisa Lobo: "Legal ou ilegal, o aborto causa traumas"

Atualizado: Terça-feira, 27 Agosto de 2013 as 1:22

Marisa Lobo é psicóloga, especializada em Direitos Humanos. (Foto: Divulgação)

O aborto não é a única saída. Esta é a opinião central da psicóloga cristã, Marisa Lobo a respeito deste assunto que há tempos vem causando polêmica na mídia e na sociedade, de forma geral.
 
Em entrevista exclusiva ao Portal Guiame, a profissional - que também ministra palestras sobre sexualidade de um ponto de vista cristão para mulheres - falou sobre traumas e outras consequências que o aborto pode trazer à mulher e exemplos de mulheres que optaram por não abortar asseguram que esta foi a melhor saída.
 
Confira a entrevista na íntegra, logo abaixo:
 
Portal Guiame: Recentemente a mídia levantou novamente uma discussão sobre o aborto no Brasil. Esta prática executada com uma "boa estrutura" - como argumentam os que são a favor do direito de abortar - poderia de alguma forma, atenuar os traumas causados na mulher? Por quê?
 
Marisa Lobo: Não acredito que atenua traumas na esfera psicológica enquanto aborto na concepção da palavra, pois aborto - como definição - seria a morte de uma criança no ventre de sua mãe produzida durante qualquer momento da etapa que vai desde a fecundação (união do óvulo com o espermatozoide) até o momento prévio ao nascimento e, quando uma mulher faz um aborto ela está provocando essa morte. Esse trauma o pior deles.  
 
Quando uma mulher provoca aborto, os traumas criados são pela culpa de ter tirado a vida de um ser inocente, que ela entende como tal, e não do procedimento em si. Não será legalizando este ato que a mulher vai se sentir menos culpada. Essa culpa vai depender da história de vida dessa mulher, de seus valores e princípios, não do procedimento em si. Muitas mulheres cometem aborto por falta de apoio do parceiro e da família, por exemplo e o fazem em um momento de impulso, tendendo a se arrepender posteriormente . Depois do aborto, algumas tem ideias suicidas – não por ter feito um aborto legal ou ilegal, mas sim por ter tirado uma vida, que fazia parte da sua – é isso que as pessoas que lutam pelo aborto negligenciam: O amor a si mesmo e ao próximo.
 
A questão aqui, são traumas gerados e não é porque ela fez um aborto apoiado pelo governo que os traumas são menores. Se esta mulher recorreu ao aborto, de alguma forma os traumas estão nesta situação de não ter apoio, de ter sido violentada e o aborto é outra violência contra a mulher, pois novamente, cairá sobre ela esse trauma de ter matado – na concepção da palavra – um inocente. Não estou atribuindo culpa a essa mulher, mas dizendo exatamente como a maioria delas se sente, ou seja, mais uma vez a mulher somente ela é responsabilizada pelo ato de violência que contra ela mesma foi cometido e, a ela está sendo imputado por força legal a obrigação de resolver pela via da dor emocional e física a situação. Vejo isso, não como uma conquista, mas como mais um preconceito.
 
Portal Guiame: Quais são a principais consequências que podem ser destacadas após um aborto?
 
Marisa Lobo: Culpa , “medo de não engravidar no futuro”; “A consciência de que estava gerando uma vida e essa vida foi impedida de existir por ela causa uma dor as vezes insuportável de carregar”. Aqui citei frases de pacientes e mulheres que em alguma situação prestei atendimento e ou  aconselhamento após aborto, são frases relatadas por estas mulheres, algumas pobres que fizeram aborto clandestino de forma precária correndo risco de vida, bem como as ricas que fizeram aborto em clinicas sem o menor risco a saúde, ambas sentem o mesmo sentimento de culpa por ter impedido uma vida de existir.
 
O que percebo que a mulher que se volta para uma  religião, por exemplo, se sente perdoada, porque tem a consciência de que o arrependimento no caso da religião é perdoado então se conforta neste caso enquanto pecado, mas, no entanto os problemas e traumas permanecem porque o perdão está relacionado a si mesmo. Em outras palavras, ela sabe que Deus a perdoa, mas ela mesma não se perdoa e, é neste ponto que trabalho enquanto profissional: no perdão de si mesma e é esse o maior gerador de traumas. A situação é tão séria que algumas chegam a ouvir vozes do bebê por muitos anos, têm dificuldade de engravidar e, muitas vezes, sem problema aparente, sofrem com gravidez psicológica, problemas em sua sexualidade, medo de abortar espontaneamente… Já tive pacientes que somatizaram tanto o aborto que sofreram aborto espontâneo e atribuíram ao emocional o medo de ter um filho e abortar quando este estivesse formado. Enfim, a mulher sofre com aborto de alguma forma. Pode ser um alívio no momento da crise, mas o seu inconsciente cobra de alguma forma. Não é somente a questão social. Ela mesma que se cobra.
 
Portal Guiame: Fala-se muito em aborto nos casos de estupro ou anencefalia fetal. Como psicólogo e cristão o que você aconselharia em casos como estes?
 
Marisa Lobo: Creio como profissional e mesmo como pessoa, que não tenho o direito de obrigar uma pessoa a não fazer e / ou fazer algo. No caso do aborto eu não aprovo por se tratar de uma vida inocente.  Porém diante de um estupro comprovado, todas as medidas para proteger e se evitar a gravidez, doenças sexualmente transmissíveis devem ser realizadas com urgência e, muitas vezes, se a mulher for atendida imediatamente, pode-se evitar a gravidez, para não jogar mais esse trauma sobre a mulher: o de cometer um crime, pois é assim que ela entenderá. Mas o que o governo teria obrigação mesmo de fazer era de reforçar campanhas de proteção à mulher e punição do estuprador ao invés de remediar o problema, matando inocentes e nos impedindo [profissionais] de falar a verdade e mostrar o outro lado, até mesmo para que a pessoa possa realmente escolher pela razão, colocando todas as questões na balança na hora de sua escolha, pois cada uma delas terá suas respectivas consequências.
 
O que posso dizer, referente aos traumas  gerados nessa situação é que, conheço mulheres que depois de um estupro, não fizeram o aborto e a própria gravidez as curou dos traumas. O fato de não ter cometido um crime contra um inocente fez delas pessoas fortes e muito melhores como seres humanos. Se recuperaram dos traumas do estupro, fazendo o bem, colocando no mundo um inocente e, dando oportunidade para esta criança se desenvolver e ser criada com amor. Essa foi a maneira que estas mulheres encontraram de resolver uma injustiça.
 
Já tive uma amiga (vizinha) a qual pude acompanhar a situação dela. Ela estava grávida de uma criança com síndrome de Edwards e podia ter abortado, sabendo que a criança nasceria com transtornos graves e não viveria muitos dias. Mesmo assim, ela amou aquela criança já em seu ventre, deu oportunidade à vida, conviveu com aquele bebê por três meses e, se você pergunta, ela tem orgulho de ter sido essa mãe, de ter dado a oportunidade à vida desse bebê. Essa minha amiga se chama Vivian. Conheço outros casos de bebês que os pais permitiram que a criança nascesse e, até hoje, choram ao imaginar a possibilidade de um aborto.
 
O que precisamos entender nisso tudo é que o amor, o verdadeiro amor é transformador, ele tem um poder de resiliência fantástico. Se amamos um cachorrinho, nos compadecemos com um animal deficiente, por exemplo. Por que não amaríamos um ser humano com deficiências? Ou só amamos uma pessoa se esta for perfeita? Se for assim, estamos claramente nos declarando incapazes de amar. O ser humano foi gerado para amar. É o prazer de amar o outro que nos torna seres humanos completos. É por isso que todo aborto – legal ou ilegal – causa traumas e não pelo procedimento em si. A dor física pode ser curada, esquecida, mas o trauma se dá pelo pela dificuldade de se esquecer uma vida foi gerada a abortada, ou seja, não se permitiu que um ser humano nascesse de fato.  Seja qual for o motivo, devemos ter sempre a opção à vida. Não como obrigação, mas como direito.
 
Portal Guiame: Como você avalia a atuação do governo sobre esta situação?
 
Marisa Lobo: Vejo o governo jogando a culpa do estupro em cima da mulher, pois é mais fácil fazer o aborto do que preveni-lo. Por que o governo não oferece opção para mãe que não quiser abortar? uma ajuda de custo para essa mãe sustentar esta criança bem como um tratamento adequado inclusive psicológico para essa mulher, poderia ser uma opção, pois muitas mulheres abortam como única saída. Mas isso mexeria no bolso no governo então é mais fácil matar um inocente do que assumir de fato sua responsabilidade.
 
Devemos Amar ao próximo como a nós mesmos,  se eu me amar, sobrará amor para dar a este próximo, e se amar a Deus sobre todas as coisas, conseguirei perdoar e caminhar sem traumas. Essa é a chave de toda existência humana e de todas as dores  a de  amar , se  deixar amar e amar a quem te amor primeiro.
 
“Marcos 12:33 E que amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo”
 
Por João Neto - WWW.GUIAME.COM.BR
 

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