Me dei conta de que nunca havia orado em toda a minha vida!

Me dei conta de que nunca havia orado em toda a minha vida!

Atualizado: Terça-feira, 4 Outubro de 2011 as 10:57

Quando menino, crescendo em uma pequena cidade em Idaho durante os anos de depressão, desisti de participar de qualquer tipo de ensino religioso quando ainda era bem jovem -- crendo que aquilo era algo para velhos, para os fracos, e para aqueles que ainda viviam no passado. A ciência, pensava eu, algum dia responderia todas as minhas dúvidas sobre o significado da vida. Meu pai conseguia a notável renda de $100 por mês como treinador e professor de química e física em uma escola de segundo grau local, de modo que eu aproveitava cada oportunidade que tinha para visitar o laboratório da escola com ele. Eu era envergonhado e inseguro de mim mesmo e mantinha pouco relacionamento social na escola. Estudei bastante para agradar meus professores e consegui ir bem o suficiente para ser escolhido como "o mais provável vencedor" na escola.

Meus pais se separaram quando eu tinha 12 anos de idade e minha mãe, irmã e eu nos mudamos para San Diego --- durante os primeiros anos da II Guerra Mundial. Dois anos mais tarde minha mãe morreu de uma doença nos rins (ela tinha apenas 39 anos). Esse triste acontecimento somente intensificou meu desejo de descobrir o significado da vida --- se é que havia algum. Socialmente eu era envergonhado e introvertido mas consegui de algum modo cursar o San Diego State College e depois dois anos em Stanford para obter um título de PhD em Física. Só então me dei conta da desilusão que era a ciência como caminho para a verdade. O universo era maravilhosamente complexo, e estruturado, mas evidentemente algo frio, impessoal e um lugar sem sentido, existencialmente falando. 

Um emprego de verão, que era para mim um desafio, permitiu que eu interrompesse o curso de graduação -- mas aquele intervalo acabou durando 30 anos! Logo mergulhei em meu trabalho e em uma busca pela verdade mais ao estilo californiano hedonístico através do prazer e hedonismo, ou seja, a devoção ao prazer, especialmente os prazeres dos sentidos. Eu acreditava que só aquilo que fosse agradável ou que tivesse consequências agradáveis era intrinsicamente bom. O álcool quebrava minha inibição social e logo achei que a vida devia consistir em "comamos e bebamos, que amanhã morreremos." (1 Coríntios 15:32).

Muito disso passei enquanto buscava trilhar uma carreira acadêmica e profissional queme levou a receber uma graduação AB com altas honras em física e distinção em matemática da Universidade Estadual de San Diego em Junho de 1954. Depois de dois anos de estudo de graduação em Física e Engenharia Elétrica na Universidade Stanford, (1954-1956), entrei para a equipe do SRI International (a saber, Instituto de Pesquisas Stanford), em Menlo Park, California, onde permaneci quase sem interrupção pelos 30 anos seguintes.

Meu primeiro e interessante colega de quarto era um agradável bem humorado psiquiatra Judeu Freudiano de Boston que me assegurava que todo mundo era neurótico e que as respostas definitivas seriam encontradas pela conquista do Espaço Interior -- não do Espaço Exterior. Assim, nos dois anos e meio que se seguiram, continuei Minha Busca três dias por semana em uma psicanálise clássica onde acabei enxergado que nem tudo no homem podia ser explicado em termos de química, eletricidade e física. Meus sonhos podiam ser interpretado, muito do meu comportamento adulto não passava de variações de alguns poucos temas de berçário. O que é amor? O que é consciência? O que é "livre arbítrio"? -- indagava eu. O que acontece quando você morre? Por que todos ao meu redor viviam aparentemente contentes em "taperas que pareciam todas iguais"?

A leitura de Sigmund Freud me inquietava quando chegava às suas complicadas explanações sobre a razão por quê Deus (especialmente o Deus Judeu) não existia. Eu me indagava como Freud podia ter certeza? Teria ele procurado em todo lugar? Afinal, Deus podia estar escondido. Eu preferia adotar aquilo que achava ser uma posição mais sensível de um agnóstico cético. Deste modo me voltei para Carl Jung e devorei todos os seus livros. A experiência religiosa, dizia ele, era com frequência valiosa para seus pacientes. Minha Busca agora se tornava uma pesquisa religiosa. Acompanhei a religião Oriental com a ajuda do ex-Episcopal Alan Watts: Confucionismo, Hinduísmo e Zen. Descobri um bom astrólogo e consegui que um horóscopo fosse traçado para mim, e tomei LSD, como Watts havia feito -- tudo isso para ver se poderia experimentar uma experiência religiosa transformadora. Tudo em vão. 

Mas quando estava com 30 anos havia chegado ao desespero existencial. A vida não tem sentido, não existe uma razão para a existência do homem. O suicídio parecia uma boa saída -- exceto pelo fato de eu ser um covarde e -- 'e se existir um inferno e eu cair lá sem poder voltar?' Além disso, minha avó lá em Idaho tinha estado orando por mim desde o dia que nasci. O que é que ela tinha que eu havia deixado de obter? Os melhores anos de minha vida já tinham terminado e se passaram e eu havia procurado por todo lugar de modo a não restar mais onde procurar.

Em 1962 os pais de meu colega de quarto me convidaram um dia para ir à igreja onde pela primeira vez na vida escutei o que a Bíblia tinha a dizer sobre a realidade. Toda minha atenção imediatamente se voltou para Aquele Livro Que Ninguém Mais Lê. Comecei pelo fim -- pelo Livro de Apocalipse. Essa nova fase de Minha Busca continuou com tal intensidade por vários mêses até que decidi visitar o pastor -- assim podia perguntar todas as questões difíceis para mim, e de uma vez para sempre encontrar as lacunas e inconsistências que eu estava certo faziam do Cristianismo uma religião criada pelo homem assim como todas as outras religiões do mundo. 

Ele se recusou a me dar sua própria opinião sobre as questões, mas respondeu a cada uma delas indicando para mim várias passagens da Bíblia. Fiquei particularmente tocado por afirmações como, "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente", e "E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus." Evidentemente, " há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. "O qual Se deu a si mesmo em preço de redenção por todos."

Me dei conta de que nunca havia orado em toda a minha vida. E se você pedisse ajuda a Deus e Ele lhe ajudasse? E se Ele fosse mais inteligente do que eu (aquele pensamento sempre caía sobre mim), então uma mera profissão exterior de fé de nada serviria. O pastor disse que quando quer que eu decidisse me tornar um Cristão, ele gostaria de testemunhar isso. Foi então que entendi que Deus devia ser uma Pessoa vida e que Ele aparentemente estava pronto para me atender se eu tão somente Lhe desse minha permissão. Decidi que aquela hora e lugar era a melhor oportunidade que eu tinha. Minha primeira oração saiu mais ou menos assim, "OK Deus, se você estiver aí, acho que posso estar precisando que me perdoe. E você pode ficar com o resto de minha vida. Por favor, me ajude."

Não esperei mais que um milisegundo para me sentir inundado e transbordando com amor -- o amor de Deus. Ali naquele escritório, e agora em meu coração, era o mesmo Jesus sobre o qual havia lido em Mateus, Marcos, Lucas e João. Minha avó estava certa e a Bíblia não era um livro comum. Parecia como se todas as luzes tivessem se acendido em um lugar que antes era uma casa escura. 

Até hoje (33 anos mais tarde) aquela experiência de minha conversão Cristã permanece em minha memória tão distinta quanto a noite e o dia -- "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."

Há muito mais para contar, mas deixarei para depois. Meu andar Cristão encontrou alguns trechos ásperos e pedregosos ao longo do caminho. Por exemplo, me desviei de Jesus Cristo por sete anos no início da década de 70 e só fui voltar como um Filho Pródigo arrependido depois que Deus lançou Sua artilharia pesada e uma severa disciplina para me relembrar de Sua propriedade sobre minha vida e da aliança que tenho com Ele -- e de Seu leal amor e ilimitada misericórdia e graça. Hoje Deus já restituiu mais do que os "anos perdidos". Ele abriu em minha consciência vislumbres do tempo e da eternidade de maneira que agora aguardo o futuro com ansiosa expectativa para compartilhar do universo juntamente com Jesus Cristo, o Senhor, e com Seu querido povo escolhido -- para sempre. Espero que você venha comigo nessa minha jornada, se ainda não o fez.

Deixei minha posição no SRI como Físico Pesquisador Senior em 1987 para me dedicar a pequenos trabalhos como consultor independente de geofísica e para dedicar a maior parte do tempo ao ensino Bíblico, escritos e aconselhamento Cristão.

Por Lambert T. Dolphin

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