Meg Banhos: "As maiores lições de uma mãe vem dos seus filhos"

Meg Banhos: "As maiores lições de uma mãe vem dos seus filhos"

Atualizado: Sexta-feira, 13 Maio de 2011 as 1:54

Ela é polivalente nas artes: canta, desenha, escreve... enfim tem a arte correndo em suas veias, mas quando tornou-se mãe, passou pela experiência que classificou como "inspiração quase transbordando".

Em entrevista exclusiva ao Guia-me, a designer e autora de diversos musicais cristãos - entre eles o já bem conhecido pelo povo cearense "O Grande Sacrifício" -, Meg Banhos falou sobre a missão que é ser mãe. Alegrias, inspirações, dificuldades, complicações na gestação e várias outras provações possíveis e imagináveis foram abordadas nesse bate-papo.

Confira a entrevista na íntegra:

Guia-me:Você sempre foi uma profissional muito versátil e ativa. Após o nascimento dos seus filhos, como você administrou o seu tempo (família / trabalho)?

Na verdade nunca consegui lidar muito bem com isso. Desde minha primeira filha luto para encontrar um equilíbrio. Durante anos foi assim, na tentativa de desacelerar. Mesmo sendo super ativa no trabalho, acontece que a vida muda quando se tem filhos. Sempre um dos lados vai ser prejudicado. No meu caso, minha escolha tem sido investir nas crianças. Então optei pelo esquema de trabalho home–office me permite estar muito mais presente na vida deles e continuar trabalhando no que gosto.

Guia-me: Os seus filhos te inspiraram a compor músicas e novos desenhos. Esse sempre foi um desejo teu (dedicar os seus talentos para manifestar sua alegria por eles) ou foi algo ue surgiu naturalmente com cada um deles?

Meu trabalho sempre teve um pé no universo infantil. Desenhos e músicas me vem com maior facilidade quando são voltados para este público. Quando os filhos foram chegando, isso foi automático. A experiência foi real e muito mais profunda com cada um dos 3. Inspiração quase transbordando. Além do que cada um, cada fase, cada descoberta é um motivo novo para colocar as ideias em prática. Eles amam e a gente acaba se divertindo muito.

Guia-me: Em um mundo tão cheio de facilidades (estimuladas pela tecnologia e valores sociais distorcidos) como é possível atualmente ensinar aos filhos sobre limites?

Fácil não é. Filtrar o que eles consomem é uma batalha diária, sem tréguas. Nem sempre conseguimos.

O que não pode haver é o medo de dizer “não” . Crianças são como esponjas. É preciso ser firme e sempre conversar na língua deles.

Diante das ofertas que vão contra nossos princípios a saída é explicar uma, duas, dez vezes se preciso o porque de não assistir este ou aquele desenho animado, ou não comprar tal brinquedo, ou não fazer isto ou aquilo que o coleguinha faz.

Ao mesmo tempo que tentamos mostrar o outro lado, valorizando a alegria que existe em obedecer. Substituimos algumas coisas pelo tempo junto com eles e temos descoberto que é tudo o que eles mais querem.

Guia-me: A mãe sempre foi conhecida como aquela que dá conta da casa, dos filhos e até mesmo do marido. Você acha que atualmente esse conceito tem mudado? Pra melhor? Pra Pior? Ou Ainda precisa mudar?

Acho que o mundo inteiro mudou. Economica, social e culturalmente o papel das pessoas (pai e mãe) na família tem mudado junto. Faz tempo que a mulher trabalha fora de casa tanto quanto o homem e ainda dá conta de um monte de tarefas domésticas. Correria é inversamente proporcional ao tempo. A mudança é uma adaptação das comunidades ao cotidiano moderno. Inevitável.

Embora eu não seja tradicional. Penso que dentro de cada mulher, não muda o desejo de cuidar da melhor maneira do que é seu. Isso inclui, marido, filho, casa e tal. A gente já nasce com isso.

Quando o feminismo gritou que tudo isso estava errado, por muito tempo não se ousou assumir uma outra postura. O mais incrível é que muitas mulheres no panorama atual, vem na contra-mão resgatando isso como um valor e não mais como uma vergonha.

Claro que com muito mais confiança para negociar a tão almejada divisão de tarefas.

Na minha opinião, este avesso do avesso dos conceitos, deu um novo fôlego às famílias.

Guia-me: Você passou por situações de risco em suas gestações. Como você sentiu o cuidado de Deus nestes momentos?

Na segunda gravidez, tive rompimento de plascenta. Literalmente sentia angústias de morte. A constante sensação de que algo não ia bem, me fez me soltar as rédeas. E aí é que está o ponto: dependência irrestrita de Deus. O controle finalmente tinha escapado das minhas mãos auto-suficientes.

De forma concreta, o amor de Deus veio através da família e dos amigos. Pessoas oravam por nós, visitavam, ofereciam o ombro e os ouvidos para chorarmos, choravam conosco, cuidavam da nossa casa, da Julia, da nossa comida. Pesquisavam sobre gravidez de risco para saberem como melhor ajudar. Até chá de fraldas e enxoval enquanto estava internada. Pessoas que nos amavam de forma prática foram o corpo de Deus nos acompanhando.

Guia-me: Todos sabemos que as mães - assim como os pais também - são antes de tudo "professoras" que preparam seus filhos para a vida. Mas e os filhos, também ensinam algo para as mães?

As maiores lições de uma mãe vem dos seus filhos. Costumo dizer que meu terceiro filho é minha pós-graduação. Nada me prepararia tanto para vida e para os outros. Antes deles tinha outra visão de mundo.

Um das canções que fiz para minha primeira filha hoje com 6 anos diz assim: vem me acalentar, pra eu te fazer dormir. “Vem me ensinar, como cuidar de ti.”

Palavras como autruísmo, doação, solitude, valor, sim, não, medo, paciência, exemplo,  imensidão, dor, satisfação... passaram a ter sentido para mim.

Fiquei surpresa ao perceber que minha compreensão do amor ficou mais clara, quando se trata do termo: incondicional.

Amá-los refletiu o amor de Deus por mim.

O melhor é que este aprendizado nunca acaba.

Por João Neto - www.guiame.com.br

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