Melhor jogador da Libertadores 2010, Giuliano, busca igreja na Ucrânia

Melhor jogador da Libertadores 2010, Giuliano, busca igreja na Ucrânia

Atualizado: Segunda-feira, 18 Abril de 2011 as 12:16

Sem arrependimentos, mas frustrado por nunca ter sido titular nos dois anos em que esteve no Inter. É assim que Giuliano resume os sentimentos sobre o ex-time, do qual saiu em janeiro para defender o desconhecido Dnipro, quarto colocado no Campeonato Ucraniano – neste domingo, o time empatou em 2 a 2 com o Sevastopol.

Aos 20 anos, o melhor jogador da Libertadores 2010 conta com o apoio da esposa Michele para se adaptar ao novo país. Na casa em que residem, no centro de Dnipropetrovsk – cidade com cerca de 1,4 milhão de habitantes –, sauna, salão de jogos, piscina térmica e sala de musculação ajudam a passar o tempo, principalmente nos dias mais frios do Leste Europeu.

Em entrevista exclusiva para o clicEsportes, Giuliano revelou o que tem passado desde a mudança. Disse sentir saudades do Inter, apesar de manter contato com os jogadores, em especial com Leandro Damião. No dia 24 de março, por exemplo, entrou em contato com o grupo por Skype. O time estava concentrado para pegar o Jaguares. Giuliano deu sorte: o Inter fez 4 a 0 nos mexicanos.

Giuliano garantiu ainda estar plenamente feliz, deixou aberta a possibilidade de voltar “em breve” e esclareceu como foi a saída relâmpago de Porto Alegre:

– Não tive tempo para pensar – conta o camisa 8.

clicEsportes – Como foi rever o Taison em um clássico na Ucrânia?

Giuliano – Fiquei contente de revê-lo, já que foi um amigo pessoal. Foi ótimo conferir que ele está bem, se adaptando e evoluindo. Fez uma grande apresentação naquele dia. Entrei no intervalo nessa ocasião. Foi a única em que não comecei jogando. Ainda não tive oportunidade de visitar o Taison, pela distância, mas já saí para jantar com o Danilo Silva, também ex-Inter, do Dínamo de Kiev.

clicEsportes – Quem são seus amigos no Dnipro?

Giuliano – Tem o Matheus, outro brasileiro. Veio do Braga e temos conversado bastante. Meu parceiro aqui também é o Samuel, de Gana. Divido o quarto com ele nas concentrações e já posso considerá-lo um grande amigo. Também tem o argentino Osmar Ferreyra e o colombiano Rivas Nelson. São as pessoas mais próximas.

clicEsportes – E fora do futebol? Como tem ocupado o tempo?

Giuliano – Estou morando em uma casa muito grande. Não é uma mansão, mas é confortável. Tem tudo, como sala de jogos, sauna, piscina e musculação. Passo o tempo estudando russo, jogando sinuca ou pebolim. Também navego na internet o tempo todo. Assisto a canais brasileiros pela web. E eu tinha comprado videogames (um Xbox 360 e um Wii), mas tive problemas. Queimaram quando fui utilizá-los aqui. E não tem interruptor pra vender.

clicEsportes – Você é religioso. Tem conseguido ser atuante aí na Ucrânia?

Giuliano – Eu já tinha pesquisado sobre isso nesta cidade. Aqui, ou as pessoas são católicas normais ou católicas ortodoxas. Evangélicos são raríssimos. Mas eu e minha esposa encontramos uma igreja evangélica e iremos conhecê-la.

clicEsportes – Como foi o começo na Ucrânia?

Giuliano – Cheguei aqui em janeiro e fiz exames médicos no dia 25. Fizemos uma pré-temporada longa na Espanha. Depois, participei de cinco partidas. Foram duas vitórias, um empate e duas derrotas. No clássico contra o Metalist (time do atacante Taison, também ex-Inter), que é um tipo de Gre-Nal aqui, empatamos em 2 a 2.

clicEsportes – E como está a adaptação à cidade de Dnipropetrovsk?

Giuliano – Estou me adaptando. É um país que está crescendo. Cidade boa, cheia de parques. É mais ou menos como Porto Alegre. Estou morando bem no centro. Não consegui ainda aproveitar bem por causa do clima. Hoje, a temperatura média é de 8°C aqui. O frio mesmo já passou. Peguei -22°C.

clicEsportes – E o problema com o idioma? Tem sido difícil?

Giuliano – Horrível! O russo é dificílimo! Estou fazendo aulas da língua e já aprendi algumas coisas. Mas o futebol se entende em qualquer idioma. Por meio da mímica, grito ou expressão. Também tenho usado bastante o inglês. E fui apresentado pelo clube aqui a um rapaz chamado Sandro, que é descendente de ucraniano. Ele tem ajudado bastante, fazendo traduções. Coincidentemente, é de Curitiba, que é minha cidade. Mas alguma coisa eu já chuto em russo. Minha esposa é que escuta russo todos os dias. Temos uma empregada aqui que só fala a língua. A gente acaba se comunicando por mímica, e surgem situações bem engraçadas.

clicEsportes – Mas não teve medo de se “esconder” no Dnipro?

Giuliano – Em relação a isso, estou bem tranquilo. Estou pensando positivo. A Ucrânia está crescendo para o futebol, importando jogadores de toda parte do mundo. O clube tem site e, na medida em que for aparecendo, vou aparecer também.

clicEsportes – Teoricamente, para você ir para a vitrine e voltar a ganhar chance na Seleção teria de disputar a Liga dos Campeões ou a Liga Europa.

Giuliano – Disputar a Liga dos Campeões é o nosso grande objetivo. O Dnipro está evoluindo e fazendo novas contratações para a temporada. Temos ainda a possibilidade de ficar em segundo (e garantir vaga para a Liga dos Campeões). Na pior das hipóteses, temos que nos manter na colocação atual (quarta) e garantir vaga para a Liga Europa. Em relação à Seleção, também não vejo problemas em estar aqui. Já passei por todas as categorias de base.

clicEsportes – Taticamente, como está sendo sua função no esquema do Dnipro?

Giuliano – É o 4-2-3-1. Sou o jogador central do esquema, que é minha função de origem.  

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