Mendigos são usados como entretenimento moral, diz pastor que se disfarçou 1 ano nas ruas

Yago Martins participou do programa Pânico, na Jovem Pan e falou sobre como a caridade irrestrita pode aumentar a miséria.

fonte: Guiame

Atualizado: Sexta-feira, 25 Outubro de 2019 as 12:16

O pastor Yago Martins esteve na última quinta-feira (24), participando do programa Pânico (Jovem Pan) e teve a oportunidade de falar sobre o tempo que escreveu seu novo livro "A Máfia dos Mendigos: Como a caridade aumenta a miséria".

A obra trata de um assunto pouco debatido atualmente no Brasil que é a postura do brasileiro em praticar a caridade desmedida, sem critérios e até usar esses "atos de bondade" como uma plataforma para se promover

Yago Martins se passou por morador de rua durante um ano para entender melhor a relação dessas pessoas com aquelas que praticam caridade. Foi justamente essa experiência que lhe rendeu material para o seu novo livro.

"Existem muitos motivos pelos quais as pessoas vão parar na rua. O nosso erro começa, talvez, em nós tentarmos achar um motivo único para alguém estar na miséria. São indivíduos, seres humanos, cada um está lá por um motivo particular, quer seja por desgraça pessoal, uma tragédia ou mesmo por exercício de vontade, que é isso que a gente geralmente não acredita, que alguém pode exercer a vontade pela mendicância, poderia não ser mendigo, mas está ali porque quer, basicamente.

"Algumas pessoas estão na rua, porque existe uma cultura de caridade irrestrita e impessoal, que é abundante na rua. Se a gente não estiver envolvido com trabalhos com moradores de rua ou com ações de caridade, algo assim, talvez a gente não veja, dependendo do modo como a gente interpreta a vida, talvez a gente nem acredite".

Yago Martins ficou durante um ano disfarçado como mendigo, passando o dia nas ruas de Fortaleza, para entender mais sobre este cenário.

Ele conta que descobriu fatores nessa realidade que o deixaram impressionado sobre como a caridade sem engajamento pode ser prejudicial e até mesmo hipócrita.

"As [muitas] pessoas [que praticam a caridade irrestrita] não querem engajamento, não querem fazer uma diferença real. A impressão que dá é que muitas vezes o mendigo é um instrumento de entretenimento moral. É só um jeito de se sentir melhor. 'Vou fazer aqui uma coisinha boa e volto para casa feliz'. Esse foi o modo como eu mesmo fiz caridade durante muito tempo na minha vida", explicou.

"Qual o problema disso? Quando a gente vai usar o mendigo para a nossa superioridade moral e a gente não se engaja, não se relaciona, não tenta entender o problema, só quer fazer uma breve distribuição de renda, entregar comida e pronto, a gente cria essa cultura de paternalismo, muitas vezes, de que a gente ensina para o cara de que ele não é digno de conquistar nada", acrescentou.

Clique no vídeo acima para conferir a entrevista completa.

 

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