Mentiras x Verdades

Mentiras x Verdades

Atualizado: Segunda-feira, 2 Abril de 2012 as 8:34

Desde criança, todos ouvimos dizer que o dia 1º de abril é o dia da mentira. Por conta disso, muitas brincadeiras eram e são feitas, principalmente entre adolescentes, visando pregar peça um no outro com base nessa história popular, do tipo: “acabei de achar R$ 500,00 na rua!”. E logo após a reação provocada no ouvinte, o mensageiro declara: “Iº de abril, seu bobo!”

Há muitas explicações para o 1º de abril ter se transformado no dia da mentira, dia das petas, dia dos tolos (de abril) ou dia dos bobos. Uma delas diz que a brincadeira surgiu na França. Desde o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. As festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de abril.

Em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX de França determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1 de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano iniciaria em 1 de abril. Gozadores passaram então a ridicularizá-los, a enviar presentes esquisitos e convites para festas que não existiam. Essas brincadeiras ficaram conhecidas como plaisanteries.

Em países de língua inglesa, o dia da mentira costuma ser conhecido como April Fool's Day, "Dia dos Tolos (de abril)"; na Itália e na França ele é chamado respectivamente pesce d'aprile e poisson d'avril, literalmente "peixe de abril".

No Brasil, o primeiro de abril começou a ser difundido em Minas Gerais, onde circulou A Mentira, um periódico de vida efêmera, lançado em 1º de abril de 1828, com a notícia do falecimento de Dom Pedro, desmentida no dia seguinte. A Mentira saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando como referência um local inexistente.

Bem, independentemente dessa data de 1º de abril, a origem da mentira é encontrada na Bíblia Sagrada, em Gn 3.4 e 5, quando satanás inverteu a sentença de morte proferida por Deus a Adão e Eva, caso eles comecem do fruto proibido, alterando-a para: “certamente não morrereis”. Noutras palavras, satanás mentiu descaradamente, e por terem dado ouvidos à mentira nossos primeiros pais pecaram contra Deus atraindo, assim, maldição ou castigo para si, para a sua descendência e para toda a terra. Por isso, ele é declarado “pai da mentira”. Nesse sentido, veja como o Senhor Jesus se referiu a ele: “...Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” (Jo 8.44 sp).

Assim como não há comunhão entre luz e trevas (2 Co 6.1), não pode haver comunhão entre mentira e verdade, pois são de natureza incompatível, por isso, não se misturam entre si. Leia o conselho de Paulo aos Efésios 4.25: “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros”.

Falar a verdade é fruto de aprendizado, mas falar a mentira também é fruto de aprendizado.

Se, de certo modo, alguém foi ensinado a mentir é tempo de corrigir e extinguir tal hábito pernicioso e diabólico, substituindo-o pela verdade. Cuidado especial deve ser dado às crianças, especialmente com relação às “mentirinhas inofensivas”, do tipo: Ao atender o telefonema, dependendo da pessoa, o pai ou a mãe orienta o(a) filho(a) a dizer que não está no momento. Ainda que possa parecer uma questão de somenos importância para os pais, todavia, a criança está sendo ensinada a mentir.

Via de regra, a mentira é utilizada pelos seres humanos como mecanismo de defesa para se safar de situações embaraçosas, como por exemplo: Quando o esposo mente para a esposa que vai chegar mais tarde em função de acúmulo de serviço, para não dizer que vai sair com uns amigos. Quando o filho ou a filha sai de casa dizendo que vai à escola, mas o destino na verdade é outro e etc. Se mentir eventualmente é irrecomendável, pior ainda é tornar essa prática habitual, pois aquele que assim procede, ao dizer uma verdade dificilmente merecerá crédito.

Como dizem os ditados populares: “a mentira tem perna curta” e “enquanto a verdade calça as botas, a mentira já deu 7 voltas ao mundo”. Quem mente vive apreensivo e sobressaltado por causa da possibilidade de ser descoberto e a verdade vir à tona.

Nada melhor do que adotar uma vida regida pelo princípio da verdade, e assim, viver com a consciência tranquila e de cabeça erguida diante de Deus e dos homens. Amém!

Por Pr. Gilberto Fernandes Coelho

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