"Meu privilégio foi crescer como sacerdote na Igreja" diz filho do Bispo Gê

"Meu privilégio foi crescer como sacerdote na Igreja" diz filho do Bispo Gê

Atualizado: Segunda-feira, 14 Fevereiro de 2011 as 11:01

O Igospel entrevista o pastor Daniel Tenuta, líder do Projeto Amar da Sede. Filho do bispo Gê Tenuta, atual presidente da Igreja Renascer, ele conta um pouco sobre a sua caminhada com Deus, vida ministerial, as várias experiências vividas ao longo de sua vida e o privilégio de ser a primeira criança a ser apresentada na Igreja Renascer.

Igospel – Você abriu mão de muitas coisas pelo seu chamado?

Pastor Daniel Tenuta – Algumas. De relacionamentos infrutíferos, amizades que não prestavam e de um sonho mesquinho profissional, onde pretendia estudar engenharia mecatrônica na UNICAMP, onde cursei o primeiro trimestre. Mas Deus falou comigo na Conferência Apostólica de 2004 e fui para a área de comunicação, onde Deus tem me usado em radialismo. Na verdade fui teimoso mesmo. Estudei um curso de verão em Harvard University sobre “Nova Mídia Criativa”, pois ganhei uma bolsa como melhor aluno do Colegial no Augusto Laranja. Quando cheguei a Boston, meu inglês era péssimo. Eu não acompanhava as aulas de Laboratório Eletrônico. Mudei de curso para a tal “Nova Mídia Criativa”. Deus já estava me conduzindo sem eu perceber. Aprendi técnicas de edição, linguagem, estética para TV e WEB. Em 2003, Harvard e o M.I.T. ferviam com as novas tendências das mídias que surgiriam como Broadcasting na Web e as Redes Sociais. Fui feliz de ser guiado por Deus por um momento tão rico na área que trabalho. Só errei na época de persistir na Engenharia. Quebrei um pouco a cabeça e Deus me guiou de volta ao seu plano.

Como foi a primeira vez que você pregou em um culto?

Foi em uma igreja no Jardim Ângela, em maio de 2004. Tinha uns cinquenta jovens e eu era diácono. Minha pregação foi boa, mas pesada, pois ministrei sobre os sete candeeiros do Apocalipse e provavelmente ninguém entendeu... (risos). Sempre tive dificuldade em expressar o conteúdo de forma simples. Fui lutando com essa barreira, aprimorando minha linguagem, sempre focando o jovem moderno. Depois do Jardim Ângela, preguei no Grajaú. Na época, eu era diácono em Santana e o pastor não deixava pregar no culto. Mas foi benéfico, conquistei o altar nas ruas evangelizando, principalmente no Terminal Santana com megafone e alguns parceiros. O evangelismo é uma forma eficiente de preparar pregadores, pois estamos no campo do inimigo.

Qual a maior diferença que você vê na igreja de hoje?

Maturidade. Assim como crescemos, a Igreja cresce também. Hoje, temos mais experiência para discernir as pessoas que tem má intenção e aqueles que vêm para impedir a obra. Hoje, tem uma geração de pessoas limpas, que nasceram na Renascer, muitos são filhos de bispos, pastores e oficiais como eu, que nunca tiveram contato com a religiosidade, que foram formados na pureza da Palavra. Claramente, esta geração é muito diferente da de dez anos atrás. Muitos que nos abandonaram ou não compreenderam a visão, apresentavam “vícios” da religiosidade que fatalmente não puderam suportar. A geração dos príncipes da Renascer é desprovida de disputas humanas. Andam em irmandade e praticam a essência da Igreja com um amor incondicional. Creio que os próximos anos serão incompreensíveis aos homens, tamanha a dimensão da Igreja em frutos e na manifestação do Espírito Santo. Renascer em Cristo é uma Igreja Jovem, Moderna e Completa.

Você se sente privilegiado por ter acompanhado a caminhada da Igreja Renascer desde o começo? O que esta marca significa para você?

O maior privilégio de um homem é crescer como sacerdote na Igreja. Esse foi o bem que meu pai me ensinou a valorizar mais. Muitos prezam ser grandes empresários, milionários, mas sem dúvida crescer na Igreja tem um preço imensurável. Agora, sem dúvida, na Renascer é o privilégio do privilégio, pois a visão apostólica é de uma plenitude incomparável. Esta marca representa para mim não só a graça de ter este privilégio, mas a responsabilidade de realizar a obra com excelência por tudo aquilo que Deus concedeu à minha vida através da Igreja.

Acredita que por ser a primeira criança a ser apresentada na Renascer sua responsabilidade é maior em relação às outras pessoas?

Sem dúvida. Não que seja um peso, mas tenho plena ciência de toda bagagem que Deus nos deu ao longo dos anos, fazendo-me assim guardião de nossos tesouros, da visão e da obra. Recentemente, por exemplo, encontrei nas coisas da família um documento datando o início da Igreja Renascer, em 12 de Março de 1986. Eu nasci em 28 de Maio de 1986, quando fui apresentado como primeira criança, nossas reuniões já eram no restaurante Livorno.

Você viveu alguma experiência marcante em algum evento ao longo da história da Igreja Renascer?

Milhares. Esse é o diferencial da Renascer, você está sempre em movimento, sempre conhecendo coisas novas, nunca tem velho. O que é velho não sobrevive, ou muda ou passa a diante. Deus sempre faz coisas novas na Renascer. Foi na Renascer que fui curado de problemas brônquio-pulmonares, de cistos na tireoide, de rinite e asma crônicas. Minha família foi restaurada. Encontrei o amor da minha vida, a Raquel, que estou casado há quase dois anos. Aprendi a evangelizar. Já preguei pra nóia, pra cigano assassino, pra homossexual preso em casa há 3 meses pelo parceiro, pra ex-presidiário que foi estuprado no Carandiru antes de sua liberação (sangrando bastante), expulsei demônio em uma casa trancada, liderei jovens na zona norte, oeste, litoral sul (ministério do surf), nos EUA e agora na Sede. Participei de todas as marchas, acampamentos, ceias e S.O.S. da Vida, enfim, vou parar por aqui... Só pude viver tudo isso por causa da Renascer.

Na primeira Marcha para Jesus, quantos anos você tinha? Como foi essa experiência pra você?

A primeira Marcha foi em 1993. Era algo inédito no Brasil. Eu era pequeno e enfrentava enfermidades aos sete anos de idade. Nas primeiras Marchas ficava com minha avó Ana, que era muito envolvida na Igreja. Estava frio em São Paulo, mas não nos impediu de invadir as ruas e proclamar o nome de Cristo.

Você se lembra do primeiro SOS?

Foi em 1991, no Ginásio do Ibirapuera. Eu dormi de exaustão. Tinha cinco anos de idade, meus pais estavam na logística do evento com o apóstolo e a bispa. Estava muito lotado e eu dormi perto da caixa de som. Fatalmente, os filhos de bispos estão acostumados com barulho, sono pesado...

Conte um pouco da sua estadia com a Igreja nos EUA?

Passei dois anos em um momento difícil da Igreja, acompanhei toda perseguição e todas nossas lutas pela justiça, desde os tribunais até o retorno ao Brasil. Lá vivi sem minha família, apenas com amigos e correndo com as coisas da Igreja. Meu primeiro semestre foi um milagre, pois consegui um trabalho com uma emissora local de TV ao lado de grande ícones do telejornalismo brasileiro da Record e da Globo. Neste tempo, ajudava nos programas de Rádio, em Miami, junto com a bispa e o Projeto Amar. Voltei para o Brasil no final do de 2007 e o apóstolo permitiu minha volta para os Estados Unidos em 2008 se fosse para estudar. Neste tempo, implantamos com apóstolo uma obra pioneira: uma programação de rádio e TV simultaneamente Estados Unidos e Brasil. Ainda ministrava o P.A. e levava a “molecada” para viagens, muitas estão no meu canal do YouTube, pois viraram matérias. Gravei entrevista com P.O.D. em Miami e em 2009 casei com a Raquel em um lindo Buffet em Boca Raton, outro milagre. Os últimos três meses era contagem regressiva para voltar ao nosso país. Ansiedade absurda. Assisti a volta do paizão de lá mesmo, porque deixei as coisas em ordem antes de voltar para o Brasil.

Como tem sido a sua experiência como líder do P.A. Sede?

A responsabilidade é enorme. A Sede por ser a igreja mãe serve como padrão para as demais igrejas. Neste ano, implantamos ações efetivas como GAUF, Assistência Social, ações de evangelismo, atividades em nossas frentes assistenciais, viagens, auxiliamos a igreja em todos os eventos, baladas, festas, cafés... Creio que o crescimento do Projeto Amar deve-se ao maior investimento em formação da galera. Implantamos reuniões com temas mais polêmicos, discipulados, fórum Quem Ama Espera e cultos visando a consciência e mais seriedade com mundo espiritual. Nossa nova dinâmica de linguagem com cultos em que prego fantasiado, vídeos e rotatividade de ministros culminaram em uma disposição maior da galera. Em uma das primeiras reuniões, tratamos da irmandade apostólica, que tem como objetivo andar em parceria, sem panelas, sem divisão, pois todos nós temos o mesmo objetivo.  

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