Ministro Paquistanês Condena Recompensa Pela Morte de Mulher Cristã

Ministro Paquistanês Condena Recompensa Pela Morte de Mulher Cristã

Atualizado: Terça-feira, 7 Dezembro de 2010 as 4:04

No sábado passado, o Ministro federal do Paquistão dos Assuntos das Minorias, Shahbaz Bhatti condenou o recente anúncio de uma recompensa pela morte da prisioneira cristã com pena de morte, por blasfêmia.

De acordo com o jornal Pakistan’s Daily Times, Bhatti disse que a chamada é injusta e irresponsável e deve ser desencorajada da melhor maneira possível, pois ninguém tem o direito de implementar um decreto para matar alguém. Acrescentou ainda que o Paquistão é um país civilizado e a violação da lei não é permitida.

“Todos os meios legais e constitucionais serão adotados no caso Asia Bibi,” assegurou Bhatti, que estava encarregada da investigação do caso e relatou que para o Presidente Asif Ali Zadari, Bibi era inocente.

Sexta-feira passada, um imã conhecido por fazer recompensas semelhantes de mortes, ofereceu $6.000 (4500€) (500.000 rupias) a quem matasse Asia Bibi durante o seu sermão na maior mesquita em Peshawar. O imã Maulana Yousuf Qureshi também ameaçou o governo para não alterar ou revogar as leis de blasfêmia “que dão proteção à santidade do santo profeta Maomé,” de acordo com o Asia News.

Qureshi, que também pediu o assassinato dos cartoonistas dinamarqueses que desenharam caricaturas do Profeta muçulmano Maomé, disse que se os juízes libertarem Bibi, os extremistas muçulmanos irão matá-la.

“Existem dezenas de milhares de pessoas incluindo os (guerreiros) Mujahedin e os Talibãs que estão prontos a sacrificarem as suas vidas pela honra do Profeta Maomé. Qualquer um deles pode aniquilá-la. Qureshi disse sexta-feira, de acordo com All Pakistan Minorities Alliance, um grupo de direitos humanos em que Bhatti foi, no passado, presidente.

Bibi, mãe de cinco crianças, foi presa por um ano e meio e em Novembro foi sentenciada à morte por enforcamento, por ter falado mal do Profeta Maomé.

É cristã e é a primeira mulher a receber uma sentença de morte por blasfêmia no Paquistão.

O seu caso levou a protestos por todo o Mundo contra as leis da blasfêmia no Paquistão, que são muitas vezes usadas contra minorias religiosas após uma pequena guerra não religiosa. De acordo com Bibi, a sua prisão e sentença de morte deriva de uma pequena discussão que teve com os colegas de trabalho, em Junho de 2009.

Estava apanhando frutas com colegas muçulmanas e foi buscar água para o grupo. No regresso, a mulher muçulmana recusou-se a beber a água, porque o recipiente tinha sido tocado por um cristão.

Bibi ficou ofendida e discutiu com a mulher mas não pensou mais no incidente. Contudo, uns dias mais tarde, dezenas de muçulmanos levaram-na embora. Foi acusada de blasfêmia contra o Profeta Muçulmano Maomé, algo que ela nega.

Bhatti enviou um relatório ao Presidente Zadari afirmando que as suas descobertas demonstraram que Bibi é inocente. No entanto, na passada segunda-feira, o Tribunal do país barrou o governo Paquistanês de perdoá-la. Afirmou que ao fazer isso enquanto o caso está a decorrer, é ilegal.

O Tribunal ainda tem de marcar uma data para o recurso de Bibi ser ouvido.

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