Moradores de rua são atendidos em projeto da Igreja Metodista no RS

Moradores de rua são atendidos em projeto da Igreja Metodista no RS

Atualizado: Quinta-feira, 1 Outubro de 2009 as 12

A Igreja Metodista em Santo Ângelo (RS), em parceria com o Instituto Teológico João Wesley de Porto Alegre, está promovendo o Curso de Formação de Evangelistas, que é um investimento na capacitação dos membros do templo para o exercício da missão religiosa.

Conforme o pastor Silvio Mota, a atividade iniciou em maio de 2009 com o objetivo dos alunos desenvolverem um projeto que contemplasse alguma área da sociedade que precise de atenção, como é o caso dos moradores de rua. Todos os domingos eles participam do "Café com Jesus", na praça Leônidas Ribas. Neste dia, os alunos levam aos moradores ensinamentos bíblicos, louvores, brincadeiras e um café da manhã.

O pastor destaca que o "Café com Jesus" também pretende valorizar os moradores de rua como seres humanos com direitos iguais. "Não poderíamos descrever com palavras. A gente descreve pelos testemunhos que eles próprios dão. No início eles traziam um olhar desconfiado, mas que depois foi se tornando natural. Percebi que eles passaram a se sentir valorizados e por isso começaram a freqüentar os nossos encontros, de banho tomado e arrumados, sem que fossemos pedir. Está se tornando um laço fraterno muito forte", salienta.

Vitória Nardes, idealizadora do projeto, diz que a ideia surgiu da experiência que tem em atender aos menos favorecidos da sociedade. "Há 30 anos trabalho na transformação de vidas, envolvendo dependentes químicos. Sabendo que a cada dia cresce o número de moradores de rua e que a maioria da população os vê com outros olhos, é que resolvi dar uma atenção a esse povo", explica.

São cerca de 15 moradores que participam do projeto. Cada um com uma história diferente para contar. Muitos deles têm um passado que nem sempre representam a maneira como vivem hoje.

Adalberto Santos da Silva, 51 anos, que hoje vive pela rua, disse que trabalhava como marceneiro e sem dar maiores detalhes lembra que mudou sua vida logo após a separação da esposa e da família. Durante o dia, passa perambulando pelas ruas da cidade. "Minha rotina é andar por aqui, por ali e a noite durmo no hotel", descreve Adalberto observando que já pensou em sair da rua, no entanto, o forte vínculo de amizade com os outros moradores de rua, torna difícil abandonar essa vida.

Durante a entrevista, Adalberto se emocionou. "Essa semana falei para a Vitória (idelizadora do projeto) que eu não tinha família e ninguém por mim. Depois que meu irmão ficou sabendo que estava participando do "Café com Jesus" e que estava querendo mudar minha vida, me convidou para participar de uma janta no dia do seu aniversário. Aquilo me deu mais ânimo para largar o álcool e voltar a ser quem eu era no passado", desabafou.

Sem conseguir pronunciar claramente o seu nome, Maria como é chamada pelos demais moradores de rua, tem 58 anos. Nasceu e viveu boa parte de sua vida em uma propriedade rural no interior de Três Passos, onde cuidava de seus pais. Ela conta que seu pai faleceu há dez anos e sua mãe, há oito. A herança que deveria ser dividida em partes iguais entre todos os irmãos, contemplou os outros, menos ela. "Abandonei tudo para cuidar dos meus pais. Quando eles morreram, os meus irmãos ficaram com toda a herança sem me dar nehum trocado. O que me restou foi morar na rua. No início foi triste, passei frio, sede e fome, mas depois tive que me adaptar. Acabei me tornando dependente do álcool e agora estou tendo uma lição de vida com o projeto e pretendo parar. Aqui temos a certeza de que existe alguém por nós", diz.

O projeto encerra no mês de novembro, mas o pastor Mota garante que o trabalho social vai continuar. "Nenhum dos projetos que estão sendo iniciados com esse curso, serão encerrados. Muito pelo contrário. Esse curso não é para formar evangelistas para ficar dentro da Igreja, mas para levar dignidade a quem está do lado de fora e precisando de ajuda", frisa.

O "Café com Jesus" é apenas uma aula prática de um curso que segundo os alunos, quer fazer com que a população também participe, valorizando o próximo como seu próprio irmão.

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