Morre Christopher Hitchens, o escritor de 'Deus não é Grande'

Morre Christopher Hitchens, o escritor de 'Deus não é Grande'

Atualizado: Sexta-feira, 16 Dezembro de 2011 as 11:09

“Nunca haverá outro Christopher Hitchens”, disse ontem (15) à noite Graydon Carter, editor da Vanity Fair, referindo-se ao colaborador da revista. “Trata-se de uma pessoa de um intelecto feroz e vibrante na escrita ou em uma conversa de  bar.”

Quando Carter fez essas afirmações, o britânico e americano naturalizado Hitchens (foto) tinha acabado de morrer no hospital MD Anderson Cancer Center, em Houston (EUA), vítima de um câncer raro no esôfago, a mesma doença que matou seu pai. Entre outros livros, ele é o autor de “Deus não é grande – como a religião envenena tudo” (Ediouro, 304 págs), publicado em 2007. O livro, que foi best-seller em vários países, incluindo o Brasil, é um dos mais importantes manifestos da atualidade do ateísmo.

Hitchens era um dos líderes do chamado “novo ateísmo”, ao lado de Richard Dawkins, Sam Harris e Daniel Dennett. Eles são designados como “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, em uma referência irônica aos personagens bíblicos.

O livro foi escrito da perspectiva de que o conceito de Deus escraviza as pessoas, roubando-lhe a liberdade e os valores filosóficos identificados pelo Iluminismo.

Para Hitchens, o ideal seria que a ética e a investigação científica substituíssem a religião. Mas ele não acreditava que pudesse ocorrer um dia o fim das crenças. E por uma razão óbvia:  “A religião não acaba porque somos egocêntricos e temos medo de morrer”, disse em uma entrevista. Para ele, a perenidade da religião é uma tragédia da condição humana porque ela advém da "estupidez, da crendice e da vaidade – tudo disfarçado de humildade”.

Hitchens foi um “livre pensador” no sentido mais autêntico que pode ter essa expressão. Para tanto, é preciso ter coragem, o que não lhe faltava.

O escritor, por exemplo, logo após o ataque às torres gêmeas de Nova Iorque, acusou a política externa dos Estados Unidos de ter desencadeado a ira dos fundamentalistas islâmicos. Dizer isso agora é fácil para qualquer um, mas não na época, quando a pregação nacionalista estava em alta nos Estados Unidos, envolvendo, inclusive, a imprensa.

Ele também causou polêmica quando escreveu que Madre Teresa de Calcutá, venerada ainda em vida, foi  amiguinha de ditadores.

O ex-trotskista incomodava tanto a direita como a esquerda. Ele apoiou a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque e se manifestou favorável à eleição de George W. Bush.

Hitchens trabalhou até seu último dia de vida. No seu quarto no hospital, montou uma biblioteca com parte de seus livros. Ali, escrevia artigos sobre variados temas para serem publicados em diversos países, incluindo no Brasil, na Época. Dizia que a escrita era a sua vida.

A literatura era um dos temas preferenciais dos ensaios de Hitchens. Ele gostava muito de George Orwell. Também foi influenciado por Thomas Paine e Gore Vidal.

Ultimamente, Hitchens vinha dedicando seus textos em denunciar o perigo que representa o fundamentalismo islâmico. Ele concedeu uma de suas últimas entrevistas a Dawkins para a edição de Natal da revista britânica New Statesman.     Via Paulopes Weblog

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