MPE deve investigar distribuição de lotes do Governo em parceria com Assembleia de Deus

MPE deve investigar distribuição de lotes do Governo em parceria com Assembleia de Deus

Atualizado: Terça-feira, 15 Junho de 2010 as 8:44

O Ministério Público Estadual (MPE) recebeu uma denúncia questionando os critérios de distribuição de áreas do Loteamento Gamaliel, construído pelo Governo do Estado, em parceria com a Igreja Assembléia de Deus. A administração estadual investiu R$ 1,1 milhão, por meio da Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).

Os lotes foram entregues em novembro de 2009 e contemplaram famílias ligadas à Assembléia de Deus, mas que não teriam necessidade de receber os mesmos, já que o projeto original previa a destinação das áreas para plantação de subsistência.

A reportagem esteve no Loteamento Gamaliel o que se vê no local são casas, aparentemente, abandonadas, quase nada plantado e há denúncias de que áreas seriam utilizadas como espaços para lazer, principalmente, nos finais de semana. Um fato chamou atenção, ao verificar que a construção existente no lote 85, como revelam os registros fotográficos, é bem superior às demais.

Informações obtidas junto a moradores dão conta de que o lote estaria em nome de Terezinha Resende, irmã do deputado estadual Sebastião Resende (PR). Esse espaço seria, segundo moradores, utilizado como um espécie de chácara da família do parlamentar. Isso também consta na denúncia enviada ao MPE. Em contato com a Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania (Setec) e Sinfra, a reportagem foi informada que o Governo não tem a lista das pessoas que foram beneficiadas. A informação é que esses nomes são de responsabilidade da Igreja, mesmo o local tendo recebido dinheiro público.

A Igreja Assembléia de Deus não quis informar os nomes dos moradores do loteamento, alegando que estaria quebrando o sigilo dos beneficiados.

O administrador do Gamaliel e representante da Igreja, Antônio Cândido, questionado quanto acerca do lote 85, se a ampliação foi autorizada pela Igreja e quem moraria no local, informou que a casa encontra-se fechada e negou a ampliação. Ele disse que o beneficiado deixou o local.

"Não vou falar o nome de quem morava ali (...) Essa construção de que está me falando, não tenho conhecimento e não foi autorizada por mim ou pela Igreja", declarou Cândido.

Apesar da declaração de que a casa estaria abandonada há dois meses, o local não aparenta estar descuidado. O jardim encontra-se florido e bem cuidado, a casa, visivelmente, está mobiliada, apontando que alguém estaria cuidando do local.

Ao saber que a reportagem esteve na área e constatou essa situação, o administrador atribuiu o estado ao voluntariado dos moradores do Gamaliel. Entretanto, os lotes vizinhos encontram-se em situação de abandono.

"Vocês já estão errados em ir lá e tirar fotos sem autorização, vocês não são polícia, nem Ministério Público para investigar", reclamou Antônio Cândido.

Parceria

O Governo Estado e a Assembléia de Deus disponibilizaram casas, com área de 40 m², lotes com 1,2 hectare, estrutura de energia elétrica, poços artesianos, caixas d'águas, 13 quilômetros de estradas e centro de múltiplouso para as 175 famílias beneficiadas.

O Estado doou uma área de 246 hectares (a 5 km do bairro Altos da Glória, em Cuiabá) e os materiais de construção; as famílias, sob supervisão da Igreja, construíram as casas.

Outro lado

Rosângela Resende, esposa do deputado Sebastião Resende, negou-se a informar se o lote 85 é mesmo da irmã do parlamentar. Em primeiro contato, ela disse para a reportagem procurar a Convenção dos Ministros das Assembléias de Deus no Estado de Mato Grosso (Comademat) para obter informações.

Em um segundo momento, Rosangela informou que o lote 85 sediará a Associação de Pequenos Produtores do Gamaliel, onde, futuramente, seriam instalados um barracão e uma farinheira. Ele disse que foi a Igreja Assembléia de Deus quem construiu a atual estrutura do local.

Apesar de Rosangela informar que a igreja que fez o investimento, os moradores procurados pelo MidiaNews não sabiam desse fato, tampouco o administrador do loteamento, Antônio Cândido.

Por: Bruno Garcia

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