Muçulmanos fazem campanha contra a intolerância nos EUA

Muçulmanos fazem campanha contra a intolerância nos EUA

Atualizado: Quinta-feira, 2 Setembro de 2010 as 8:29

Uma organização islâmica nos Estados Unidos lembra em seu site que 32 muçulmanos morreram na tragédia, 29 deles no World Trade Center e outros três nos aviões sequestrados.

A maior organização islâmica de defesa dos direitos civis nos Estados Unidos lançou uma campanha liderada por vários muçulmanos que participaram dos trabalhos de resgate dos ataques de 11 de Setembro, e que está decidida a combater o que considera um crescente sentimento "anti-islâmico" no país.

O Conselho de Relações Islâmico-Americano (Cair, na sigla em inglês) apresentou hoje sua campanha "9/11 Happened To Us All" (O 11 de Setembro Aconteceu Com Todos Nós", em tradução livre) e divulgou diversos vídeos que serão distribuídos para emissoras televisivas e redes sociais na internet.

Os vídeos pretendem "mostrar as coisas que as maiores religiões (judaísmo, cristianismo e islã) têm em comum e questionar aqueles que, como no caso dos fiéis de uma igreja da Flórida que planejam queimar exemplares do Corão no próximo 11 de setembro, dividem os EUA segundo práticas religiosas".

Nas imagens aparecem, por exemplo, um bombeiro nova-iorquino e uma enfermeira que contam brevemente, mas com evidente emoção, suas experiências ao colaborar nos trabalhos de resgate depois dos ataques ao World Trade Center, e deixam claro, ao concluir sua declaração, que são muçulmanos.

No final dos testemunhos aparece na tela a frase "o 11 de Setembro aconteceu com todos nós".

A organização lembra em seu site que 32 muçulmanos morreram na tragédia, 29 deles no World Trade Center e outros três nos aviões sequestrados.

A campanha de conscientização inclui, além disso, outro vídeo no qual aparecem líderes muçulmanos, judeus e cristãos e encerra com a frase "Temos mais em comum do que pensamos".

Polêmica O lançamento acontece em meio à polêmica que gerou no país do projeto de construir um centro islâmico e uma mesquita perto do Marco Zero em Nova York, onde ocorreram os ataques terroristas.

Essa iniciativa, que recebeu o sinal verde das autoridades municipais, provocou reações negativas entre os nova-iorquinos, segundo diversas pesquisas, e também manifestações de rejeição por parte de alguns líderes políticos e familiares das vítimas, que consideram que o centro deveria ficar mais longe do Marco Zero.

Uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac revela que 71% dos eleitores nova-iorquinos consideram que a organização deveria de maneira voluntária construir a mesquita em outro local.

Já 54% reconhecem que, atendendo à liberdade religiosa nos EUA, os muçulmanos têm direito a construir a mesquita perto do Marco Zero.

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