A mudança no respeito da mídia para com os evangélicos

A mudança no respeito da mídia para com os evangélicos

Atualizado: Quarta-feira, 9 Janeiro de 2013 as 10:41

 

Neste domingo, 6 de janeiro, a Folha online publicou um artigo de Karina Kosicki Bellotti, doutora pela Unicamp e professora de História da UFPR, sobre o espaço dos evangélicos na mídia secular.
 
O texto compara a situação atual com a de alguns anos atrás, como no final dos anos 80 e começo dos anos 90, onde a compra da Rede Record por Edir Macedo gerou curiosidade sobre o grupo religioso que havia alcançado tal visibilidade.
 
Nessa época, a cobertura da imprensa era ofensiva, com reportagens investigativas e até com câmeras escondidas para mostrar, de forma negativa, alguns grupos evangélicos e os costumes de dízimos e ofertas.
 
O período de 1989 a 1995 foi marcado por uma espécie de "guerra santa", que culmina com o "chute na santa", dado por um pastor da Universal no dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro de 1995. Nesse período, vemos vários veículos de comunicação demonizando os neopentecostais, o que "respinga" em outros grupos evangélicos que não são identificados com esse grupo.
 
Karina ressalta a minissérie 'Decadência', veiculada pela Rede Globo, na qual Edson Celulari vivia um pastor sem escrúpulos.
 
Hoje, o Festival Promessas é uma prova das provas da mudança da relação entre mídia e evangélicos. Participações de cantores gospel no Faustão e até em trilha sonora de novela também.
 
"Da quase ausência de cobertura de eventos evangélicos, como a Marcha para Jesus, para a cobertura no "Jornal Nacional" dos cem anos da Assembleia de Deus (2011), da Marcha para Jesus, e mesmo dos protestos feitos por Silas Malafaia contra o projeto de lei 122/06 (contra a homofobia), vemos uma mudança de atitude significativa", escreve a autora.
 
O crescimento da bancada evangélica no Congresso e do poder aquisitivo dos evangélicos também são lembrados no artigo.
 
"Se antes o evangélico era retratado de forma demonizada --no caso das lideranças-- ou paternalista --no caso do fiel, retratado como um sujeito vulnerável aos ataques de líderes inescrupulosos--, atualmente vemos um retrato mais positivo, mas ainda longe da sua grande diversidade. São retratados como sujeitos religiosos que merecem respeito, que votam, que consomem e são exigentes na qualidade do que lhe é oferecido", ressalta Karina.
 
Embora a aproximação ainda seja cuidadosa, ela é comemorada por muitos evangélicos, e também criticada por outros.
 
"Agora, uma das características ligadas historicamente a uma suposta "identidade evangélica" no Brasil é essa idéia de estar afastado da grande sociedade católica ou secular; essa ideia de "estar no mundo, mas não pertencer a ele".
 
O reconhecimento maior que a grande mídia tem oferecido aos evangélicos traz alguns desafios a essa autoimagem evangélica, pois dentro desse grupo heterogêneo destaca-se o desejo de vigiar de perto o que a grande mídia fala sobre ele, tendo em vista todo o histórico de agressões e perseguições empreendidas.
 
Então, destaca-se essa autoimagem positiva, de povo honesto, trabalhador, que canta, louva, veste-se de forma elegante, mas sem ostentação; que é igual a todo mundo no dia a dia, e que leva sua crença muito a sério, pois enxerga na própria vida um testemunho a ser dado para quem não é evangélico --a ideia de ser 'sal da terra, luz do mundo'."
 
 
com informações da Folha
 

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