Mulheres metodistas participam de evento mundial na África do Sul

Mulheres metodistas participam de evento mundial na África do Sul

Atualizado: Terça-feira, 23 Agosto de 2011 as 10:55

O Brasil estava bem representado na 12ª Assembléia Mundial de Mulheres Metodistas na África do sul. Ao todo, foram 14 brasileiras. O evento foi entre os dias 10 e 16 de agosto em Johannesburgo e reuniu mulheres metodistas de várias partes do mundo. O tema da Assembléia foi: “Bambelela – Cristo é nossa esperança!”.

  Para a presidente da Confederação de Mulheres Metodistas no Brasil, Sônia Palmeira do Nascimento, participar do evento foi uma experiência única. “Nós voltamos ainda mais motivadas a tomar uma atitude de coragem, ousadia e vontade de mostrar Jesus que está dentro de nós. Foi uma experiência espetacular. Nós pertencemos à Federação Mundial e precisamos sentir que somos mulheres que precisam de atitude. É um grande desafio, mas, estamos motivadas a fazer a diferença”, diz. No evento, a vice-presidente da Confederação do Brasil, Leila de Jesus Barbosa, foi eleita a vice-presidente de área da América Latina e Caribe para a Federação Mundial de Mulheres Metodistas.

Leia o relato dela sobre a viagem e também sobre as conquistas das mulheres brasileiras no evento:

" Foi uma experiência fantástica desde a saída do Brasil quando chegamos ao aeroporto de Guarulhos e encontramos com as outras companheiras e companheiro, além das irmãs do Chile que vieram por São Paulo e juntas/os partimos rumo à África do Sul. Uma viagem maravilhosa, tranqüila e depois de 8 horas desembarcamos em Johanesburgo, onde um grupo de pessoas nos aguardava com um estandarte da Assembléia Mundial, nos saudando com o Tema da Assembléia: “Bambelela” “Nunca desista”, Cristo nossa única Esperança. Mesmo sem entender a língua, já nos sentíamos mais tranqüilas, pois estávamos em meio a irmãs e irmãos metodistas. A chegada no Hotel Indaba com muita organização foi tranqüila, e logo estávamos em nossos quartos tentando nos recuperar de todo o processo de viagem que durou 23 horas contando desde a saída de nossa casa. A abertura com um processional de todas as oficiais mundiais foi marcante e o culto também, pois apesar de uma liturgia muito longa, o momento foi abençoado, principalmente pela ministração da palavra da Presidente Mundial, Chita Rebollido Millan. Tivemos a oportunidade de ouvir a saudação do Bispo da África e do Secretário do Concílio Mundial .                         .

Nos outros dias as devocionais foram dirigidas a cada manhã pela presidente de uma área e sempre muito inspiradoras, de forma que iniciávamos o dia fortalecidas pela palavra de Deus. Sessenta (60) nações estiveram reunidas naquele local, cerca de 730 pessoas contando com algumas do próprio local, que iam assistir os trabalhos todos os dias. Nove Áreas representadas: Leste da Ásia; Ásia Ocidental; Grã-Bretanha e Irlanda; Europa Continental; América do Norte; América Latina; África do Sul e Oeste da África Ocidental; África Ocidental e África do Sul. Ouvimos uma palestra pela Drª Fulata Lusungu Moyo, PhD, Executiva de Programas para Mulheres da Igreja e Sociedade do Concílio Mundial de Igrejas, que falou sobre a cidade de Johanesburgo que é fruto de muita determinação. Onde existem mulheres líderes e muitas mulheres empobrecidas. Algumas carreiras ainda em crescimento e muito limitadas. Um lugar onde os homens são reconhecidos por seu sucesso, mas as mulheres não. Onde há menos meninas que meninos nas escolas. Onde as mulheres têm acesso desigual a tudo. Disse também que o papel desta Assembléia Mundial é vital, pois precisamos ser responsáveis por um mundo mais justo. Mesmo sabendo que nossas filhas e netas vão encontrar muitos desafios, precisamos prepará-las para enfrentarem este mundo. Outra palestra maravilhosa foi da Bispa da Igreja Metodista Unida em Moçambique – Joaquina Nhanala, primeira mulher Bispa Africana,que falou assim: “Cristo é a Esperança para todas” e nossa Assembléia está reunida para superar a violência desta década. Precisamos influenciar onde por tradição as meninas são obrigadas a casarem cedo, para que tenham o direito de escolherem com quem e quando se casarem. Temos de continuar trabalhando para que um dia a violência termine, sabendo inclusive que, violência também ocorre dentro das Igrejas. E disse mais: acreditem que não é tarde para deixar Cristo trabalhar dentro das Igrejas neste sentido. Citou o texto do Evangelho de Mateus 1:21 – Cristo está interessado em restaurar toda a humanidade. Existe uma nova manhã e grande é a Sua fidelidade. E mesmo que o mundo esteja em colapso, ainda existem outros amanhãs, pois somos escolhidas por Deus para abençoar as nações. Ele veio para que o mundo tenha vida em abundância. Disse ainda que mesmo que economicamente as mulheres representem 70% da pobreza, devemos encorajar a cada uma para continuar o que nossas avós começaram, pois parece que o mundo está começando a dar atenção às questões de gênero e muitas nações estão promovendo formas de nos governos haver mais paridade. Apesar de ser pouco o que tem sido feito, pelo menos está sendo feito. E ainda disse que podemos declarar “BAMBELELA”, pois a única esperança que temos é estar em Cristo e somente Nele e Ele estará conosco até o final. As oficinas que aconteceram para as participantes não votantes paralelamente ás reuniões do Comitê Mundial com todas as delegadas, foram sobre as Metas do Milênio. Cada participante escolhia previamente onde queria participar. Foram as seguintes opções: Esperança para o pobre; Esperança para o faminto; Esperança para os aprendizes; Esperança por igualdade; Esperança para as crianças; Esperança para as mães; Esperança pela integridade e plenitude; Esperança para a criação e Esperança para o mundo. Nas reuniões plenárias algumas mudanças no estatuto, e outras alterações como a mudança do nome da Ásia Ocidental para Ásia Sul devido a questões políticas. Muito importante o momento de eleição das componentes da Federação Mundial que ficou assim: Presidente: Ann Connan da Austrália; Vive-Presidente: Regula Stotz da Suiça; Tesoureira: Leu Pupulu da Nova Zelândia e como Secretária: Carla Boyce do Panamá. As apresentações culturais das áreas aconteceram todas as noites, e pudemos desfrutar de momentos muito bonitos, muito interessantes e bem diversificados, pois cada área apresentava seu jeito peculiar de ser, com suas músicas e danças, principalmente a dança das africanas que contagiaram todas as participantes.

O tour por Johanesburgo foi dividido em quatro opções, ou seja, um grupo foi para um Shopping, outro para o Lion Park, outro para o Museu Mandela e outro percorreu a cidade. Pena não podermos fazer todos os passeios e assim conhecermos tudo, mas era impossível pois só tivemos a manhã de sábado para isso. O Programa Helen Kim, que é chamado também de Bolsa Memorial Helen Kim , oferece treinamento de liderança para o desenvolvimento de moças em cada Assembléia Mundial. É uma oportunidade para duas (2) jovens de cada Área assistirem a Assembléia Mundial, levando as meninas a adquirirem habilidades no campo de trabalho das mulheres, participando na construção da comunidade e construindo relacionamentos com os membros do Comitê Executivo e da Federação Mundial. Este ano, 14 moças entre 18 e 30 anos participaram com uma bolsa completa, sendo que as duas da América Latina foram as seguintes: Suzana Nataly Saavedra do Chile e Bruna Luiza Santos Vicente do Brasil. No Culto de Encerramento houve a transmissão dos cargos numa cerimônia bonita e significativa, onde as Oficiais Mundiais que deixavam seus cargos, passavam para as Novas Oficiais suas medalhas e echarpes representando assim a responsabilidade de cada uma em sua nova função. A irmã Leila de Jesus Barbosa, agora Vice Presidente de Área, recebeu das mãos da irmã Ivonne Pereira Diaz, agora Presidente da CMMALC, a sua medalha e echarpe, com muita emoção e alegria por agora juntas representarem a América Latina na Federação Mundial."    

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