Na Polônia: 33% afirmam não confiar na igreja

Na Polônia: 33% afirmam não confiar na igreja

Atualizado: Terça-feira, 11 Outubro de 2011 as 2:04

A deputada europeia Lena Kolarska-Bobinska (foto) afirmou que a Igreja Católica como instituição está perdendo influência na Polônia. Na entrevista abaixo, ela disse que os poloneses estão inclusive cansados da intromissão da igreja na política.

Há um movimento de secularização na Polônia? Nos anos 1990, os vários partidos eram próximos à igreja. Mas a situação mudou, passados 20 anos. Agora, 33% dos poloneses afirmam não confiar mais na igreja, um número cada vez maior. Os poloneses estão fartos da instrumentalização. O exemplo flagrante remonta ao ano passado, depois do acidente do Smolensk que provocou a morte do presidente Kaczynski. As estreitas relações entre a igreja e o seu partido, o PIS, dirigido pelo seu irmão gêmeo, estão cada vez mais evidentes. As pessoas não gostam mais disso. Entre a história da cruz de madeira do palácio presidencial e as eleições de domingo, onde se encontrarão muitos padres candidatos pelo PIS, há uma exasperação por parte da população.

Como o clero reage diante dessa perda de influência? A igreja não muda realmente. Continua se ocupando da política. As coisas não mudaram e não vão mudar por enquanto.

A igreja perdeu a sua influência sobre a sociedade? Não exatamente, ou melhor, ainda não. A igreja ainda é muito poderosa na Polônia, particularmente junto às instituições. Mas, com relação aos jovens, a sua influência é cada vez mais fraca, isso é certo. A tendência é a mesma aqui como em outros países da Europa. O processo de secularização iniciou mais tarde e certamente é mais lento, mas pouco a pouco a Polônia irá se tornar semelhante aos países vizinhos.

A quem ou a que os poloneses se voltam agora? É preciso distinguir. Muitas pessoas ainda acreditam em Deus, mas já não precisam especificamente da instituição. Trata-se sempre do problema da instrumentalização.

O crescimento nas pesquisas do partido Ruch Palikota, abertamente anticlerical, é uma consequência dessa mudança na sociedade? Esse novo partido faz mover as coisas. É inegável que ele abriu uma brecha. Pelo menos 10% da população concordam com as suas ideias. Agora, as pessoas não têm mais medo de criticar as posições da instituição eclesial. Será mais fácil para muitas pessoas.

veja também