Não como um dogma da Igreja, mas como o inominável Filho de Deus

Conhecendo a Jesus não como um dogma da Igreja, mas como o inominável Filho de Deus.

Atualizado: Quarta-feira, 18 Dezembro de 2013 as 11:57

conhecer a JesusLeia: João 7.32,45-52
 
Nunca pensei que isso fosse acontecer comigo. Já fiz teatro de arena, circo mambembe, já me apresentei em colégios, em circuitos universitários, mas essa de representar Jesus numa peça de Natal em plena catedral está mexendo comigo. Ao decorar suas falas, ao rever seus dilemas ou reviver seus possíveis sentimentos e pensamentos, minha vida está sendo desnudada. Sempre fui um ateu, ou melhor, um agnóstico!
 
Confesso: essa proximidade com a pessoa de Jesus está me incomodando. Se eu sou quem penso que sou, um artista experiente e competente, vou mergulhar no personagem e revivê-lo. Mas se ele é quem pensa que é, então ele é que vai mergulhar em mim e fazer-me reviver, e sinto que é isso mesmo o que está acontecendo.
 
Se, como ator, faço encarnar em mim as palavras dos dramaturgos e os textos literários mais densos, por outro lado vejo meus dramas mais íntimos, meus dilemas mais secretos se encarnarem nele: Jesus. É sua voz que me interpela quando lhe empresto a minha: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma” (Mt 11.28-29).
 
Minha alma anda pesada como chumbo. O poeta Marcelo Yuka canta assim: “A minha alma está armada e apontada para a cara do sossego, pois paz sem voz não é paz, é medo”. Ele fala de paz sem voz. Eu tenho voz, mas não tenho paz.
 
Sinto-me como aqueles guardas que foram prender Jesus, a mando dos fariseus e dos chefes dos sacerdotes, e que acabaram voltando de mãos abanando, simplesmente porque foram impactados pela presença e pelas palavras do Galileu: “Nunca ninguém falou como aquele homem!”.
 
Tentei, juro que tentei, usar toda a minha técnica para “prender” aquele personagem com minhas próprias mãos. Estou conseguindo, talvez, conhecê-lo de perto não como um dogma da Igreja nem como um mito da nossa cultura, mas como o único, o incomparável, o inominável Filho de Deus.
 
Pouco a pouco vou caindo na realidade como quem cai nu no palco: Ele, Jesus, tem se tornado nos últimos meses o centro da minha vida como ator e talvez da minha vida como ser humano, e acho que isso não vai passar. Um pensamento espeta meu pé como um caco de barro: as palavras de Pedro quando disse “Para onde irei, se não a ti? Tu tens as palavras de vida!” Isso está reverberando em mim desde ontem.
 
Quero um dia poder dizer que tenho paz, e não medo. Quem sabe eu esteja a ponto de fazer que nem o filósofo Blaise Pascal: “Deus de Abraão, Deus de Isaque, Deus de Jacó, não dos filósofos nem dos eruditos. Certeza! Certeza! Sentimento! Alegria! Paz”.
 
A canção “O Espantalho” parece refletir bem a procura do ser humano pelo inominável, pelo incondicional, pelo eterno, pelo Eterno. Ouça. Medite. Ore. Compartilhe. “O Espantalho” (Paulinho Tapajós e Claudio Nucci): http://www.youtube.com/watch?v=UMP8gxHtozU

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