Não seja como as Igrejas de Oscar Niemeyer

Não seja como as Igrejas de Oscar Niemeyer

Atualizado: Terça-feira, 30 Agosto de 2011 as 2:24

Domingo após domingo várias missas foram realizadas na casa da família Ribeiro de Almeida, no Rio de Janeiro, mas nada influenciaram para a conversão de um de seus membros. Depois que definitivamente abraçou a filosofia do comunismo, qualquer possibilidade de acreditar em Deus simplesmente desapareceu da vida do arquiteto Oscar Niemeyer, transformando-o num ateu convicto.

Nada disso abalou sua técnica. Projetou templos, mesquitas, capelas e catedrais. Como resultado, agora, com seus 103 anos de vida, acaba de publicar o livro As Igrejas de Oscar Niemeyer, com desenhos e fotos recentes de 16 projetos criados por ele.

Vida longa ao talento do arquiteto, ele merece. Em relação a crer ou não nos deuses que cada fiel frequentador das suas igrejas crê, não cabe a nós qualquer tipo de julgamento. Livre deve ser a alma e espontânea deve ser a fé, caso contrário, frustração é o que prevalece.

A fina ironia, no entanto, é um fato, pois retrata um criador de igrejas que não crê em nada sobre o divino. Tal situação pode ser mais real do que imaginamos. O academicismo e o volume de erudição e cultura de algumas exposições que tenho ouvido revelam um domínio impressionante de técnicas, exaustivamente estudadas nos seminários e faculdades. As mesmas exposições, por outro lado, mostram-se secas de fé, carentes daquela emoção genuína e pura que sempre moveu os seguidores de Cristo.

Quando falo em menos técnica e mais fé falo em equilíbrio entre ambos. Nada de mais de um em detrimento do outro, mas pesos iguais. Preciso dos livros, mas dependo dos mistérios de Deus. Preciso ler e pesquisar, mas não posso prescindir de ouvir e meditar sobre aquilo que o Espírito comunica com meu espírito.

Um antigo louvor, numa de suas linhas, dizia: A ti fazemos um trono de louvor! A maioria de nós nada sabe sobre as técnicas da arquitetura, mas na perspectiva espiritual todo coração banhado por fé e sedento por crescer na graça e no conhecimento, pode construir belíssimas catedrais de adoração ao Rei. Caso contrário, corremos o risco de imitar o famoso arquiteto, enchendo de técnica nossas liturgias e esvaziando-as de um mínimo de emoção e fé. Os materiais para se buscar equilíbrio estão aí, leitura, pesquisa, estudo, oração, jejum, meditação etc. Enfim, são disciplinas que se completam na busca de um saudável equilíbrio. Mãos à obra.

Paz!

Por Edmilson Mendes

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