“Não sentimos que estamos sendo perseguidos”, diz cristão sobre contexto no Egito

Em entrevista ao Guiame, o cristão copta Youssif Soliman disse que os casos de ataques aos cristãos não fazem parte do contexto geral do país.

fonte: Guiame, Luana Novaes

Atualizado: Quinta-feira, 23 Novembro de 2017 as 6:11

Embora o Egito seja formado em sua maioria por muçulmanos, os casos de ataques aos cristãos não fazem parte do contexto geral do país. Estimativas apontam que os cristãos formam de 10% a 15% da população egípcia, no entanto, eles não se consideram um grupo pequeno.

“Muitas pessoas que estão de fora sentem que nós somos uma minoria, mas não é verdade. Nossa igreja é uma das mais antigas do mundo”, disse o cristão copta Youssif Soliman em entrevista ao Guiame, em viagem no Egito realizada em parceria com a MontanaTur.

A Igreja Ortodoxa Copta foi estabelecida no Egito por volta do ano de 42 d.C. Nesse período, marcado pelo governo do imperador romano Cláudio, um grande número de egípcios abraçou a fé cristã através do trabalho evangelístico de Marcos, discípulo do apóstolo Paulo.

Graves casos de ataques aos cristãos egípcios tomaram as manchetes nos últimos anos, como a decapitação de 21 cristãos coptas pelo Estado Islâmico e as explosões em duas igrejas durante a celebração do “Domingo de Ramos”.

No entanto, Youssif garante que de maneira geral, a perseguição aos cristãos não faz parte de uma realidade do Egito. “Não quero dizer que aqui sentimos que estamos sendo perseguidos. A verdade é que a maioria das pessoas egípcias são muito moderadas, muito amáveis, vivemos juntos, moramos juntos, trabalhamos juntos, comemos juntos”, explica.

“Mas como em todo o mundo, sempre há fanáticos que não te aceitam, que sentem que você é inimigo de Deus”, completa. “Os imames (líderes islâmicos) radicais e fanáticos aproveitaram o analfabetismo de pessoas muito simples, que mal sabem ler e escrever, e deram para eles um ensino errado do Islã. Eles ensinam que [os muçulmanos] devem matar os cristãos e que eles são inimigos de Deus”.


A Igreja Suspensa é uma das mais famosas Igrejas Ortodoxa Copta do Cairo. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa)

No último mês, diversas igrejas na cidade de Minia foram fechadas pelas autoridades, por causa de ataques provocados por extremistas. “Os europeus estão dando liberdade aos muçulmanos e eles estão construindo suas mesquitas por lá. Como alguns radicais, numa cidade egípcia, não querem permitir que os cristãos façam uma igreja?”, questiona Youssif.

“Quando surgiram pessoas protestando a construção de uma igreja, o governador teve que parar essa gente, não os cristãos de fazerem a construção da igreja”, esclarece. “É nosso direito, porque fazemos parte da sociedade egípcia”.

Semelhanças com o catolicismo

A Igreja Copta Ortodoxa não está em comunhão com a Igreja Católica desde que não aceitou o Concílio de Calcedônia em 451 d.C, que repudiou a doutrina do monofisismo, ou seja, que Jesus tinha unicamente a natureza divina.

“A nossa igreja recusou algumas ideias da Igreja Católica, como também fizeram os protestantes com Martinho Lutero. Mas nossa igreja fez de um jeito diferente. Não aceitamos o purgatório, mas não significa que deixamos toda a fé”, afirma Youssif.

As diferenças entre as duas religiões ainda são pequenas. “Temos aqui os sete sacramentos [católicos], a diferença está na forma de fazer. Por exemplo, o batismo [da criança] deve ser por imersão, o sacerdote de nossa igreja deve ser casado e, na comunhão, devemos estar em jejum quase 12 horas antes de ir à missa”, explica Youssif.

O Portal Guiame visitou o Egito em parceria com a operadora de viagens MontanaTur. Para ter acesso aos pacotes promocionais e pagamentos facilitados, acesse: www.montanatur.com.br.


Parte da sinagoga Ben Ezra, no Velho Cairo, Egito. Acredita-se que neste local Moisés foi criado. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa)


Cerca de 90% da população egípcia é formada por muçulmanos. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa)


Acredita-se que a Sagrada Família visitou a área que hoje é conhecida como Cairo Copta. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa)

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