Nas entrelinhas dos 10 mandamentos...

Nas entrelinhas dos 10 mandamentos...

Atualizado: Segunda-feira, 15 Julho de 2013 as 2:15

10 mandamentosQuem é o autor da existência? Por que ele se esconde atrás da cortina do tempo e do espaço? Como é seu caráter? Por que ele é tão discreto que parece não existir e tão presente que parece reivindicar sua presença a cada instante nas nuances de cada flor, nas lágrimas que se encenam no teatro do rosto e no sorriso que torna a vida o maior espetáculo, mesmo quando não há aplausos?
 
Nada intrigou a mente humana ao longo da história mais que Deus. Independentemente da raça, sociedade ou cultura, todos falam dele e de alguma forma o procuram. Nem os ateus conseguem fugir do tema Deus. Todas as tentativas de negá-lo ou desconstruí-lo são um testemunho solene da sua importância. Posso falar isso com certa segurança, porque fui um dos maiores ateus que pisaram nesta terra. Para mim, Deus era fruto de um cérebro apaixonado pela vida e que resistia ao seu caos na solidão de um túmulo. Mas quando estudei a inteligência de Cristo sob o ângulo da ciência (Psiquiatria, Psicologia, Sociologia e Psicopedagogia) meu ateísmo implodiu. Percebi que ele não cabe no imaginário humano.
 
A partir desse momento a busca por Deus deixou de ser para mim uma atitude de pequenez intelectual e passou a ser um ato inteligentíssimo do psiquismo humano. Entretanto, nessa trajetória, fiquei convicto de que o indivíduo que não é capaz de respeitar os diferentes não é digno da maturidade psíquica. A relação do ser humano com Deus, a despeito de uma religião, deveria irrigar a personalidade humana com altruísmo, solidariedade, generosidade, resiliência, capacidade de se pôr no lugar dos outros e de apostar tudo o que se tem naqueles que pouco têm. Jesus, como o maior educador da história, ensinava dia e noite essas matérias aos seus alunos ou discípulos. Mas, infelizmente, muitos ao longo das eras não aprenderam essas lições fundamentais.
 
O ser humano, por ter frequentemente a necessidade neurótica de poder e de evidência p_11026social, usa diversos meios para dominar os outros e não libertá-los, uma atitude completamente diferente daquela que postulou em prosa e verso o Filho de Deus. Quando ele aliviava a dor física e emocional de alguém, suplicava que não propagandeassem seus feitos.
 
Ele doava-se sem esperar o retorno. Proclamava que por detrás de uma pessoa que fere há sempre uma pessoa ferida. Demonstrava que a maior “vingança” contra um inimigo é compreendê-lo e perdoá-lo. Atitudes nobilíssimas que fazem os inimigos serem reeditados em nossa memória. Como não ficar profundamente admirado com sua inteligência e maturidade emocional?
 
Nas entrelinhas das suas biografias, os chamados evangelhos, percebe-se a sua personalidade. Do mesmo modo, nas entrelinhas dos Dez Mandamentos é possível perceber a assinatura, o caráter, a intencionalidade, as teses fundamentais e os pensamentos subliminares do personagem mais misterioso, complexo, afetivo, discreto e, ao mesmo tempo, presente do teatro da existência: Deus. Os Dez Mandamentos promovem a liberdade responsável, a generosidade, a tolerância, a justiça social, a saúde das relações sociais, enfim, como meu querido amigo William Douglas comenta, promovem a qualidade de vida e o sucesso em seus mais amplos sentidos.
 
William Douglas é um brilhante juiz federal e um especialista em fenômenos como disciplina, memória e projetos de vida. Centenas de milhares de pessoas o leem e aprendem com ele a romper o cárcere da rotina e a lutar com determinação para atingir suas metas e seus ideais.
 
Tinha de ser um juiz para analisar as leis áureas contidas nos Dez Mandamentos. Tinha de ser uma mente criativa para analisar as teses psíquicas e sociais do discretíssimo Autor da existência. Tinha de ser uma mente inteligente para analisar, ainda que com limitações, a mente mais brilhante. Tinha de ser alguém apaixonado pela vida e pela humanidade para aplicar os Dez Mandamentos no desenvolvimento da qualidade de vida numa sociedade altamente estressante como é a nossa. Parabéns, William, por essa bela obra e parabéns ao leitor que tem o privilégio de lê-la.
 
 
- Augusto Cury
*Prefácio do livro O Poder dos 10 Mandamentos, de William Douglas

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