Nelson Junior do EEE: "As pessoas confundem virgindade com pureza"

Nelson Junior do EEE: "Virgindade não pode ser o foco, ela é consequência"

Atualizado: Quinta-feira, 15 Agosto de 2013 as 10:13

No mês de julho, a campanha 'Eu Escolhi Esperar' apareceu no programa 'Mais Você', da Rede Globo.
 
Falando sobre virgindade, a repórter do programa foi até um seminário EEE no Rio de Janeiro e entrevistou alguns jovens que afirmam esperar para iniciar a vida sexual só depois do casamento.
 
No Facebook, a página Eu Escolhi Esperar tem 1.557.540 opções 'curtir' e os seminários não param em todo o Brasil.
 
Nelson Júnior, idealizador da campanha, foi entrevistado pelo GUIAME e falou sobre o crescimento do projeto e o relacionamento dos jovens. Confira a entrevista completa:
 
 
Nelson Junior - Eu Escolhi EsperarGUIAME: Como é se dar conta da expansão e importância que o ‘Eu Escolhi Esperar’ conquistou?
 
É um privilégio, mas também uma grande responsabilidade. Se eles nos procuram é porque, de alguma forma, nos tornamos formadores de opinião. A campanha hoje é uma influenciadora na geração. 
 
Estamos com uma novidade que vamos contar só para o Portal Guia-me, furo de reportagem (risos). Vamos receber a equipe do Profissão Repórter, eles vão viajar o Brasil conosco, conhecendo os bastidores dos seminários. 
É importante poder cooperar, nossa proposta não é só pregar a virgindade, mas a essência da pureza sexual. O sexo foi banalizado e corrompido e as pessoas passaram a achar que sexo é sem-vergonhice, safadeza, imoralidade, e nós queremos resgatar o lado puro, belo e romântico do sexo.
 
GUIAME: Como você enxerga o poder de influência da mídia nesse caso, já que programas como as novelas fazem apologia ao sexo livre e sem compromisso, mas que ao mesmo tempo tem dado notoriedade a campanhas como o EEE?
 
Eles fazem um contraponto. Na verdade, apesar da mídia, de uma forma geral, promover a promiscuidade, nós temos uma sociedade erótica. As propagandas exploram a sexualidade de uma forma precoce, as crianças têm acesso a isso. Eles acabam sentindo a necessidade de um contraponto porque há uma quantidade de pessoas já cheias dessa banalização, que já cansaram de relacionamentos descartáveis. Há jovens buscando outras referências, diferente dessas que já existem na mídia. 
 
GUIAME: Sei que nos seminários você fala sobre virgindade e pureza sexual. Pode explicar melhor a diferença entre elas?
 
Eu costumo dizer aos jovens que o fato de se casar virgem não quer dizer que está se casando puro. As pessoas confundem virgindade com pureza. A garota acha que porque guardou os órgãos sexuais para o casamento, ou porque não chega à última instância da relação sexual, está fazendo a vontade de Deus e a vontade de Deus não é essa, ela é expressa em I Tessalonicenses 4:3, é a santificação que você abre mão de toda imoralidade sexual e não só da penetração. Ele quer que você guarde os órgãos sexuais, sim, mas também os olhos, a boca, a mão. 
 
Um dos nossos trabalhos é ampliar essa ideia de se guardar sexualmente porque muita gente acha que é só a conjunção carnal, sendo que ela é, na verdade, a última parte, mas não é a primeira. Eu mostro que quando a moça é virgem, mas o namoro é quente e o namorado tem acesso ao corpo dela e vice-versa, sexo oral, estimulação, eles já têm experiência sexual.
 
Ser virgem não é o suficiente. Tem muito jovem que não está se casando virgem, mas está se casando puro porque no tempo do namoro ambos se respeitaram, não se estimularam sexualmente. A virgindade não pode ser o nosso foco, ela deve ser a consequência. Nosso foco é a santidade. Se eu tiver uma vida pura eu, consequentemente, me caso virgem. 
 
GUIAME: Qual sua opinião sobre o namoro de corte?
eu escolhi esperar
 
Acho que tudo que coopera para o processo de santificação é válido. A corte, pra mim, tem sua importância. Vou ensinar minhas filhas a guardar o beijo para o casamento, não porque eu ache pecado, mas porque ele é um estimulante sexual, ele prepara o corpo para a relação sexual. 
 
Minha objeção à pratica da corte é quando ela é imposta. Vida sentimental e vida sexual imposta não adiantam, o jovem faz escondido. Tem que ser decisão, por isso o nome da nossa campanha é ‘Eu Escolhi Esperar’, não adianta o pastor escolher se você vai beijar ou não, a decisão tem que ser de dentro para fora e não de fora para dentro. Muitos jovens trocam seis por meia dúzia, acham que porque não beijam têm um relacionamento puro, mas o rapaz tem sérios problemas com masturbação. Então ele não toca na namorada, mas é viciado sexualmente.
 
Eu creio na importância da prática e do papel do beijo na nossa sexualidade e, por isso, ensinarei minhas filhas a guardar para o casamento porque isso as ajudaria, ou ajudaria aos noivos delas, a chegarem puros.
Infelizmente isso também virou religiosidade, tem jovem que acha que porque não beija virou santo. Tem jovem que não beija e condena o que beija. Relacionamento em santidade não é jejum de beijo. Tem muita guardando o corpo e esquecendo de guardar mente e o coração. A gente precisa guardar o corpo, a mente, a alma e o coração. É preciso entender que é um conjunto de ações, o Senhor quer a pureza e não o legalismo.
 
GUIAME: O romantismo hoje não é muito valorizado. Como você lida com esse assunto com os jovens?
 
Eu mostro que o romantismo não é um sentimento ou uma pessoa, é uma decisão, é uma prática que você incrementa no relacionamento, ele enriquece uma vida a dois. A prática do romantismo não entra no processo da conquista, é um ingrediente fundamental pós-conquista e para a manutenção de qualquer relacionamento. 
 
Estou há 18 anos com a mesma mulher, temos a rotina de casamento, mas eu tomei a decisão de ser romântico todos os dias e vi que o romantismo não é uma palhaçada, mas é como o óleo em uma engrenagem velha, ele enriquece e deixa leve.
 
O romantismo realmente saiu de moda, mas eu creio que Deus está levantando uma geração romântica. Costumo dizer que quero uma geração que sabe esperar, mas que sabe ser romântica. Na espera você prepara o seu coração para o romantismo e quando o amor chega você exercita. O romantismo faz bem pra gente e faz o outro feliz.
 
 
por Juliana Simioni
GUIAME.COM.BR
 

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