"Nem Jesus ficou só nas ideias", afirma líder do MST

"Nem Jesus ficou só nas ideias", afirma líder do MST

Atualizado: Quinta-feira, 28 Janeiro de 2010 as 12

Um dos coordenadores do Fórum Social Mundial disse nesta segunda-feira (25/1), em Porto Alegre, durante avaliação, em retrospectiva e perspectiva, dos 10 anos do movimento que combate o neoliberalismo e o imperialismo, que é preciso ''sair da concentração e do vestiário, onde se combina táticas, para entrar em campo para mudar a correlação de forças que existe no mundo''. A declaração foi feita por um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, que complementou: ''Só com ideias, nem Gandhi e nem Jesus Cristo puderam mudar o mundo''. Parte das palestras foi transmitida ao vivo pela NBR TV e no site do evento.

Stédile fez um apanhado histórico e lamentou o fato de continuarmos ''com a hegemonia do capital no mundo'', de ''a maioria dos governos serem de direita'', e do ''predomínio do poder do capital sobre a mídia'', exemplificou dizendo: ''só falam mal de nós''. E sugerindo: ''precisamos construir alternativas de comunicação''. Ele também exaltou o que considera como vitórias obtidas pelo Fórum: ''Conseguimos contribuir para a derrota do neoliberalismo como ideologia. Diziam que chegamos ao fim da história e que o mercado e as empresas resolveriam o problema dos povos. Não resolveram''.

Outra declaração de destaque foi feita por Oded Grajew, da Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania: ''Dizer que outro mundo é possível é também viver este outro mundo possível hoje. Cada entidade e organização participante deve refletir: Como tratamos nossos funcionários? Como compramos e de quem compramos? Como consumimos no dia-a-dia? Como tratamos nosso semelhante?''.

A representante do Fórum Social Europeu, Raffaella Bollini, completou: ''Temos que aprofundar a discussão com os movimentos sociais, com a sociedade civil para romper com a essa sociedade hegemônica. Como uma rede que tem ideias para salvar o mundo, temos que colocá-las em prática''.

Por Lenildo Medeiros

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