Nova constituição obriga cristãos que vivem nas ilhas Comores a seguirem o Islã

Com a nova constituição, foram estabelecidas regras para o cumprimento do islamismo sunita.

fonte: Guiame, com informações da Portas Abertas

Atualizado: Terça-feira, 7 Agosto de 2018 as 4:50

O presidente de Comores prometeu tomar medidas mais severas sobre qualquer um que não seja muçulmano. (Foto: Reprodução)
O presidente de Comores prometeu tomar medidas mais severas sobre qualquer um que não seja muçulmano. (Foto: Reprodução)

Comores, um país formado pelo conjunto de três ilhas do continente africano, realizou um referendo no final de julho para decidir novos pontos de uma reforma constitucional. A nação queria chegar a uma conclusão: decidir qual seria a religião oficial. Após o evento, que foi marcado com a esmagadora vitória do "sim", Comores se declarou como um Estado islâmico sunita.

Com as mudanças na constituição. foram estabelecidos princípios e regras para o cumprimento da religião sunita. Segundo informações de um missionário local, a nova decisão deve ter um forte impacto sobre a minoria cristã do país.

Sabe-se que Azali Assoumani, o presidente de Comores, suspendeu o tribunal constitucional por incompetência em abril deste ano. De acordo com analistas, esta foi uma tentativa de diminuir a ordem jurídica no país.

Durante sua campanha, o presidente apelou ao povo que votasse na extensão de seu mandato presidencial. Em troca disso, Assoumani prometeu que medidas mais severas seriam tomadas para com as pessoas que não são sunitas.

Por direito emitido pela emenda constitucional, o presidente pode ainda concorrer a outra eleição — o que antes não era possível, já que o cargo presidencial se alterava a cada cinco anos entre as três ilhas do país.

A World Christian Database informou que mais de 95% da população de Comores é muçulmana sunita. Isso torna os 2,1% de cristãos e islâmicos xiitas do país como alvos de perseguição.

Além disso, houve um crescimento do islamismo radical entre a população com o passar dos anos. Outros nichos sociais também sofreram impacto com esse aumento, como os oficiais do governo, líderes religiosos e grupos de jovens muçulmanos. Tal fato está preocupando os cristãos que residem no país.

Uma das formas de perseguição religiosa aos cristãos é a obrigação dos pais de enviar seus filhos para as madraças. Lá, os líderes muçulmanos ensinam sentimentos anticristãos.

Outro ponto é que as pessoas que abandonaram a fé muçulmana para abraçar o cristianismo podem ser processadas. Os lugares de adoração para cristãos são negados e os djaulas, grupo ultraconservador radical que são contra os convertidos, forçam o país a adotar uma visão mais extrema da sharia (lei islâmica).

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