Novo Regulamento em Xinjiang mostra que a situação vai piorar para cristãos em 2022

Governo chinês intensifica restrições contra aqueles que não obedecem ao Partido Comunista, além de aumentar a vigilância em tempo integral.

Fonte: Guiame, com informações de Bitter WinterAtualizado: segunda-feira, 8 de novembro de 2021 20:12
Xi Jinping, presidente da China, no Escritório da ONU em Genebra em 2017. (Foto: ONU/Jean-Marc Ferré)
Xi Jinping, presidente da China, no Escritório da ONU em Genebra em 2017. (Foto: ONU/Jean-Marc Ferré)

No dia 1º de janeiro de 2022 entrará em vigor o novo “Regulamento sobre a Construção de Segurança Pública”, em Xinjiang. Este é um alerta de que, por pior que seja a situação, ela ainda vai piorar.

De acordo com o Bitter Winter — que enfatiza as causas sobre liberdade religiosa e direitos humanos — a vigilância será aumentada através do sistema de rede do Partido Comunista Chinês (PCC).

Xinjiang é um território autônomo no noroeste da China, numa região de desertos e montanhas. O lugar abriga muitos grupos de minorias étnicas, como os uigures-turcos. 

Recentemente, 43 países que pertencem à ONU pediram à China que respeite os direitos dos uigures. Eles estão sendo tratados com crueldade, sendo torturados e enviados para “campos de reeducação” pelos líderes comunistas do país.

Perseguição aos cristãos pode se intensificar na China

Os cristãos chineses também têm sido perseguidos e ameaçados a enviar seus filhos para campos de reeducação do governo. Uma das formas de pressionar os pais é dizendo que vão retirar a guarda deles sobre seus próprios filhos.

O “Novo Regulamento” promulgado promete ser ainda mais rígido que os anteriores. Com um tom de “boa política”, definindo que a prioridade é a segurança pública, as novas regras prometem “combater o crime comum, o roubo e a corrupção”, além de “lutar especialmente contra a violência e o terrorismo”. 

O que se esconde por trás do Novo Regulamento

De acordo com o documento que foi lido durante o Congresso do Povo de XUAR (Região Autônoma Uigur de Xinjiang), é necessário “reprimir e prevenir as forças separatistas étnicas, forças terroristas do mal, forças extremistas religiosas e outras atividades ilegais e criminosas que colocam em risco a segurança nacional”. 

Em outras palavras, a luta é contra qualquer pessoa que desobedeça aos “mandamentos comunistas” da China. O Congresso que também é conhecido por “Assembleia Nacional Popular” é o mais alto órgão do poder estatal e legislativo do PCC e teve início na última sexta-feira (05).

O clima foi de triunfo para o Partido Comunista Chinês e para Xi Jinping, já que não há nenhum sucessor em vista. Especialistas explicam que Xi pretende continuar no poder após 2022. Se isso ocorrer, as “forças do mal” vão continuar na mira do comunismo, incluindo os uigures e os cristãos. 

Combate às atividades religiosas ilegais

Entre as prioridades contidas no Novo Regulamento está o “controle de atividades religiosas ilegais”, ou seja, qualquer grupo não aprovado pelo PCC deverá ser combatido pela liderança governamental.

Também não será permitida a propaganda religiosa ilegal e transmissão ilegal de rede religiosa de acordo com a lei que promete continuar a promover a desradicalização. 

A campanha contra o movimento “xie jiao” continua em alta. A China usa esse termo para designar movimentos religiosos que o governo não gosta. A expressão chinesa “xie jiao” é traduzida em documentos oficiais chineses para o inglês como “cultos do mal”. As igrejas evangélicas estão na mira por se enquadrarem como sendo um “xie jiao”. 

Quanto mais perseguição, maior o número de cristãos

Na 28ª Reunião do Comitê Permanente, na ocasião do 13º Congresso Popular de Xinjiang, que aconteceu entre setembro e outubro deste ano, Xi Jinping já falava da necessidade de regras mais rígidas. 

Porém, quanto mais as leis se tornam restritivas, mais crescem os movimentos religiosos. Foi o que ocorreu com o Falun Gong e a Igreja do Deus Todo-Poderoso. Apesar de toda a vigilância, o número de membros só aumentou. Durante a pandemia, foram os cristãos que levaram conforto espiritual às pessoas que viviam momentos de crise.

Aclamado como o sistema de vigilância social mais invasivo do mundo, o sistema de “grades” do PCC visa controlar cada prédio, cada casa, cada apartamento e cada cidadão, 24 horas por dia, todos os dias. 

Cada grade tem um gerenciador com assistentes, um policial, um supervisor, um secretário, um funcionário jurídico que é subordinado ao promotor local, um bombeiro e, a partir de 2021, até mesmo um oficial de grade.

O oficial é encarregado de investigar se nenhuma pessoa na rede está envolvida com religião ilegal ou xie jiao. O sistema foi criado para as cidades, mas aos poucos está sendo estendido, com grades geograficamente maiores, mas de organização semelhante, para as áreas rurais, como acontecerá também em Xinjiang, em 2022.

O Novo Regulamento vai incluir também o uso de inteligência artificial, além das câmeras de vídeo. Vale citar que o XUAR já tem o maior percentual de câmeras de vigilância por cidadão no mundo.

Os regulamentos também exigem maior controle das reportagens da mídia sobre o XUAR, repressão às informações não controladas diretamente pelo PCC, controle mais rígido da Internet e punição severa aos oficiais que não entreguem os resultados esperados.

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