O artista deve fazer o máximo de entrevistas para Tvs, Rádios, Sites e Revistas

Vamos trabalhar! Vamos divulgar! Chega de moleza!

Atualizado: Quinta-feira, 6 Setembro de 2012 as 12:38

Prestes a enfrentar mais uma Expo Cristã, exatamente a décima em meu currículo, vou desde já preparando-me mentalmente para os 6 dias intensos de muitos tapas nas costas, sorrisos, bate papos, fotos, entrevistas, contatos comerciais e os intermináveis contatos com postulantes a contratados por alguma gravadora devidamente munidos de CDs, DVDs, chaveiros, bonés, releases, fotos, cartões e tudo mais em mãos para ao fim ter que ouvir a indefectível pergunta: Mas você promete que vai ouvir com carinho?
 
Já falei sobre essa experiência em outro post aqui publicado. Então prometo que não estarei mais uma vez abordando essa experiência inenarrável. Vou falar de uma outra questão que assola boa parte dos artistas em nosso meio. Como sempre, boa parte dos assuntos aqui mencionados são fruto de minhas experiências profissionais e pessoais ao longo destes anos de labuta.
 
Outro dia um amigo, que agora não me recordo bem quem tenha sido, comentou que todo artista é normal até assinar o primeiro autógrafo! Voltando à Expo Cristã, vejo como tem gente que se empenha por causa de um objetivo, de uma meta! Há dois ou três anos atrás recebi no stand um jovem leitor do Observatório Cristão (quando ainda devíamos ter uns 15 a 18 leitores somente!) que viera de Vitória da Conquista/BA, de ônibus, simplesmente porque se sentiu estimulado por um de meu textos falando da feira. O rapaz me abordou e contou sua história. Disse que era uma jovem cantor em busca de oportunidades. Assim como esse baiano, centenas de outros postulantes ao estrelato vão de mala e cuia para o Pavilhão do Anhembi simplesmente para terem um contato mais próximo com as mídias e principalmente, os responsáveis pelas gravadoras. É um esforço enorme e que muitas das vezes não traz o devido retorno – até porque as expectativas são em sua grande maioria muito além da realidade.
 
Ao longo desses meus anos de trabalho, já tive oportunidade de contratar muitos artistas. Tive oportunidade de conhecer muita gente talentosa. Já tive também, muitas promessas em mãos. E entre tantos aspectos que foram determinantes para o sucesso deste ou daquele artista, posso assegurar com extrema segurança de que a disponibilidade e disposição para o trabalho de divulgação estão entre os mais importantes. Infelizmente, boa parte dos artistas vão perdendo o empenho de trabalhar a sua própria divulgação ao longo dos anos.  Um artista que mantém a disposição de trabalhar sua divulgação com a mesma garra dos jovens artistas que circulam pelos corredores quentes e apertados da Expo Cristã à cata de um fotógrafo, radialista ou blogueiro, certamente consegue muito mais espaço na mídia e no segmento como um todo.
 
Já contei a vocês minha experiência de subir a mais de 3,6 mil metros de altitude numa cratera vulcânica na Colômbia e lá, no meio do nada, deparar-me com uma propaganda da Coca-Cola. Também já mencionei outras vezes o trabalho que pessoalmente desenvolvi com grandes artistas nas maratonas de divulgação onde atendíamos a todas as mídias possíveis, inclusive rádios comunitárias onde o ‘estúdio’ localizava-se na cozinha da casa do radialista. Em suma, toda e qualquer mídia deve ser sempre tratada com a mais reverente importância!
 
Infelizmente conheço artistas (não poucos!) que ao mínimo sinal da fumaça do sucesso, simplesmente preferem ficar em casa a ter que investir seu tempo para atender às mídias. Particularmente me irrito com esta postura e tento de todas as formas fazer com que o artista entenda sobre a importância de estar na mídia preenchendo todo o espaço disponível. Mas, confesso, que muitos artistas simplesmente dão de ombros a esta questão e preferem seguir no mais completo distanciamento em se tratando de mídias e do trabalho árduo de divulgação.
 
Recebo periodicamente entrevistas de sites ou revistas. Muitas das vezes as perguntas são óbvias, fracas, desinteressantes, mas nem por isso deixo de atendê-las. Muitas das vezes o tempo entre o recebimento da entrevista e sua resposta, não ultrapassa alguns minutos. Procuro sempre ser o mais solícito possível em termos de atendimento às mídias. Mas em contrapartida, vejo e recebo muitas reclamações de jornalistas que simplesmente são deixados ao relento por seus entrevistados num autêntico “chá de cadeira”. Isso, para mim, além de desrespeito ao próximo é um claro sinal de amadorismo.
 
Geralmente o tempo mais intenso de trabalho de um artista compreende o período de 15 dias antes do lançamento do CD e mais uns 60 a 90 dias após a chegada do produto ao mercado, no máximo! Neste período, o artista deve fazer o máximo de entrevistas para Tvs, Rádios, Sites e Revistas. Neste tempo também deve fazer visitas aos lojistas, atender a alguns convites estratégicos e … nada mais! Pessoalmente curto demais essa época do trabalho de uma campanha de lançamento. Gosto desse clima de rolo compressor atropelando tudo, preenchendo espaços na mídia … chamo essa época de Blitzkrieg! Mas infelizmente vejo que muitos artistas literalmente criam dificuldades pelo simples fato já mencionado em um outro texto meu recentemente publicado no blog: a preguiça.
 
Com isso, todo o esforço da equipe de vendas e de marketing da gravadora vão se esvaindo aos poucos e o projeto acaba perdendo forças e após uma saída intensa e de muito boa possibilidade de resultados grandiosos, simplesmente fica bem abaixo do esperado. Se o artista não entender que este período de lançamento ele deve “colar” na sua gravadora, infelizmente, o seu projeto irá literalmente ‘morrer na praia’.
 
Então, pra finalizar, vou deixar uma dica. Pelo menos 15 dias antes de lançar um novo projeto, o artista deve ir numa clínica e fazer um check up completo. Veja se é necessária alguma reposição hormonal e prepare-se para uma maratona não de 42 quilômetros, mas para uma corrida de 60 a 90 dias em média de muito trabalho. Neste espaço de tempo, será proibido dizer as seguintes palavras e expressões: Estou cansado! Será que vale a pena mesmo? Preciso responder essa entrevista hoje? Alguém assiste a este programa? Pode ser amanhã? Aproveite e veja como está seu humor! É imprescindível que você tenha paciência, jogo de cintura, mansidão, sorriso aberto! Nada de biquinho, beicinho, chororô, desmaios, chiliques, birras ou qualquer outra atitude menos nobre! O momento é de foco, disposição e muita atividade!
 
 
Mauricio Soares, publicitário, jornalista, pseudo-psicólogo, pseudo-terapeuta.

Fonte:http://www.observatoriocristao.com 

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