O Deus da Cruz

O Deus da Cruz

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:17

"Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, {Calvário; no original, caveira} ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda". (Lc 23.33)

O ano ainda não terminou, mas podemos, sem nenhuma dúvida, categorizá-lo como um ano de tragédias. Terríveis catástrofes marcaram o ano de 2012: Tsunami, acidente com energia nuclear, atentados terroristas, deslizamentos de terra no Rio de Janeiro que soterraram centenas de pessoas etc.

Nestes momentos de angústia e sofrimento uma velha pergunta volta à mente: onde está Deus? Por que ele permite isso? Será que ele tem prazer em nosso sofrimento? Estas indagações não são novas, pelo contrário, já tiraram o sono de muitos que ousaram buscar explicações razoáveis – entre eles, inúmeros pensadores e filósofos.

No entanto, a morte de Jesus na cruz, abre uma porta no céu revelando-nos como Deus é. Eu te convido, a partir de hoje, numa série de três artigos, a entrar por esta porta e a olhar de maneira diferente para a cruz de Jesus: como o ápice da revelação Divina. É no calvário que conhecemos melhor a Deus. Veremos, então, o que podemos aprender sobre Deus através da cruz.

A cruz revela um Deus que se identifica com os que sofrem.

Não conseguimos entender bem como Deus lida com sofrimento humano. Por vezes, somos tentados a achar que ele pouco se importa conosco. Que nossos gritos de dor e angústia não alcançam seus ouvidos; que nossas dores e aflições não são vistas pelos seus olhos frios e distantes.

Isso não é verdade! Olhe só para a morte de Jesus. Veja a brutalidade e a dor descomunal de sua execução. Ele foi crucificado!

A crucificação era a pior execução da época, a mais horrenda e dolorosa forma de se matar alguém. Destinada apenas aos mais infames criminosos. A crucificação era tão cruel e dolorosa que os soldados romanos tinham um costume – um tanto misericordioso, diríamos – de darem as vítimas um tipo de anestesia que os evangelhos descrevem como sendo uma mistura de vinho com mirra ou fel, que servia para aliviar as dores do criminoso ao ser pregado na cruz.

Em Mt 27.34, o evangelista nos conta que Jesus se nega a beber esta mistura. Ele rejeita anestesia. Recusa-se a qualquer tipo alívio. Ele não quer ser poupado da dor. Mas, por quê?

A única resposta é a seguinte: Ele quis sofrer.

Ele, sendo Deus, poderia muito bem ter escolhido qualquer outro tipo de morte ou execução. Alguma que fosse mais rápida e menos cruel. No entanto, Ele se decide pela cruz. Ao morrer de maneira tão cruel e sofrida Jesus se identifica com aqueles que sofrem. Você acha que Deus não sabe o que você sente quando sofre? Você acredita mesmo que ele sequer sabe o que é sentir a dor dilacerando seu corpo? Ah, acredite, Ele sabe!

Você chora de angústia? Ele também chorou!

Seu corpo sofre por causa de uma doença degenerativa?

Pois o dEle foi açoitado, perfurado por pregos e torturado até a morte. Ele não é insensível a dor humana. Não é indiferente ao sofrimento das pessoas. Ele se compadece e se move de íntima compaixão diante do seu sofrer. É como se ele te dissesse, em cada momento de dor e sofrimento: “Eu te entendo... Eu sei o que você está passando... Eu também já passei por isso!”. Ele decidiu sofrer para que você não mais sofresse, pois com a sua morte na cruz adquiriu o poder de nos salvar e nos conceder a vida eterna. Uma vida sem morte e sem dor.

Milhares de pessoas morrem diariamente sem o mínimo de dignidade, mas elas não podem acusá-lo de ser um Deus impassível, pois ele mesmo, na pessoa do seu Filho, ao se identificar conosco, também morreu sem o mínimo de dignidade naquela cruz vulgar. As centenas de mães que perdem seus filhos de maneira tão cruel e violenta nos morros e favelas não podem acusá-lo de ser indiferente a dor humana, pois ao se identificar conosco, Ele, o Pai Eterno, também viu seu filho Jesus morrendo de forma desumana e atroz no Calvário.

A Identificação de Deus conosco, revela seu caráter de amor ao decidir sofrer o mesmo que sofremos. Deus não é indiferente ou apático à dor humana. Ele é solidário e, é tanto, que se identifica morrendo como um de nós. A cruz é aprova de que Deus se identifica com os que sofrem!    

Por: Kassio Lopes

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