O enfermo que Jesus amava e a demora recompensada

O enfermo que Jesus amava e a demora recompensada

Atualizado: Terça-feira, 15 Fevereiro de 2011 as 3:11

Estava, então enfermo um certo Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta [...] Mandaram-lhe, pois suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas [...] Ouvindo, pois que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde estava. (Jo 11: 1, 3 e 6)

O homem pós-moderno é imediatista e busca resultados instantâneos. Vive num mundo onde um dos lemas é “tempo é dinheiro”, e logicamente, perdê-lo simboliza deixar de lucrar.

Hoje dispomos de uma gama tecnológica que nos possibilita estar conectado a várias coisas ao mesmo tempo; economizar o tempo pagando contas na comodidade do lar, via Internet ; substituir a velha carta, que levava dias para chegar, pelo instantâneo e-mail, entre outras benesses da tecnologia.

Essas e outras possibilidades seriam impensáveis na antiguidade. Não havia ônibus, trem, aviões e muito menos “torpedos” instantâneos para que os indivíduos pudessem se comunicar de modo rápido e eficaz a qualquer hora e lugar.

Maria e sua irmã Marta não viviam em uma época cercada de tecnologia para facilitar a vida, e tinham uma questão da máxima urgência para tratar com Jesus. Precisavam que este deixasse tudo que estivesse fazendo e fosse orar por seu irmão, que estava enfermo. Mas, apesar de amá-los muito, não atendeu prontamente ao pedido. Uma grande lição estava para ser dada.

Nem sempre o tempo do homem é o mesmo de Deus. O homem vê o que está diante de seus olhos, superficialmente; Deus enxerga o que está além das aparências e o tempo futuro.

Havia uma crença à época de Jesus de que a alma do homem permanecia ao redor do corpo por três dias, após sua morte. Se esta não retornasse ao corpo neste período, todos se conformavam com a morte do indivíduo. Só que esta crença nunca foi confirmada de fato, pois nenhum morto havia voltado a viver após o terceiro dia, mas insistiam nessa ilusão. Jesus precisava quebrar esse falso paradigma.  

Quando Jesus resolveu atender ao pedido das irmãs de Lázaro este já havia morrido há quatro dias; um dia a mais que a crença da volta da alma. Suas irmãs cobraram dele o fato de não terem sido logo atendidas pelo Mestre (Jo11: 21 e 32).

Marta e sua irmã Maria acharam que Jesus chegara atrasado, que não restava mais nada a ser feito por seu irmão; a não ser aguardar por sua  ressurreição no último Dia (v. 24). Elas estavam conjeturando com o raciocínio humano, que é limitado. Não conseguiam enxergar que não havia impossíveis para o Filho de Deus.  

Apesar da grande lição que queria ensinar a todos, Ele não deixou de entristecer-se com a morte do amigo querido. Moveu-se muito em seu coração. A dor de seus amigos também era  a sua dor. Ele literalmente sentiu COMPAIXÃO, Isto é, sentir a dor da morte (pathos) do outro, e chorou (v. 35).

Mas havia algo que o homem precisava fazer para que o poder de Deus pudesse se manifestar: TIRAR A PEDRA (V.39).

A primeira pedra a ser tirada era a da incredulidade. Como poderiam tirar a pedra de um sepulcro, cujo corpo já estava em adiantado estado de putrefação devido ao calor da Palestina? Mas Jesus precisava testar-lhes a fé, que só se manifesta pelo conhecimento da Palavra (Rm 10: 17), e eles estavam diante da Palavra Viva de Deus. Era preciso agir a altura da fé para vê-la se manifestar:

Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que se creres verás a glória de Deus? (Jo 11: 40)

A fé nos faz esperar pelo milagre mediante aquilo que conhecemos sobre o nosso Deus. O crer implica em agirmos à altura da fé que temos nesse Deus poderoso, que opera além do possível humano. O tirar a pedra era a demonstração visível de que, ainda que aquele corpo cheirasse mal, e que, humanamente falando, seria impossível revivê-lo, não seria impossível para  Jesus Cristo, filho do Deus Altíssimo.

Jesus poderia ter dado uma ordem à pedra para que ela explodisse, mas permitiu aos homens fazerem a sua parte no milagre: dar um passo de fé.

Quantas vezes nós também nos acomodamos em nossas crenças vazias, e por vezes questionamos a Deus sobre os seus métodos? Achamos que nossa lógica tem de se encaixar ao método de Deus.

Jesus era Deus em carne, mas foi humilde o bastante para buscar o Pai, que sempre o ouvia (v.41 e 42) e confirmava diante dos homens para que Seu nome fosse glorificado, e, como resultado, Lázaro voltou do reino dos mortos diante dos olhares maravilhados de todos os presentes.

A preparação dos corpos nos tempos bíblicos demandava muitos preparos, com bálsamos, especiarias e faixas embebidas em ungüentos. Lázaro estava como uma múmia. Jesus  poderia tê-lo ressuscitado sem as faixas, mas fez com que os presentes participassem do acontecimento, até para que não surgissem boatos dos inimigos de Jesus, acusando-o de fraude. Jesus deu ordem para desligá-lo das faixas e deixá-lo ir.

Se Jesus tivesse atendido prontamente ao pedido das irmãs de Lázaro, apenas sua família, seus amigos íntimos ou algumas pessoas da vizinhança teriam sido abençoadas por sua cura. Já com sua ressurreição, um número maior de pessoas, incluindo judeus, até então incrédulos sobre ser Jesus o Messias, passaram a crer Nele.

Precisamos aprender a esperar  o tempo de Deus, que por vezes não é o nosso. Só Ele sabe quando tudo está preparado para receber o seu agir. Algo dado fora da época certa poderá desencadear fatos que talvez não estejamos prontos para assimilar, ou que nos trará uma alegria instantânea, mas de pouquíssima duração.

Às vezes as coisas nos parecem difíceis ou até que Deus não está tão interessado em nós; mas, ao contrário, assim como ele amava Lázaro, mas não foi ao seu encontro prontamente, Ele também nos ama e poderá nos fazer esperar um pouquinho mais. A demora será recompensada. Com certeza a benção será maior, mais completa, ampla e duradoura, e o Seu Nome será glorificado através da nossa vida.

Que o Senhor nos abençoe e capacite a confiar em Seu amor por nós! A Ele toda a glória e honra!

Mônica Valentim

Mônica Valentim   é pedagoga, com expecialização em Orientação Educacional e Profissional; pós- graduada em Psicomotricidade. Possui especialização em Modificabilidade Cognitiva PEI- Nível I, Jerusalém, Israel. Bacharelanda em Teologia.  

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