"O Evangelho é poderoso como uma dinamite", diz arcebispo anglicano

"O Evangelho é poderoso como uma dinamite", diz arcebispo anglicano

Atualizado: Terça-feira, 26 Outubro de 2010 as 3:06

O quarto dia do Terceiro Congresso Mundial de Evangelização, realizado na Cidade do Cabo, África do Sul, trouxe à tona o relacionamento com outras crenças. O evangelismo foi a ênfase, e nela o islamismo ganhou destaque.

Para o arcebispo anglicano e nigeriano Benjamin Argak Kwashi, "o Evangelho é poderoso como uma dinamite". Mesmo assim o risco da morte faz parte do trabalho de anunciar este Evangelho, como provou o testemunho emocionante de Libbie Little, esposa do missionário norte-americano Tom. Ele e seu grupo (incluindo, dois afegãos) foram mortos em agosto no Afeganistão. Ele deixou notas do seu último sermão ainda manchadas de sangue, no qual fala sobre o aroma do amor de Cristo. "Algumas pessoas têm que adquirir o gosto da graça de Deus. É preciso tempo para que ela seja provada. Requer paciência com aqueles que estão adquirindo um novo gosto. Aqueles que tiveram a coragem de provar, vão pedir para voltarmos", disse a missionária.

Uma mulher convertida do islamismo testemunhou sobre como "o amor abundante de Jesus está trazendo os muçulmanos e, em especial as mulheres, para Deus". Mais dois outros testemunhos relataram conversões do islamismo ao Cristianismo.

O apologeta Michael Ramsden falou sobre o exemplo de Paulo ao pregar aos gentios. "O evangelho de Paulo não está cheio de si mesmo, mas do Espírito. Estamos escolhendo o evangelismo que não exige muito de nós. O Evangelho requer tudo de nós. Pelo Espírito Santo, eu vou!". Já Ziya Meral abordou as falhas que atrapalham a igreja a lidar com o Islã. Para Meral, falta entendermos corretamente o pensamento do mundo moderno e o tempo de transição do século 20 para o 21. “A igreja global tem que dar testemunho de que ama a Deus".

Na opinião de alguns participantes, a abordagem do tema deste dia foi incompleta. "Deixou de abordar questão importantes como o diálogo interreligioso e a tolerância", disse um brasileiro. "Entendo que este tipo de abordagem representa o pensamento de uma maioria de evangélicos", disse um colombiano. Para outros, o programa foi muito positivo. "O dia de hoje foi inspirador para mim. Consegui retomar alguns compromissos que havia deixado de lado. Na tentativa de tornar a missão integral, temos que lembrar do evangelismo pessoal também, senão deixa de ser integral", disse outro brasileiro.

Sofrimento e missão

O pregador John Piper fez a exposição bíblica do terceiro capítulo de Efésios. Ele destacou a necessidade da igreja não se preocupar apenas como o sofrimento de agora, mas também com o da eternidade. "Cristo está nos chamado para olhar para os dois sofrimentos", disse ele. Piper também falou da relação entre sofrimento e missão. "O sofrimento de Paulo é a nossa glória. A cruz é poder e sabedoria divina. Quando o Messias morre na cruz, ele cria a igreja", afirmou. O pregador norte-americano enfatizou ainda a grandeza do propósito de Deus para o mundo e sua multiforma sabedoria para a igreja. "Deus não é tribal. Ele é universal".

Noite latino-americana e as megacidades

A programação da noite foi dedicada ao continente latino-americano e à questão das megacidades. A apresentação cultural latina contou com um coral que cantou a música Tenemos Esperanza, a leitura do poema "Sopro Santo" por Lissânder Dias. Mas o ponto alto foi a conversa entre René Padilla e Samuel Escobar. Eles relembraram o Lausanne 1 (1974) e apontaram três preocupações que deveriam ser melhor exploradas neste congresso: 1) o evangelismo como a tarefa de fazer discípulos e não simplesmente convertidos; 2) a globalização e seus efeitos sobre milhões de pobres; 3) e o sistema econômico e sua destruição do meio ambiente. Quanto ao tema das megacidades, a reflexão ficou à cargo do norte-americano Tim Keller, pastor da Igreja Redeemer Presbyterian Church em Nova York e autor do best seller "The Reason for God".

Por Lissânder Dias

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