O governador Sérgio Cabral do RJ é credofóbico?

O governador Sérgio Cabral do RJ é credofóbico?

Atualizado: Segunda-feira, 6 Junho de 2011 as 9:59

Após acompanhar, pela TV, ao vivo, a entrevista coletiva que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, concedeu à imprensa neste sábado, 4/6, sobre o episódio da invasão do Quartel Central dos Bombeiros na capital carioca, na noite anterior, por integrantes da corporação que vêm protestando contra baixos salários e falta de condições de trabalho desde o início de maio, fiquei com a impressão de que o governador do Rio pratica algo que eu poderia chamar, usando semelhança com um termo muito em voga nos dias de hoje, de “credofobia”, pela aparente rejeição do chefe do Executivo estadual à fé evangélica e à crença na Bíblia como a Palavra de Deus.

Isto porque, entre suas declarações, Cabral pareceu usar a palavra “evangélica” para desqualificar uma deputada que, segundo ele, teria ajudado a insuflar a invasão. Também acusou a existência de oportunismo político no movimento, menosprezando o discurso dos “políticos que estavam no local”, e “que já passaram pelo governo e não fizeram nada”, dizendo que aquele grupo de bombeiros se deixou levar por um “discurso fácil e messiânico de delinquentes políticos fundamentalistas que misturam Bíblia com política”.

  Tomara que minha impressão esteja equivocada, pois, se não estiver, seria a demonstração de um inaceitável preconceito religioso por parte da maior autoridade de um estado onde em torno de 30% da população professa a mesma fé “evangélica” da deputada. Além de recriminável, seria uma tremenda derrapada eleitoral.  

O governador está sendo muito criticado na internet por ter declarado que a invasão do Quartel Central dos Bombeiros foi um “inaceitável ato de desequilíbrio, de vândalos irresponsáveis”. Disse que os 439 presos “responderão administrativa e criminalmente pelo que fizeram”.

  O Rio de Janeiro conta hoje com 17 mil bombeiros no total. Segundo os manifestantes e especialistas entrevistados em programas jornalísticos, eles recebem o pior salário de todos as corporações do Brasil: 950 reais líquidos, sendo esta a principal reivindicação do movimento, que vem tentando solução para o problema desde o início de maio, sem sucesso.

Por Lenildo Medeiros, jornalista e pastor

veja também