O Natal de Jesus é arte

O Natal de Jesus é arte

Atualizado: Sexta-feira, 20 Dezembro de 2013 as 1:49

Jesus-natalSempre neste período do ano, tenho o hábito de revisitar os relatos bíblicos em torno do Natal de Jesus e este ano, em especial, aprendi o quanto Deus foi criativo ao realizar o Seu plano eterno de enviar o Salvador. Foi surpreendente perceber de quantos recursos artísticos Ele se valeu para fortalecer e favorecer o entendimento da Sua boa vontade para com o homem.
 
Primeiro Ele criou toda uma expectativa e deu vários anúncios. O messias seria da tribo de Davi, nasceria em Belém, seria concebido por uma virgem e tantos outros fragmentos de pequenas dicas espalhadas ao longo da história de Israel que por si só já seriam suficientes para instigar qualquer pessoa mais observadora. Um grande enredo estava sendo tecido.
 
Mas, foi na ocasião do nascimento do Seu filho, condição esta essencial para o cumprimento do Seu plano de salvação, que ele esbanja criatividade e expressão artística para marcar o evento. Deus mesmo não poderia quebrar as regras do jogo e assim era necessário acontecer. Ele resolve destituir-se da Sua glória e tornar-se homem e vir ao mundo como bebê, gerado num útero materno e sujeito a todas as condições de nascimento humano. Que beleza em tudo isto! Uma divindade que se identifica com os seus súditos ao ponto de encarná-la.
 
Mas não para por aí. Ele usa de todos os artifícios possíveis para marcar a sua chegada de forma singular e criativa como somente um Deus criador seria capaz de fazer.
 
Ele se vale do maior de todos os contos de fada, pois a história de um menino rei que nasce numa simples estrebaria é arrebatadora e surpreendente. Claro que não estou aqui dizendo ser a história do nascimento de Jesus um conto de fadas. Estou dizendo que ele, em termos de forma literária, é o mais surpreendente dos contos que alguém poderia criar. Existe arte em volta de todo este momento. Ele transpira beleza por todos os ângulos e possibilidades dos personagens, cenário e enredo.
 
Além do belo enredo da maravilhosa história de um menino rei que nasce como filho de uma família simples, muito embora pertencente à linhagem do maior rei da nação, filho de uma virgem e que por ocasião de um senso desloca-se para a sua cidade de origem e nasce de forma improvisada numa estrebaria no meio de animais e é colocado em uma manjedoura. Quantos recursos para provocar o imaginário das nossas crianças! Será que isto foi à toa? Será que em todo este cenário não existe uma grande mensagem adjascente sendo expressa de forma sugestiva, não verbal, porém muito clara? Não está aí o caráter do roteirista e designer manifestado e a sua mensagem expressa?
 
Vejamos onde encontramos mais arte nesta história: E o coro de anjos? Imagine a cena em uma noite escura e sob o efeito de reverberação do ar gelado e das colinas. Que maravilhosa música não foi esta? Será que aí não foi uma das primeiras amostras de trazer o erudito para o povo simples? Será que a qualidade da música não queria reforçar a mensagem? Será que existia uma intenção do diretor do musical em realçar a importância da mensagem? (mesmo para aqueles que seriam taxados como rudes – talvez alguém pensasse que não necessitaria de tanta qualidade para pessoas simples). Ah, quantas lições a aprendermos neste evento.
 
E o maravilhoso canto de Maria? Quanta beleza poética e expressão? E o cenário natural? Como não imaginar a grande estrela no horizonte sorrindo e anunciando o seu nascimento? Como não ser tocado pela singeleza de uma criança no meio de um estábulo cercada de animais e feno? Que bela ideia de contrastes para reforçar a sua mensagem não se encontra aí? Quantos presépios já não foram produzidos? Quantas telas já não forma pintadas com estas imagens provocantes? Será que também não existia intenção do roteirista?
 
Como não ser cativado pela história paralela dos reis magos caminhando pelo deserto em seus camelos seguindo uma coordenada anunciada por uma estrela que os levam da alta corte de Herodes à simples hospedagem de um casal de nazarenos no meio da multidão em tempos de recenseamento. E os seus presentes? E a sua reverência? E a sua expressão de adoração? Quantas imagens e quantos símbolos povoam mais este episódio da semana.
 
Foi uma semana de celebração com tantos capítulos, cada um mais surpreendente que o outro, que termina com arte até na hora do cumprimento da tradicional circuncisão no oitavo dia. Ao entrar no templo aquele casal simples com uma criança em seus braços, como tantos outros da sua época, porém este menino especial foi notado pelos mais velhos presentes. Aqui o novo encontra o antigo. Nesta criança a tradição é ressignificada e testemunhada pelo idoso. O idoso não fica fora da produção da peça em cartaz e participa com arte e beleza. Ao ver a criança Simeão a toma em seus braços e improvisa um cântico. A senhora viúva também não fica de fora e faz a resenha da peça e conta a todos os detalhes de cada ato com vigor e graça.
 
É o Espírito agindo no meio do povo, a expressão popular manifestada nos anseios dos mais simples insulflada pelo agir da redenção de Deus. É o espetáculo sem verbas públicas e que confronta a ordem natural das coisas e que provoca reflexão e transformação. É a mensagem da graça que supera toda a estagnação do medíocre e reverbera nos corações.
 
Assim, o Natal de Jesus é arte, beleza e o ápice da imaginação plástica de Deus para contar a maior de todas as histórias de amor. É um rasgo da Sua expressão de arte e beleza.
 
Deus fez questão de criar ricas expressões imaginativas para promover a Sua grande mensagem. Até hoje o Natal inspira os coros, os arranjos, as luzes, os sons, os roteiros de teatro, os contos, os cenários e tantos outros recursos artísticos. Não podemos perder esta riqueza imaginativa provocada pelo Natal. Ela é bela e carrega consigo a maior de todas as verdades e a mais necessária ao homem – a expressão do amor de Deus para com a sua criatura. Assim, com arte, vamos imaginar o Natal de Jesus! Vamos encher a imaginação das nossas crianças com estas imagens ricas de beleza e valor. Vamos contar a verdadeira história, pois o mundo* tem contado outra história e tem investido milhões em outro imaginário em torno do Natal.
 
* mundo: neste sentido significa o sistema de crenças e valores que ordena as atitudes e processos realizados pelo homem sob a total independência de Deus e da Sua intervenção na vida.
 
 
- Rubens Cartaxo

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