"O papel da igreja tem ido muito além do papel do Estado" diz Pr. Felipe Heiderich

"O papel da igreja tem ido muito além do papel do Estado" diz Pr. Felipe Heiderich

Atualizado: Quinta-feira, 24 Março de 2011 as 2:37

Em Janeiro as chuvas castigaram fortemente a região serrana do Rio de Janeiro, além de entes queridos os moradores perderam tudo. Dois meses se passaram e como era de se esperar e já mencionado por todos os comentaristas e jornais na época, a população afetada tem recebido comida para sustentar o físico, contudo diante de tamanha tragédia muitos não se recuperaram emocionalmente.

Em meio à tragédia e sofrimento, as igrejas evangélicas se tornaram um ponto de apoio e ajuda as vítimas das enchentes, as atividades rotineiras dos templos foram adiadas para acolher desabrigados, dar assistência espiritual aos necessitados e alimentar os famintos, contudo a maioria das igrejas foram destruídas ou prejudicadas com a chuva e muitas igrejas acabaram se endividando para poder comprar o necessário, afim de reabrir o templo e poder receber os aflitos.

Foi entre uma visita e outra as cidades atingidas pelas chuvas que o pastor da Primeira Igreja Batista de Engenho do Porto, Duque de Caxias (RJ), Felipe Heiderich, percebeu que as necessidades da igreja local iam bem além de roupas e comida. “Equipamentos de som, instrumentos, bancos, paredes, tudo foi levado pelas águas” comenta.

Entendendo essa necessidade o pastor iniciou nos micro-blogs e redes sociais, uma mobilização de ajuda às Igrejas da Região Serrana visando captar recursos para reconstruir e equipar novamente os templos atingidos.

Em entrevista exclusiva ao GUIA-ME , Felipe Hendrich, comenta a situação atual da região serrana e explica detalhes sobre a campanha de reconstrução da igreja local. Confira:

GUIA-ME : Qual a atual situação da região serrana?

A região serrana é composta por várias cidades, como Teresópolis, Petropolis, Friburgo, São José do Vale do Rio Preto. A tragédia que começou em 11 de Janeiro neste local mudou a estrutura física da região. Rios abriram novos leitos, bairros foram soterrados, montanhas vieram a baixo.

Algumas cidades por terem uma estrutura administrativa e financeira mais solidificada estão conseguindo, com dificuldade, se reerguer, outros ainda nem saíram do ponto zero.

Temos bairros inteiramente destruídos, pessoas desabrigadas morando em barracas de camping até hoje. Em alguns lugares o cheiro pútrido é nauseante. Alguns comércios ainda fechados, pois os donos não tiveram coragem de retornar ao local para verem a destruição. E estamos falando isso mesmo depois de mais de 2 meses de tragédia.

  GUIA-ME: Como estão vivendo as igrejas do local?

As igrejas como sempre não se anularam diante da situação. Mesmo com templos destruídos, sem nenhum equipamento de som, paredes levadas pelas águas, pastores sem auxilio financeiro, o povo tem se mantido fiel. Reuniões são feitas em templos improvisados ou em alguns reconstruídos apenas com o necessário para atender aos fiéis, seja espiritual-social ou psicologicamente.

  GUIA-ME: Quais são as principais necessidades da população hoje?

Com as mobilizações de povo de Deus espalhado pelo Brasil, as vítimas da Região Serrana, não tem tido nem falta de alimento nem de roupa, pelo contrário temos a ponto de sobejar. Contudo eles não tem onde morar, onde estocar o alimento a necessidades atual é a reconstrução física da cidade. Diante da destruição muitos ficaram traumatizados, depressivos. O índice de suicídio aumentou muito. Precisamos dar apoio físico, espiritual e psicológico a população.

GUIA-ME : Qual tem sido o papel da igreja no apoio as vítimas das enchentes?

O papel da igreja tem ido muito além do papel do Estado. A união das igrejas tem feito com que alguns tenham um lugar físico para ficar, tem ajudado no conforto diante da dor, tem ido aos locais mais atingidos, enfim a igreja local tem feito aquilo para o qual ela foi estabelecida na Terra.

GUIA-ME: Em que consiste a campanha?

Doar roupas e alimentos é fundamental, sem isso o povo teria morrido de fome, mas é apenas o primeiro passo. Não podemos, nem devemos sustentar cidades apenas dando alimento e roupas, pois assim não teríamos o fim da calamidade.

A campanha visa à restauração dos templos e parte dos muros (uma analogia a Esdras e Neemias). Reconstruindo as igrejas e equipando-as novamente teremos estruturas de locais de abrigo, mas também teremos o apoio de alguém que estará sempre In-loco. Por mais que ajudemos ainda estamos distantes, as igrejas estão lá e de lá não sairão. Serão núcleos de apoio físico e espiritual para que se recobre o ânimo, para que se interceda, para que a ajuda não seja apenas por um tempo, mas sim continua... Afinal esse é o papel dos pastores, ajudar, cuidar, se envolver, acompanhar.

Faremos alguns eventos gospels espalhados pelo Brasil com a função de arrecadar fundos para reconstruirmos as igrejas das cidades. Algumas cidades já estão definidas, como Goiânia, Brasília, Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Muitos empresários e cantores se colocaram a disposição para ajudar sem cobrar nada.

GUIA-ME: Como as pessoas podem ajudar nas doações?

Precisamos de equipamento de som. Microfones, caixas, instrumentos musicais, bancos, móveis, tintas, tijolos, cimentos. Tudo o que é necessário para reconstruir fisicamente um lugar. Estamos mobilizando os micro-blogs nesta campanha que já tem surgido efeito.

Pessoas de peso como Mauricio Soares (Sony Music Gospel) tem se colocado a disposição e tem sido instrumento de Deus nesta restauração, mas é um processo demorado. Reconstrução leva tempo. Passaremos um ano inteiro envolvidos nisso.

Mantemos um blog com fotos e atualizações e também uma lista das urgências daquele mês aqui: http://amoraoproximohoje.blogspot.com/

Se você é filho de Deus, seja líder, pastor, empresário, cantor ou simplesmente uma pessoa de bom coração, você pode ajudar orando, se mobilizando, arrecadando, se colocando a disposição para ministrar ou trabalhar em um dos eventos que teremos espalhados pelo Brasil. Temos postos de arrecadação no Rio e São Paulo. Para maiores informações: [email protected] ou no twitter @felipeheiderich

Por Pollyanna Mattos

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