O papel evangelístico da igreja numa cultura pós-moderna

O papel evangelístico da igreja numa cultura pós-moderna

Atualizado: Segunda-feira, 4 Abril de 2011 as 4:01

Durante os últimos dois anos, publiquei muitas críticas direcionadas a várias tendências que se tornaram populares através do movimento da Igreja Emergente 1. Muitas vezes eu disse que estou convencido de que, apesar de pensar que os cristãos emergentes identificaram corretamente muitos problemas no movimento evangélico, as soluções que normalmente os tipos emergentes sugerem são totalmente equivocadas e demonstravelmente arraigadas no mesmo pensamento modernista defeituoso que levou à dissolução evangélica no passado.

As pessoas ocasionalmente me perguntam se eu tenho alguma sugestão melhor para o ministério nestes tempos pós-modernos.

De fato, eu penso que tenho. Aqui, adaptado do meu seminário sobre pós-modernismo na recente Sheperds’ Conference, está um breve sumário dos meus cinco pontos favoritos.

Precisamos reconhecer a extensão do problema que o movimento de igrejas emergentes está tentando atacar. Durante os últimos cem anos ou mais, o evangelicalismo tem se tornado continuamente mais superficial e mais mundano. Embora o movimento evangélico tenha entrado no século XX com um rugido, enquanto lutava para defender suas mais centrais convicções contra o modernismo e a teologia liberal, ao final do mesmo século, o movimento foi dominado por pessoas que nem sequer mencionavam essas doutrinas fundamentais e certamente não queriam lutar por elas. Por outro lado ficaram encantados com entretenimento e relações públicas - e quase totalmente hostis à pregação bíblica e ao ensino orientado à doutrina.

"O remanescente que ainda existe espalhado por aí ... enfrenta um sério – duplo - problema: uma igreja analfabeta e um mundo crescentemente hostil."Embora o evangelicalismo tenha vencido cada batalha contra o modernismo no século vinte, naqueles campos de batalha em que os evangélicos realmente enfrentaram o inimigo, o movimento acabou capitulando gradualmente diante da ideologia e prática modernista, devido à uma absoluta covardia e apatia. Enquanto isso, os evangélicos cresceram confortavelmente em uma cultura que estava tornando-se cada vez mais secular e mais impenitente a uma taxa incrivelmente rápida. Algum tempo depois de 1975 ou algo assim, o movimento evangélico conseguiu sofrer uma derrota espetacular na guerra de um século contra o comprometimento modernista.

O remanescente que ainda existe espalhado por aí em meio à multidão mista do Movimento Evangélico Moderno enfrenta um sério – duplo - problema: uma igreja analfabeta e um mundo crescentemente hostil.

Não há um caminho fácil para sair dessa bagunça. Minha estratégia começaria com cinco passos vitais: Nós precisamos - 1. Lembrar porque não somos modernistas.

A igreja precisa ver o movimento pós-modernista à luz da sua própria história recente, e nós deveríamos aprender algumas lições da nossa experiência com o modernismo sobre o melhor meio de responder ao pós-modernismo. Já sugeri muitas vezes que quando realmente se analisa o pós-modernismo, percebe-se que ele não é realmente em nada contrário ao modernismo. É só “modernismo 2.0”. Portanto, não compre a mentira de que se você rejeitar o pós-modernismo estará na verdade dando um voto de aprovação ao modernismo. Que tal deixarmos completamente de lado as tentativas de acomodar as mudanças inconstantes da cultura contemporânea e do pensamento mundano? Dêem-me aquela religião dos tempos antigos.

2. Recuperar o papel de ensinar na igreja.

A igreja precisa desesperadamente voltar à Palavra de Deus e à sã doutrina. Não são só os leigos destes dias que são incultos; a maioria dos pastores é grotescamente ignorante de princípios teológicos básicos que gerações anteriores teriam considerado essenciais - verdades fundamentais. A igreja está cheia de mestres que inventam suas próprias doutrinas rapidamente e não vêem nada de errado nessa prática. Não causa surpresa que a igreja como um todo hoje é fracamente equipada para lançar fora até mesmo o mais grosseiro dos hereges.

3. Reenfatizar a certeza da verdade revelada.

O apóstolo Paulo escreveu: "Pois também se a trombeta der som incerto, quem se preparará para a batalha?" (1 Coríntios 14:8). A preferência pós-moderna por ambigüidade e incerteza está seriamente em conflito com a Bíblia. Ela também anda na contramão de toda a lição que a história da igreja ensina. Estude qualquer era de reavivamento ou o estilo de qualquer grande pregador e você descobrirá que coragem e clareza foram suas marcas – jamais características como incerteza, ambivalência, hesitação, oscilação, apreensão, mensagens anuviadas, opiniões inconstantes, autocrítica obsessiva, ou qualquer outra dessas qualidades pós-modernistas falsamente taxadas de "humildade." Uma coisa é compreender as sensibilidades pós-modernas; outra coisa completamente diferente é simpatizar com o pós-modernismo. Estou convencido de que o movimento da Igreja Emergente demonstrou ter simpatia demais com o ceticismo pós-moderno.

4. Restabelecer a santidade em nossa lista de prioridades.

Santificação é uma idéia que parece estar completamente fora da conversação dos emergentes. Um medo quase patológico do "legalismo" impede que tipos emergentes alguma vez questionem se qualquer elemento da cultura pós-moderna é compatível com a semelhança de Jesus Cristo ou não. Hoje em dia tabus são o único tabu restante. Mas quando (por exemplo) tatuagens, charutos, cerveja, pôquer, e outros emblemas elegantes da cultura mundana são considerados como elementos amplamente necessários para um ministério "relevante" entre os homens, eu diria que o pêndulo balançou longe demais contra os perigos do "legalismo". Ninguém se lembra que amar este mundo e conformar-se aos seus gostos (e às suas preferências de mau gosto) também é um pecado perigoso?

"Estude qualquer era de reavivamento ou o estilo de qualquer grande pregador e você descobrirá que coragem e clareza foram suas marcas..."5. Recuperar nossa verdadeira ênfase missionária. O "Viver Missional" 2 como retratado em muitas comunidades emergentes não é um substituto legítimo para o evangelismo real onde o Evangelho é proclamado clara e poderosamente. De fato, nosso foco como evangélicos somente deveria ser a mensagem do Evangelho em si - não simplesmente uma "metodologia". Não se ganha pessoas para Cristo por osmose, e certamente não se ganha ninguém para Cristo somente tentando da melhor forma ajustar-se à sua cultura.

Eu estou começando a odiar a palavra “missional”. Além do fato de que é um jargão inútil, eu suspeito que ele é freqüentemente usado para disfarçar uma estratégia que é de fato anti-evangelística em que o evangelho nem sequer entra em cena, e muito menos torna-se o foco do ministério. Como isso é diferente da estratégia de Paulo! (1 Coríntios 2:1-5).

Se é que estamos realmente preocupados em alcançar os pós-modernos, precisamos lembrar de que nossa única mensagem legítima – a única história que fomos comissionados por Cristo a levar para toda tribo e toda cultura - é o evangelho. E essa não é uma mensagem sobre como a igreja é legal.

Nota sobre o autor:

Phillip R. Johnson é um dos mais atuantes cristãos na rede. Criador do Spurgeon.org e do Hall of Church History, está fortemente associado a John MacArthur sendo seu editor já há muitos anos. É um dos pastores da Grace Communitty Church e membro da diretoria da Martyn Lloyd-Jones Recording Trust. É um batista reformado, forte defensor da fé reformada. Casado com Darlene e pai de três filhos.   Via Teor-logico

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