O problema não é meu!

O problema não é meu!

Atualizado: Terça-feira, 19 Janeiro de 2010 as 12

Hoje (15.01.2010), enquanto assistia o Jornal Nacional, fiquei compungido com as cenas de devastação no Haiti. A cena do resgate de uma mulher encontrada soterrada, mas ainda viva. Apenas o rosto e uma das mãos descobertos. Foi emocionante.

Com muito custo contive as lágrimas. Assim que o jornal acabou, fui impelido a orar por aquele país e clamar pela misericórdia de Deus. Não podemos penetrar as profundezas de Deus e sua soberania. Mas podemos orar, intercedendo pelos sobreviventes. Há um Deus que se importa com eles!

A única certeza que podemos ter é a de que Deus está no controle de todas as coisas. Nada escapa aos seus olhos. Durante minhas súplicas as lágrimas escorriam pelos meus olhos e um pesar tão profundo pelas vítimas tomou conta de mim.

Era como se uma parte de mim estivesse ali. Acho que pude compreender um pouco do amor de Deus por cada alma que se perde. Como está doendo em mim, cada vida que ali foi ceifada. Quantas partiram pelo caminho da vida eterna?

Ainda, agora, enquanto escrevo sinto uma angústia, uma sensação de perda, uma emoção inexplicável me invade. Como se fossem, todos, parentes meus! (na realidade o são - o Senhor, não quer que ninguém se perca).

Ele deve estar profundamente triste. Também devemos nos entristecer!

O Senhor amou a cada um deles. Morreu por cada um deles.

Senti-me culpado!

Somos, na realidade, todos culpados. Servos infiéis, preguiçosos e negligentes; omissos e acomodados. Cristãos de fachada, motivo de vômito; pois não somos nem quentes, nem frios. A monirdão provoca náuseas e consequente vômito.

Não vamos - nem enviamos.

Não contribuímos - nem intercedemos.

Vivemos nossa vidinha inconsequente. "Achamos" que ganhamos a posse de uma gleba no Reino, e assim, nos acomodamos. O famoso: "salve-se eu; o resto que se dane".

Quem irá por nós?

A pergunta que atravessa os séculos e ecoa em nossos ouvidos: "Quem irá por nós"?

A pergunta que não se cala. Soa e ressoa.

Tapamos nossos ouvidos. Fazemos de conta que não estamos ouvindo. Abafamos o eco com muita música gospel, baboseiras e coisas que "fazem cócegas" aos ouvidos.

Poucos ouvem. Poucos se importam. Poucos vão. Poucos contribuem. Poucos oram.

O problema não é meu!

A despeito disso, a voz continua a soar: Quem irá por nós?

Por:    Valdir Cayres Lacerda

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