"O programa foi um insulto", afirma Glória Perez

"O programa foi um insulto", afirma Glória Perez

Atualizado: Sexta-feira, 9 Abril de 2010 as 12

Mãe de Daniela Perez - atriz assassinada no ano de 1996 - a escritora Glória Perez expressou em seu blog, toda a sua indignação quanto ao convite feito pelo apresentador Ratinho a Guilherme de Pádua para uma entrevista exclusiva, no programa deste, no SBT.

Segundo a autora, a justificativa de Ratinho, que alegou pertinência da entrevista, citando a vez em que a jornalista Glória Maria entrevistou pela rede Globo o acusado no mesmo ano do crime não é válida.

''O apresentador [Ratinho] pretendia encontrar uma justificativa no fato de que a jornalista Gloria Maria o havia entrevistado para o Fantástico! Sim, mas essa entrevista é anterior ao julgamento. É de 1996. Todos os criminosos costumam ser entrevistados antes do julgamento, para contar as versões que lhes vierem à cabeça. E o assassino em questão, contou muitas'', protestou.

Além do desabafo, Glória Perez ainda lembrou que se sentiu insultada com a iniciativa do apresentador e acionou seus advogados para iniciar os procedimentos que possam ir contra qualquer desrespeito envolvendo a memória de sua filha.

''Diante da anunciada entrevista, tratei de contatar meus advogados, Arthur Lavigne(criminal) e Paulo Cesar Carneiro (civel), disposta a entrar com todas as medidas cabíveis, no caso de qualquer desrespeito envolvendo a memória da minha filha! (...) A iniciativa do programa foi um insulto a mim e a todas as mães de filhos assassinados. Se deu algum IBope, sr Ratinho -que o lucro lhe seja leve!'', finalizou.

Confira abaixo o post na íntegra

Encerrando o assunto

Essa semana fui surpreendida com a notícia de que um programa de televisão ia entrevistar o assassino Guilherme de Pádua! o apresentador pretendia encontrar uma justificativa no fato de que a jornalista Gloria Maria o havia entrevistado para o Fantástico! Sim, mas essa entrevista é anterior ao julgamento. É de 1996. Todos os criminosos costumam ser entrevistados antes do julgamento, para contar as versões que lhes vierem à cabeça. E o assassino em questão, contou muitas.

Diante da nossa lei, enquanto acusado, a pessoa pode dizer o que quiser para se defender, mentir, caluniar, tudo isso se considera que faça parte do direito de defesa. E Guilherme de Pádua usou e abusou desse direito.

Caso julgado, fatos comprovados, a conversa é outra! agora está sujeito a processos criminais e civeis. Portanto, diante da anunciada entrevista, tratei de contatar meus advogados, Arthur Lavigne(criminal) e Paulo Cesar Carneiro (civel), disposta a entrar com todas as medidas cabíveis, no caso de qualquer desrespeito envolvendo a memória da minha filha!

Esse assassino cruel teve amplo direito de defesa, foi julgado e condenado por homicidio duplamente qualificado no Tribunal do Juri. Portanto, não posso admitir que, 18 anos depois, a título de divulgação pessoal, venha querer fazer seu júri particular no programa do Ratinho.

A iniciativa do programa foi um insulto a mim e a todas as mães de filhos assassinados. Se deu algum IBope, sr Ratinho - que o lucro lhe seja leve!

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