O "x" da intimidade com Deus

O "x" da intimidade com Deus

Atualizado: Terça-feira, 21 Dezembro de 2010 as 3:58

Adolescente e com uma caligrafia muito peculiar, quando meu professor de português não compreendia minha escrita eu me desculpava dizendo –É minha letra! Então ele respondia – A letra não é sua, é de todos. Mesmo assim levei algum tempo para aprender que não faz sentido ir contra um código comum, porque o propósito dele é integrar e não separar as pessoas. Nesses dias de intimidade tão imperscrutável com Deus, parece que cada um inventa sua própria letra, sem se importar se os outros entendem ou não. É um sinal dos tempos, uma marca dessa geração.

A geração X, como alguns sociólogos a denominam, é a maioria ativa nas igrejas agora. Eles nasceram de meados da década de sessenta a meados da década de oitenta. Viveram um período de grandes transformações, em que novas tecnologias ficaram obsoletas em períodos cada vez mais curtos, na eletrônica, na medicina e na indústria; seu mundo passou por inimagináveis transformações políticas; aprenderam que tudo pode ser mudado, variado, modificado e transformado. Para essa geração a mudança é mais do que um evento, é a própria natureza de ser. A vivência nesse estado de transição permanente desconectou as pessoas, fazendo da solidão o estado dominante da alma.

Essa é a geração que deixou as grandes denominações evangélicas, o expansionismo, a conquista do mundo, para se dedicar à devoção em pequenos grupos, e em cultos muito peculiares. Esse é o contingente que flexibilizou a teologia para açambarcar todos os hábitos, costumes e idéias sob a etiqueta gospel. Mudaram tudo e ainda procuram novidades: uma nova unção, um novo título, uma nova campanha, um novo método, que depois mudarão novamente e novamente. Essa é a geração que ouve seus pastores com uma expressão impenetrável. Por traz do sorriso enigmático, filtra tudo e retém apenas o que quer. Tem opiniões próprias e particulares sobre louvor, fé, oração e vida cristã, baseadas naquilo que lhes satisfaz e dá prazer.

Par a par com o mundo, a geração X, dentro das igrejas, estabeleceu a tolerância como suprema virtude espiritual. Defende o direito de ser diferente, viver como quer, como se houvesse adquirido sua salvação por encomenda, sob medida. Chamam isso de intimidade com Deus. Uma intimidade que não pode ser julgada, não pode ser discutida, não pode ser questionada. É a religião particular de cada um, sua adoração sensitiva a um deus interior, politicamente correto, que aceita a todos como são, e que pode ser moldado conforme a mente de seus super adoradores. Mas o Senhor Jesus disse: “vocês os reconhecerão por seus frutos” Mt 7:16. Há uma código comum, uma letra que é de todos, há um padrão pelo qual todos somos lidos e julgados. De fato, o mundo e as coisas que no mundo tem valor, passam. Essa era de mudanças estava prevista, e não deveria nos surpreender, mas aqueles que deixam de lado sua vontade particular para fazer a vontade de Deus, estes permanecem para sempre. A geração “x” deve superar o impacto da mudança em sua psicologia, e estabelecer-se firmemente sobre o imutável fundamento da Palavra de Deus. Porque os céus e a Terra passarão, mas a Palavra do Senhor é sempre a mesma. Essa palavra é que fomos enviados a pregar!

Publicado anteriormente no site www.evangelizabrasil.com .

José Bernardo , 46, casado com Vasti e pai de João Marcos e Isabella, é pastor, escritor e conferencista. Depois de uma significativa carreira em marketing, e bem sucedido pastorado, fundou, no ano 2.000, a missão AMME Evangelizar, com o propósito de ajudar as igrejas evangélicas brasileiras a cumprir a Grande Comissão. Sob sua liderança a AMME já ajudou mais de 30.000 igrejas a apresentar o Evangelho a mais de 90.000.000 de pessoas e agora avança para os outros países de língua portuguesa.  

Site:   www.evangelizabrasil.com .

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