Opressão de mulheres gera uma sociedade doente, afirmam teólogas

Opressão de mulheres gera uma sociedade doente, afirmam teólogas

Atualizado: Sexta-feira, 20 Agosto de 2010 as 11:11

 Teólogas e pastoras conclamam igreja e sociedade a repudiarem e combaterem toda forma de violência contra a mulher, o femicídio, o tráfico, a exploração sexual e a feminização da pobreza. Elas também denunciam o processo de invisibilização da produção intelectual de mulheres na academia e em instituições eclesiásticas.

“A opressão sobre as mulheres está gerando uma sociedade doente. Desde a mais tenra infância há um constante decréscimo de sua auto-estima com a banalização do corpo”, assinala o documento “Fortalecendo e tecendo as nossas redes”, emitido pela Rede de Teólogas e Pastoras, que esteve reunida em São Paulo, nos dias 28 a 30 de julho.

O desenvolvimento precoce da sexualidade “começa com a falta de consciência da própria família e permite a aceleração da influência externa”, apontam teólogas e pastoras no documento. A comunicação, analisam, também produz modelos sociais patriarcais e abusivos, “convertendo sujeitos de ação em objetos”.

A omissão e a conivência de igrejas e sociedade no combate à violência de gênero fazem parte da herança cultural colonizada, que precisa sofrer uma mudança de paradigma, valorizando a educação de direitos e a incidência em políticas públicas para a erradicação daquela realidade.

Elas se comprometem a dar visibilidade ao saber produzido por mulheres, também no campo da teologia e do fenômeno religioso, para quebrar a barreira do silenciamento desses trabalhos.

A concentração de homens no exercício do poder e instâncias decisórias, inclusive na Igreja, arrolam pastoras e teólogas no documento, “é um indicador da desigualdade institucional de gênero”. Elas pedem a revisão da política que exclui e a criação de mecanismos de inclusão das mulheres nas instâncias decisórias, visando um modelo de poder compartilhado, democrático e transparente.

O encontro foi promovido pela Pastoral das Mulheres e Justiça de Gênero do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), que contou com o apoio da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, da Divisão de Mulheres da Junta Geral de Ministérios Globais, da Igreja Reformada de Aargau e da Obra Missionária de Basel, Alemanha, da Comunidade Teológica Evangélica do Chile e do Conselho de Igrejas Evangélicas Metodistas da América Latina e do Caribe (Ciemal).

As 40 participantes do evento fizeram uma análise da realidade e das novas teologias, recuperaram memória histórica e refletiram sobre questões bíblico-teológicas relevantes no contexto continental.

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