Ovelhas perdidas, Pastores omissos

Ovelhas perdidas, Pastores omissos

Atualizado: Quinta-feira, 14 Julho de 2011 as 11:35

Uma das maiores histórias das sagradas escrituras fala de um pastor que tendo 100 ovelhas no aprisco foi à procura de uma ovelha que fugiu do mesmo, pois havia percebido a sua falta entre as demais. Em sua busca incessante ele foi ter com ela para resgatá-la e trazer de volta ao seu lar junto com as 99 que ficaram. O pastor teve todo o cuidado em resgatar a ovelha, teve cuidado em se interessar pela ovelha perdida e, com felicidade a trouxe de volta. Um esforço teria de ser feito. Uma atitude teria de ser tomada. Todas as ovelhas tinham igual importância neste aprisco e a falta de uma seria que como se faltasse um pedaço fundamental aquele convívio. As ovelhas podem estar ao nosso redor todo o dia.

As ovelhas são as pessoas que fogem de si mesmas. São as pessoas que, por decepções, por tristezas, saem de um mundo real sem forças de lutar e partem para um mundo totalmente desprotegido e desconhecido. Pessoas que fogem para o centro do nada. Ali não há proteção. Fogem para o fundo do poço. Tomam as decisões mais incertas, equivocadas, impulsivas e não chegam a lugar nenhum. Tais decisões são a mascara de um falso conforto que causa uma insônia profunda recheada de dor, medo e depressão. Pessoas fogem e correm para o escuro. Pessoas erram o alvo. Pessoas, ao fugir, pedem carona e fazem alianças com seus próprios inimigos. São as ovelhas perdidas em si mesmas. Pessoas tentam chegar a um destino para descobrir uma vida que nunca terão.

Onde estão os pastores? Jantando com as outras 99 ovelhas? Estão nos banquetes de honra e nas alegrias da individualidade. Será que a ovelha fugiu e eles ainda pensam que elas estão ao seu redor e felizes? Pessoas formam pessoas, ovelha gera ovelha; pessoas acrescentam pessoas; pessoas resgatam pessoas. Ninguém, em zona de conforto sai de sua cama quente e perfumada para buscar outra pessoa no ardor do frio. Pessoas sem senso de vida não largam as quatro paredes de seu egoísmo para se dedicar a quem sofre sem que ninguém as perceba, pois seus gritos silenciosos já não são mais ouvidos. Ninguém se dispõe e vai ao relento escuro e sombrio na outra realidade para doar seu tempo em prol de um sorriso.

Será que algumas pessoas não têm tempo pra isso? Mais cômodo é ficar na festa com as 99 ovelhas. Ser bajulado. Tudo estará confortavelmente bem. Nesta festa seus argumentos estendem se ao fato de atribuir a ovelha perdida a responsabilidade e interesse em retornar ao aprisco e, não de buscá-la no lugar da podridão em que se encontram: fracas, sem forças, sem consciência. Isso sim é difícil e é somente para os verdadeiros pastores. Será que sabem que uma ovelha só esta perdida porque ficou cega, surda e fraca e não sabe mais como retornar? Precisa de suporte, precisa de ajuda. Sem isso não retornarão mais. Precisam ser resgatadas, precisam dos pastores, precisam de gente que entende de gente, precisam de entendimento de que a fraqueza as afasta, mas o pastor tem o alimento que as fortalece. Temos de levar alimento a elas.

Pra quem levamos o alimento da alegria hoje? Onde estão os famintos? Quem fomos resgatar hoje? Estamos surdos ou omissos? O que fizemos com a nossa sabedoria e intelectualidade. Não se pode comemorar um banquete sem a presença de uma ovelha perdida. Todos nós somos pastores e ao nosso redor ouvimos tudo das ovelhas. Algumas estão a nossa volta e podem estar silenciosas, outras já foram embora e não percebemos a sua ausência. Elas não sabem mais o caminho, elas estão perdidas, repito: perdidas.

veja também