Pais aproveitam férias escolares para espionar os filhos

Pais aproveitam férias escolares para espionar os filhos

Atualizado: Domingo, 10 Julho de 2011 as 10:25

Nas férias de julho --longe do controle da escola--, abre-se uma temporada "favorável" aos detetives particulares. Segundo a Central Única Federal dos Detetives do Brasil, dez famílias procuraram o serviço este mês em Brasília e em São Paulo. A informação é dos repórteres Giba Bergamim Jr. e Diana Brito, publicada na Folha deste domingo.

Apesar do órgão não tabular os casos nos outros meses do ano, a percepção dos detetives é que em julho esse tipo de trabalho aumenta. Do detetive, os pais esperam uma explicação para o fato de os filhos com idades entre 15 e 17 anos terem optado por ficar sozinhos em casa em vez de viajar com os pais. São várias as preocupações com os adolescentes, a maioria de classe média: consumo de drogas, namorado novo, rotina, amigos e até saber se o filho é homossexual. Os pais podem escolher a vigilância diária do filho, a instalação de programas de monitoramento no celular, no computador, no carro e até no forro de uma mochila. Com microfilmadoras na lapela, dois detetives ficaram por um mês na cola do adolescente G., 16, para descobrir que ele usava maconha e ecstasy. Eles foram contratados por R$ 3.500 pelo pai do garoto. O detetive Luiz Gomes conta que, em 2010, atendeu 15 clientes desconfiados das atitudes dos filhos, no Rio. No primeiro semestre deste ano, já chega a 12 o número de casos, sendo quatro deles relacionados à homossexualidade dos adolescentes. CRÍTICAS Apesar de estar se tornando cada vez mais comum, a contratação de detetives para monitorar a vida dos filhos é criticada por especialistas, que acreditam que a ação é uma violação do direito dos adolescentes e um sinal de que o convívio familiar não vai nada bem. O desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Siro Darlan --que trabalhou 14 anos como juiz na 1ª Vara da Infância e Juventude-- classifica a vigilância dos filhos como um ato de "violência" dos pais. O chefe da Psiquiatria Infantil da Santa Casa do Rio de Janeiro, Fábio Barbirato, explica que as consequências do ato dos pais pode gerar problemas ainda maiores para a vida familiar do que as suspeitas que originaram a vigilância.  

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