Paquistão declara 3 dias de luto pelo assassinato do ministro cristão

Paquistão declara 3 dias de luto pelo assassinato do ministro cristão

Atualizado: Quinta-feira, 3 Março de 2011 as 1:15

O Governo do Paquistão declarou nesta quinta-feira três dias de luto oficial pelo assassinato do ministro de Minorias, o cristão Shahbaz Bhatti, crítico às leis anti blasfemia do país.

O premiê, Yousuf Raza Gillani, revelou que na sexta-feira as bandeiras paquistanesas ondearão a meio mastro nos prédios oficiais e lembrou que a faixa branca da insígnia nacional simboliza as minorias.

Segundo o canal televisivo "Express", o corpo de Bhatti, atingido na véspera por homens armados em um bairro de Islamabad, será transferido nesta sexta-feira à localidade natal, perto da cidade de Faisalabad, na província oriental de Punjab.

As autoridades ainda não anunciaram quando será o sepultamento.

Guilani conversou com o titular do Interior, Rehman Malik, outro dos quais estão no ponto de mira dos fundamentalistas, e apostou por reforçar a segurança ao lembrar que os "elementos antiestatais" estão atacando importantes figuras paquistanesas.

A falta de proteção a Bhatti e o governador de Punjab, assassinado em janeiro em Islamabad por um de seus guarda-costas, abriu um debate sobre a segurança dos políticos críticos do fundamentalismo islâmico.

Consultada pela Efe, uma fonte policial da capital paquistanesa garantiu que dois "suspeitos" foram detidos, mas acrescentou que continuam as buscas aos autores do crime.

A Polícia elaborou um retrato-falado de um dos supostos assassinos, que foi publicado pelos jornais paquistaneses.

Precisamente, Guilani referiu-se nesta quinta-feira ao papel da imprensa neste tipo de caso e lembrou que "não há diferença entre o assassinato de um muçulmano" e de um seguidor de outra crença.

"Os meios de comunicação têm um papel importante para derrotar os planos dos elementos extremistas", declarou.

A imprensa paquistanesa, especialmente os jornais em urdu, deram durante as últimas semanas uma extensa cobertura das manifestações a favor das leis anti blasfemia e dos éditos emitidos por clérigos islâmicos.

Bhatti estava empenhado em reformar as leis e recebeu diversas ameaças de morte que não o fizeram adotar um perfil mais conservador ou renunciar a desferir pronunciamentos em público, o que fizeram outros políticos.

O ministro enviou um vídeo à rede britânica "BBC" que deveria ser exibido em caso de ser assassinado.

Na gravação, Bhatti rejeitou a "filosofia radical" dos talibãs e da rede terrorista Al Qaeda e garantiu estar disposto a "morrer para defender os direitos" das minorias religiosas, em particular os de sua comunidade.

"Conheço o significado da cruz", disse.

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