Pará: Projeto leva religião para ressocializar presos

Pará: Projeto leva religião para ressocializar presos

Atualizado: Segunda-feira, 20 Dezembro de 2010 as 8:42

 Proporcionar aos detentos mais do que diz a lei de exigências penais, dando apoio jurídico, religioso e também assistência aos familiares, a fim de dar mais chances ao êxito na ressocialização. Isto é que objetiva o projeto “100% Liberdade”, realizado há dois anos pela Igreja do Evangelho Quadrangular em parceria com a Superintendência do Sistema Penal (Susipe), que escolheu a manhã do último sábado, para promover uma programação socioeducativa com os detentos e seus familiares.

O local escolhido foi a Central de Triagem da Marambaia, onde o projeto iniciou. “Assumi a direção daqui e na mesma época conheci o Pastor Walber e o trabalho que ele desenvolvia com ex-detentos na Igreja, então resolvemos unir forças”, relembrou o capitão Marco Sirotheau. “Em outubro do ano passado foi realizado o primeiro batismo e hoje, dos 120 detentos, 70% são evangélicos, o que tornou o local mais tranquilo, sem rebeliões, motins ou fugas”, completa.

Antes de se tornar pastor, Walber ficou encarcerado por sete meses e observou que muitos dos colegas de cela tinham possibilidades de reintegração total à sociedade. “Eles ficam revoltados não só por estarem presos, mas por deixar a família em dificuldade e à mercê de traficantes. Então quando saem da cadeia, já estão endividados, e sem ter equilíbrio e tranquilidade, é mais fácil voltar ao crime.” Segundo o pastor, 43 ex-detentos integram o ‘100% Liberdade’, visitando os detentos e suas famílias para levar apoio e evangelizar. Aproximadamente 20 deles estão trabalhando em empresas parceiras do projeto, ou em iniciativas como a Fábrica Esperança. “Sabemos que eles precisam ter direito à saúde, assistência jurídica e ações educacionais, mas também achamos que é importante dar espaço para as religiões e projetos como este da Igreja Quadrangular, que resgatam a fé e dão auxílio às famílias, fornecendo cestas básicas e trabalhando pela ressocialização do preso e inclusão no mercado de trabalho”, apontou Justiniano Alves Jr. superintendente da Susipe.

  Batismo Em meio às águas que transbordavam da piscina colocada no pátio da Central de Triagem, 30 detentos foram batizados enquanto lágrimas molhavam os rostos dos seus familiares: “Eu e a nossa filha de cinco anos aguardamos ele aqui fora. Acho o projeto tudo de bom e acredito que o batismo é importante para ele ter fé e acreditar que as coisas vão melhorar”, contou Rosana, esposa de Paulo Sérgio, que está há dois meses detido na Central de Triagem por tentativa de homicídio. “Eu estou feliz e acredito que tudo acontece na hora certa e que a partir de agora começo uma nova vida. Meu advogado é o senhor”, conta Paulo Sérgio.

Deputado e pastor da Igreja Quadrangular, Josué Bengtson acredita que o trabalho do pastor Walber om o ‘100% Liberdade’ com as famílias é tão importante quanto o que é feito dentro da prisão, e que a pretensão é expandi-lo para todas as cadeias do Pará.

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