Participação de religiosos na política não engrandece e nem traz benefício, diz candidato na Paraíba

Participação de religiosos na política não engrandece e nem traz benefício, diz candidato na Paraíba

Atualizado: Sexta-feira, 3 Setembro de 2010 as 2:40

Para esclarecer o tema e não tornar o artigo “Religiosos na Política – Todos calçam 40”, uma critica direta ao arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, o candidato a deputado federal pelo PSOL, José Rodrigues, esclareceu, na tarde desta quinta-feira (03), que o texto é uma critica a participação de todos os religiosos na política e não apenas a pessoa do arcebispo.

Para o candidato, a presença de qualquer que seja o religioso até agora, na historia da política paraibana, não trouxe nenhum tipo de beneficio a população.

“Enquanto dentro da Igreja esses religiosos pregam o evangelho, fora delas muitos estão envolvidos em estruturas corruptas”, disparou, lembrando o envolvimento do PT, do padre e deputado Luiz Couto, no mensalão.

Confira:

Religiosos na Política – Todos Calçam 40

A participação de religiosos na política tem aumentado tanto quanto o crescimento e surgimento de diferentes igrejas ou religiões. Acreditamos que isto pode ser benéfico, desde que o papel de religiosos seja fundamental para moralizar e tornar mais ético o papel da política, além de intensificar o trabalho de combate às desigualdades sociais. Contudo, não é perceptível o benefício da participação destes religiosos, considerando os indicadores acima citados, tendo o trabalho deles muitas vezes se confundido com as estruturas corruptas de alguns partidos políticos, onde se registram esquemas de mensalões. A Ética e a Moral cristão tão ricamente desenhada por Santo Tomás de Aquino na Suma Teológica nos ensina magistralmente que os cristãos, sobretudo, devem seguir o que Jesus nos ensinou, e procurar viver longe do falso moralismo, de atos desonestos que maculam e escravizam a consciência cristã. É de se perguntar qual a diferença entre a ética e a moral humana em suas vertentes religiosas e políticas? Por que estes religiosos não defendem uma reforma política que permitam eles se candidatarem sem estarem ligados a Partidos Políticos, muitas vezes envolvidos em esquemas sujos? Não se pode defender a ética e a verdadeira participação da sociedade na política, quando se está engajado e defendendo partidos políticos, muitas vezes envolvidos em esquemas de mensalões. Neste caso, as candidaturas de religiosos deveriam ser avulsas e a atuação deles deveria ser diferenciada do ponto de vista ético. Candidaturas avulsas fazem parte da democracia em muitos países. Até que seria compreensivo a participação de representantes de igrejas em guias eleitorais, desde que fosse para exigir que este ou aquele candidato, sendo eleito, tirasse a população mais pobre dos esgotos, oferecesse uma educação de qualidade aos mais pobres e combatesse o uso da máquina pública nas campanhas eleitorais, denunciando a promiscuidade dos processos eleitorais. A participação de religiosos em guias eleitorais com o propósito apenas de bajular o poder é vergonhoso e anti-ético. Por mais que queiramos ver a participação de religiosos na política como sendo um bom exemplo, isto se dá mais por medo do peso da hierarquia de nossa igreja do que por uma análise aprofundada dos males e perversidades praticados por eles, que muitas vezes nos acovardamos em fazê-la. Estou me limitando a citar exemplos apenas de minha igreja, visto que já vivenciei atrocidades contra a minha pessoa. Juntamente com o professor Francisco Barreto, como católicos, na eleição municipal de João Pessoa de 2008, parecia que estivéssemos vivendo na Idade Média, quando a Igreja Católica praticava várias perversidades, mas tudo aquilo ainda era visto como sendo santo, a exemplo das chamadas guerras santas. A participação do arcebispo de João Pessoa, Dom Aldo Pagotto, num guia de um candidato do Poder foi somente para menosprezar as nossas candidaturas, num claro exemplo de bajulação de poder. Sua Eminência, o Arcebispo da Paraíba, não entendeu que os desastres éticos e morais do presente na política devem ser superados recorrendo a vontade e a fé fundada na proteção de Deus longe da servidão dos falsos prazeres manipulados pela mesma política, e não sendo mundanamente parcial. Como católico, sinto-me envergonhando em ver um representante da Igreja Católica, participando de guia eleitoral deste ou daquele candidato, a exemplo do que aconteceu na eleição municipal de João Pessoa. Pelos comentários da imprensa, foi estranha ainda a atitude de D. Aldo Pagotto em relação à perda do mandato de Cássio C. Lima, insinuando contra a legalidade do ato e conclamando a população a se insurgir contra um ato juridicamente perfeito. A parcialidade de Sua Eminência põe em dúvida a histórica expressão popular “recorrer ao Bispo”. É impressionante como estes religiosos se omitem em casos de casuísmos, quando isto é somente para beneficiá-los. Vejam o que aconteceu aqui na Paraíba, há pouco tempo, quando uma lei brasileira foi modificada com o propósito de beneficiar a re-eleição do atual reitor da Universidade Federal da Paraíba, que não poderia ser candidato, pela lei anterior, porque não tinha a devida qualificação, ou seja, não tinha o título de doutor. Isto foi um casuísmo anti-ético e vergonhoso da cena política brasileira para beneficiar a re-eleição de um ou outro reitor. Onde estavam os políticos religiosos, sobretudo da Paraíba? Hoje a Paraíba talvez seja o único Estado do Brasil a ter dois reitores sem a titulação de doutor, nas universidades federais, como era exigido pela lei anterior. Estes e outros exemplos nos levam a concluir que a participação de religiosos na política é somente para tirar proveito do que lhes interessa, não se diferenciando dos demais políticos. Como diz o velho ditado da política brasileira: Todos calçam 40.

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