Pastor abençoa casamento coletivo em penitenciária

Pastor abençoa casamento coletivo em penitenciária

Atualizado: Segunda-feira, 18 Outubro de 2010 as 4:38

Treze reeducandos da Penitenciária Juiz Plácido de Souza PJPS, em Caruaru, no Agreste do Estado do Pernambuco, participaram de uma cerimônia de casamento coletivo com a presença de mais de 150 convidados. No altar, os noivos aguardavam ansiosos pelas noivas, já que, como é de costume em uma cerimônia matrimonial, houve atrasos.

A cerimônia foi oficiada pelo pastor da Igreja Batista Cícero Bismach. De lá, convidados e noivos dirigiram-se para a recepção, onde foram surpreendidos com a presença de uma orquestra. E, como pede a tradição, os recém-casados dançaram a valsa com direito a chuva de prata, brindaram e cortaram o bolo.

Além de fazer parte nas ações de ressocialização da penitenciária, a celebração serviu para que os outros reeducandos possam verificar a importância da família na vida das pessoas. Inclusive, muitos deles se engajaram na preparação da solenidade, que teve a presença do secretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Roldão Joaquim.

Para o juiz, Marcelo Ugiette, a realização do casamento coletivo garante o direito da união civil aos reeducandos e a perspectiva de um novo futuro. "Quando o preso recebe uma pena, não são tirados deles todos os direitos do cidadão e estes devem ser preservados. A união matrimonial é um dos serviços que o Estado oferece e representa um instrumento de ressocialização", afirmou.

A festividade possibilitou a José Cristiano, 23, realizar o sonho dele e da vendedora Adélia Oliveira, 21. "Nunca teríamos a oportunidade de ter um casamento como este. Decidimos nos casar quando soubemos da possibilidade", afirmou o detento. Já para Severino Silva, 39, e Rosilda Melo, 39, a espera pelo dia do casamento durou mais de um ano. "A ansiedade da espera foi grande, mas finalmente aconteceu. É uma oportunidade que aparece uma vez só nas nossas vidas", comemorou a noiva.

Eventos como este são comuns na PJSP, já que a penitenciária busca oferecer tratamento mais humano aos detentos. Nas palavras da diretora da instituição, Cirlene Rocha, a iniciativa representa só mais um passo em busca da ressocialização: "Aqui, são trabalhados quatro pilares fundamentais: educação, trabalho, família e religião. O casamento coletivo está diretamente ligado ao fortalecimento dos laços familiares dos reeducandos, o que é crucial neste processo".

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