Pastor adventista comenta o convívio da igreja com traficantes do Rio

Pastor adventista comenta o convívio da igreja com traficantes do Rio

Atualizado: Quinta-feira, 2 Dezembro de 2010 as 4:42

A onda de violência na cidade do Rio de Janeiro ganhou espaço na mídia nos últimos dias, bem como o poder e a ousadia dos criminosos.

Assim como várias outras igrejas evangélicas, a Igreja Adventista da Promessa também tem alguns templos no Rio de Janeiro.

No último final de semana, 26, 27 e 28 de novembro, aconteceu a 46ª Assembleia Geral da IAP, em Sumaré-SP, e o pastor Williams Corrêa Soares, superintendente da região do Rio de Janeiro esteve presente. O Guia-me perguntou a ele sobre a convivência da igreja com a violência na cidade. Confira:

Guia-me: A Igreja Adventista da Promessa tem templos próximos aos locais dos recentes ataques dos criminosos?

Pr. Williams: Temos várias igrejas. Temos a igreja de Duque de Caxias, de São João do Meriti, igreja de Mesquita, Vicente de Carvalho, a sede regional que fica próxima de onde eu moro, e são os piores bairros em que estão acontecendo esses problemas no Rio de Janeiro.

Guia-me: Pelo o que o senhor vê e acompanha, é desse jeito que a mídia passa ou há um certo exagero?

Pr. W: Não há nenhum exagero da mídia, quem sabe, seja até um pouco pior.

As pessoas que são de lá acham isso meio normal, mas pessoas que são de fora e trabalham lá não têm segurança nenhuma. A mídia tem razão, o que ela mostra é verdadeiro mesmo. Os bairros do Rio de Janeiro são loteados pelo pessoal do tráfico.

Guia-me: Como orientar a igreja quanto a esse convívio?

Pr. W: Temos uma igreja em Coelho Neto, dentro da chamada favela. Dia de sábado, quando vamos para a igreja, o pessoal do tráfico está armado em frente à igreja e nós temos que dar bom dia e entrar.

A igreja, em alguns momentos, é orientada, porque muitos irmãos moram ali e convivem com essa situação. Mas tudo tem que ser discretamente, não pode ser muito público, porque, muitas vezes, têm alguns deles infiltrados nos cultos. Tem que ter muita sabedoria até para instruir bem os irmãos e para não ter problemas.

Guia-me: Já houve algum caso em que o senhor se viu em uma situação delicada?

Pr. W: Já aconteceu deles pedirem o segundo andar de uma igreja para fazerem a reunião deles, não teve como dizer não e eles fizeram a reunião. Da outra vez vieram pedir para o pastor local e ele, com muito jeito, pediu para que eles não fizessem e eles aceitaram; mas já fizeram reuniões, já entraram – com e sem autorização.

Já houve casos de a polícia estar perseguindo alguns deles e eles entrarem na igreja e ficarem como crentes na hora do culto, pois a polícia não ia entrar na igreja.

Guia-me: É possível manter uma convivência respeitosa?

Pr. W: Eu, que não sou de lá, mas que já me conhecem em alguns lugares, eles respeitam.  Ando sempre com a Bíblia exposta e eles respeitam o pastor e os irmãos da igreja.

 Por Juliana Simioni

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