Pastor ameaça reconsiderar decisão de não queimar Alcorão após acordo ser desmentido

Pastor ameaça reconsiderar decisão de não queimar Alcorão após acordo ser desmentido

Atualizado: Sexta-feira, 10 Setembro de 2010 as 3:27

O pastor da Flórida Terry Jones disse nesta quinta-feira que mentiram para ele e que, por isso, está reconsiderando sua decisão de não queimar o Alcorão. Mais cedo, o líder da pequena igreja evangélica Dove World Outreach Center, na cidade de Gainesville, anunciou ter suspendido seu polêmico projeto de queimar 200 cópias do livro sagrado do islamismo no próximo sábado, nono aniversário dos ataques de 11 de Setembro.

Jones alegou ter feito um acordo com líderes muçulmanos que planejam construir um centro cultural islâmico e uma mesquita perto do local dos atentados de 11/9, em Nova York. O projeto recebe forte oposição entre conservadores nos EUA. Porém, os líderes muçulmanos diseram que não foi feito nenhum acordo para mudar o lugar da construção.

O imã Muhammad Musri fala em entrevista coletiva na Flórida, enquanto o pastor Terry Jones escuta

"O imã concordou em mudar a mesquita de lugar, concordamos em cancelar o evento [de queima do Alcorão] no sábado", disse Jones a jornalistas, do lado de fora de sua igreja. Ele estava acompanhado pelo imã Muhammad Musri, presidente da Sociedade Islâmica da Flórida Central. "Eu, com o imã [Musri], pegaremos um voo para lá [Nova York] no sábado para encontrar com o imã [Feisal Abdul Rauf] na mesquita do Ground Zero", disse Jones.

Porém, fontes próximas ao imã de Nova York, Feisal Abdul Rauf, disseram que não houve nenhum acordo para mudar o local de construção do centro islâmico.

O próprio Musri também afirmou que nenhum acordo foi feito para mudar o local de construção da mesquita. Segundo ele, a oferta foi apenas de organizar uma reunião entre o reverendo Jones, o imã de Nova York e ele mesmo, para conversarem sobre a localização da mesquita.

"Estou grato que o pastor Jones decidiu não queimar nenhum Alcorão. Porém, eu não conversei com o pastor Jones", diz Musri em comunicado. "Estou surpreso pelo anúncio deles. Não vamos brincar com nossa religião ou outra. Também não vamos fazer permutas. Estamos aqui para estender nossas mãos para construir paz e harmonia."

Ele disse ter contado a Jones que também não concorda com a construção da mesquita perto do "Ground Zero", e que fará tudo que está a seu alcance para mudar o local.

Ao ser informado sobre a negativa do acordo, Jones reagiu. "Agora só estamos pondo uma suspensão temporária em nosso evento planejado", disse Jones. "Aceitamos a suspensão porque, neste momento, estamos verdadeiramente decepcionados e muito afetados, porque se isso é verdade, ele [Musri] mentiu para nós muito claramente", disse. "Seríamos obrigados a reconsiderar nossa decisão, porque cancelamos [o plano] com base em sua palavra. Entendo que agora está voltando atrás dizendo que não disse isso."

POLÊMICA

Os planos de queimar 200 cópias do livro sagrado do islamismo --religião que Jones considera um perigo mundial-- já haviam atraído duras críticas de Washington e o próprio presidente Barack Obama pediu mais cedo na televisão que o pastor desista deste "ato destrutivo".

Jones protagoniza há anos uma dura campanha contra o islamismo, que rendeu até mesmo o livro "Islam Is of the Devil" ("Islã É do Demônio", em tradução livre). Nele, Jones conta que a religião islâmica é um risco à liberdade de todas as nações e tem como preceito a opressão e a violência. Sua causa, contudo, ganhou o mundo após começar a divulgar na internet a proposta para a data anual de queima do Alcorão e levou o alto escalão dos Estados Unidos a reagir.

A Interpol pediu ainda que qualquer país que receba informações sobre ameaças específicas entre em contato com sua sede, que estará "24 horas em alerta".

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