Pastor critica união homoafetiva em discussão sobre o "Estatuto das Famílias"

Pastor critica união homoafetiva em discussão sobre o "Estatuto das Famílias"

Atualizado: Quarta-feira, 12 Maio de 2010 as 4:46

A audiência pública para discutir o projeto que institui o "Estatuto das Famílias", na Câmara dos Deputados, se transformou num embate acirrado entre defensores da união homoafetiva e religiosos.

A possibilidade do reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo e a adoção por casais homossexuais não constam do texto em análise pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), tendo sido retiradas do projeto na comissão anterior. Mesmo assim, essa foi a tônica do debate da manhã desta quarta-feira.

Em certos momentos os convidados se exaltaram. O pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, afirmou que não é qualquer prática social que deve ser incluída na lei. "Não estamos aqui para contraditar ou impedir ninguém de ter a sua prática. [Mas] todo ser humano precisa de limites. Não querem botar limites, então qualquer tipo de comportamento que tiver um grupo de pessoas, dos mais bizarros e loucos, vamos ter que aprovar", disse.

Momentos depois, Malafaia afirmou: "Vamos liberar tudo. Vamos colocar na lei tudo o que se imaginar: quem tem relação com cachorro, vamos botar na lei. Eu vou apelar aqui. É um comportamento, ué, vamos aceitar. Quem tem relação com cadáver, é um comportamento, vamos botar na lei."

Frente ao assombro de parte dos presentes, Malafaia completou: "Estão espantados? Vão discriminar [quem mantém relação com animais e cadáveres]? Então, vamos colocar tudo na lei. E onde vai parar a sociedade brasileira?"

O plenário estava cheio, com a plateia formada principalmente por evangélicos. Havia faixas que pediam pela manutenção da "família tradicional", formada por casais heterossexuais.

Em sua fala, a deputada Manuela d'Ávila (PCdoB-RS) defendeu que o Congresso Nacional abra os olhos para a realidade brasileira, abraçando as novas formas de famílias constituídas, como a formada por casais do mesmo sexo. "Percebo um esforço de não se criar uma realidade imaginária", disse, referindo-se aos defensores da proposta original.

O projeto conhecido como "Estatuto das Famílias" foi produzido pelo IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família) e propõe tirar do Código Civil os artigos que tratam de família, alterando pontos específicos. O projeto é terminativo na CCJ da Câmara, se não houver recurso, devendo ser encaminhado ao Senado após aprovação pela comissão.

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