Pastor evangélico estampa cédulas de moeda social na Cidade de Deus

Pastor evangélico estampa cédulas de moeda social na Cidade de Deus

Atualizado: Sexta-feira, 12 Agosto de 2011 as 10:06

O real vai ganhar um concorrente num bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. O CDD, moeda do Banco Comunitário da Cidade de Deus, começa a circular no dia 15 de setembro, junto com a inauguração da nova e primeira instituição financeira deste tipo da capital fluminense.

O banco terá um capital inicial de R$ 30 mil. Além de serem estimulados a gastar dentro da própria comunidade, os clientes também poderão pedir empréstimos sem juros para dar início a novos negócios. A proposta é gerar riqueza dentro do próprio território. Os moradores que optarem por empreendimentos locais terão descontos a partir de 5%.

O projeto foi concebido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Solidário (Sedes) e conta com parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Instituto Palmas, de Fortaleza. O Sebrae no Rio de Janeiro atua para estimular a formalização e a educação empresarial.

Os moradores da Cidade de Deus estão participando ativamente de todas as discussões e são os responsáveis pelo nome do banco e das personalidades que serão estampadas nas cédulas: um padre, uma mãe de santo, um pastor evangélico e uma líder comunitária que cuida de dependentes químicos e adolescentes grávidas.

O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Henrique da Costa, avalia que a escolha dos homenageados, além de simbolizar a tolerância e o sincretismo religioso, representa ainda a adesão à proposta. “Eles me contaram que queriam homenagear os próprios heróis. O banco comunitário é uma poderosa ferramenta social para transformação ampla dos territórios, mas, para que seu alcance seja pleno, é preciso dar aos moradores o papel de protagonistas”.

Modelo cearense O banco foi inspirado no Banco Palmas, criado em 1998 para beneficiar mais de 30 mil moradores do conjunto Palmeira, periferia de Fortaleza. A ideia deu tão certo que, cinco anos depois, foi criado o Instituto Palmas para disseminar a metodologia, que inclui concessão de empréstimos sem exigência de cadastro, comprovação de renda ou fiador - a avaliação do proponente é feita pelos vizinhos.

A iniciativa na Cidade de Deus faz parte do Rio Ecosol, projeto que abriga diversas ações de apoio à iniciativa solidária. O Complexo do Alemão e a Mangueira, zona norte, serão as próximas comunidades cariocas a ter um banco comunitário. Segundo o cronograma da Sedes, as agências serão inauguradas no primeiro semestre de 2012. No Brasil, já existem mais de 50 bancos deste tipo.    

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