Pastor fala sobre assassinato de secretário da Saúde evangélico

Pastor fala sobre assassinato de secretário da Saúde evangélico

Atualizado: Terça-feira, 2 Março de 2010 as 12

No title Na noite desexta-feira, dia 26, o secretário de Saúde de Porto Alegre (RS), Eliseu Santos, foi assassinado ao sair de um culto evangélico. Ele foi baleado diante da mulher e da filha, depois de ter recebido ameaças de morte. O senador Paulo Paim (PT-RS) , que esteve no velório, disse que Eliseu dos Santos, seu amigo pessoal, filiado ao PDT, era um "homem digno" que fazia um trabalho reconhecido.

Médico ortopedista, ele dedicou sua vida à saúde, continuou Paim. Em 1992, foi eleito vereador; em 1994, deputado estadual, reeleito em 1998. Em 2005, foi eleito vice-prefeito de Porto Alegre e, em 2007, assumiu a Secretaria de Saúde, "onde implantou uma agenda de mudanças no sistema de saúde da capital gaúcha".

O senador lembrou que Eliseu dos Santos teve uma "infância humilde", filho de um guarda noturno evangélico, tendo começado a trabalhar aos 13 anos como office boy. Antes de se formar, ele ajudava em orfanatos e asilos mantidos pela comunidade evangélica. Paim disse que falava também em nome do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS).

Por mais de duas décadas, o pastor Eliezer Morais, 48 anos, foi amigo de Eliseu Santos. Foi Morais quem retirou Denise e Mariana (mulher e filha de Eliseu, respectivamente) do local do crime. Ele afirma que o secretário frequentava a igreja esporadicamente. A seguir, trechos da conversa com ZH:

Zero Hora - Vocês chegaram juntos ao culto na noite de sexta?

Eliezer Morais - Não. Eu já estava na igreja quando ele chegou, acompanhado da mulher e da filha, e sentou-se perto de mim. Era um culto especial por ser de batismo. O doutor Eliseu participou porque a irmã da mulher dele estava se batizando.

ZH - Fazia parte da rotina de Eliseu ir ao culto na matriz?

Morais - Embora crente desde menino, suas atividades não permitiam que frequentasse os cultos de maneira assídua. Ia esporadicamente à matriz e, às vezes, na igreja do Partenon.

ZH - O senhor acredita que ele desconhecia o fato de o lugar ser alvo de ladrões?

Morais - Toda a cidade tem problema de segurança. Sendo um homem público, ele tinha conhecimento dessa realidade.

ZH - Durante o tempo em que estiveram juntos, vocês falaram sobre o quê?

Morais - Ele estava feliz. Quando terminou o culto, fiquei conversando com uns irmãos. Ele e a família caminharam até a porta, onde pararam e compraram uns pasteis de uma irmã. Caminhei até o local. Ele abanou e seguiu rumo à Rua Hoffmann. Minutos depois, ouvi tiros e, pela quantidade, julguei que se tratasse de um confronto entre policiais e ladrões. Entrei na igreja acompanhado de todos que estavam por ali.

ZH - O que aconteceu a seguir? 

Morais - Entrou um irmão na igreja dizendo que o doutor Eliseu tinha sido assaltado. Então corremos para lá.

ZH - Como era a cena que o senhor encontrou no local?

Morais - Um quadro de pânico. O doutor Eliseu estava estendido no chão. Coloquei a mão e notei que não havia mais sinais vitais. A mulher dele me perguntou se ele estava morto, ela estava desesperada. Comecei a acalmá-la e a retirei dali. Eu, ela e a filha do casal fomos para a frente da igreja.

ZH - O que vocês conversaram?

Morais - Foi uma conversa religiosa porque ela estava em estado de choque e eu tentava acalmá-la. Ela tentava ligar para o filho mais velho do doutor Eliseu e não conseguia. Fiz a ligação, o avisamos de que seu pai havia sido ferido e o chamamos até o local.

ZH - O senhor o conhecia havia mais de duas décadas. Ouviu ele falar que estava sendo ameaçado?

Morais - Não lembro de nenhuma conversa nesse sentido. As nossas conversas giravam em torno da religião.

Entrevista por Carlos Wagner

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